A Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) deflagraram nesta quinta-feira (9) a segunda fase da Operação Monã, que investiga um esquema de fraudes na concessão de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) destinados a segurados especiais indígenas no sul da Bahia. As investigações apontam que o grupo utilizava declarações falsas de pertencimento a comunidades indígenas para obter benefícios de forma irregular.
Segundo os investigadores, o esquema pode ter provocado um prejuízo superior a R$ 100 milhões aos cofres públicos e estaria em funcionamento há pelo menos cinco anos.
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Benefícios eram obtidos de forma irregular
De acordo com a PF, os suspeitos apresentavam documentos e declarações ideologicamente falsas para conseguir benefícios previdenciários destinados a indígenas.
Entre os pagamentos obtidos de maneira irregular estariam:
- aposentadorias rurais;
- salários maternidade;
- outros benefícios previdenciários voltados a segurados especiais indígenas.
Além disso, a investigação aponta que integrantes do grupo também atuavam na contratação de empréstimos consignados vinculados aos benefícios obtidos de forma fraudulenta.
Mandados foram cumpridos na Bahia
A nova fase da Operação Monã concentrou as ações nos municípios de Eunápolis e Porto Seguro, no sul da Bahia.
Durante a operação, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão e determinou o afastamento cautelar de dois servidores públicos suspeitos de participação no esquema. Os investigadores também recolheram documentos e equipamentos que poderão auxiliar na continuidade das apurações.
Investigação começou meses antes
Esta é a segunda etapa da Operação Monã.
A primeira fase foi realizada em janeiro de 2026 e já havia identificado indícios de que pessoas sem vínculo com comunidades indígenas utilizavam declarações falsas para receber benefícios previdenciários destinados exclusivamente a segurados especiais indígenas.
Crimes investigados
Os envolvidos poderão responder por diversos crimes relacionados às fraudes previdenciárias, conforme o avanço das investigações.
Entre as condutas apuradas estão fraude contra a Previdência Social, uso de documentos falsos, associação criminosa e outros delitos que eventualmente forem identificados durante a análise do material apreendido.
Apuração continua
A PF informou que a investigação segue em andamento para identificar todos os participantes do esquema, calcular o prejuízo total causado aos cofres públicos e verificar a existência de outros benefícios concedidos de forma irregular.
Os órgãos responsáveis também pretendem analisar a possível participação de novos envolvidos e adotar medidas para impedir que fraudes semelhantes continuem ocorrendo no sistema previdenciário brasileiro.

