Pesquisadores da Universidade de Oxford iniciaram os primeiros testes em humanos de uma vacina desenvolvida para proteger contra a variante Bundibugyo do vírus ebola. O imunizante chama atenção por utilizar uma plataforma tecnológica semelhante à empregada em algumas vacinas contra a Covid-19, especialmente a desenvolvida pela AstraZeneca em parceria com a universidade britânica.
O estudo representa um passo importante na busca por formas mais eficazes de combater surtos da doença, que continua preocupando autoridades de saúde em países africanos.
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Tecnologia já foi utilizada durante a pandemia
A vacina em desenvolvimento utiliza um vetor viral baseado na plataforma ChAdOx1, a mesma tecnologia empregada na vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19.
Isso não significa que seja a mesma vacina adaptada para outro vírus. Os pesquisadores utilizaram a plataforma tecnológica já conhecida para transportar proteínas específicas do vírus ebola e estimular a resposta do sistema imunológico.
Objetivo é combater variante sem vacina aprovada
Atualmente, já existem vacinas aprovadas contra algumas variantes do ebola, como a cepa Zaire. Entretanto, não há imunizantes autorizados para a variante Bundibugyo, responsável por surtos registrados em países da África.
Por isso, o novo projeto busca preencher essa lacuna e ampliar a capacidade de resposta das autoridades sanitárias diante de futuros surtos.
Primeira fase avaliará segurança
Nesta etapa inicial, os pesquisadores pretendem verificar principalmente a segurança da vacina e a capacidade de provocar resposta imunológica nos voluntários.
Somente após a conclusão dessa fase será possível avançar para estudos maiores destinados a medir a eficácia do imunizante na prevenção da doença.
OMS acompanha desenvolvimento
A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha o desenvolvimento das vacinas contra a variante Bundibugyo devido ao aumento da preocupação com novos surtos registrados na África Central.
Segundo a entidade, além da candidata baseada na plataforma ChAdOx1, outra vacina específica para essa variante também apresenta resultados promissores e poderá avançar para estudos clínicos nos próximos meses.
Ainda não há previsão de uso
Apesar do avanço nas pesquisas, a vacina ainda está em fase experimental e não pode ser utilizada pela população.
Caso os estudos demonstrem segurança e eficácia, o imunizante ainda precisará passar pelas etapas regulatórias antes de receber autorização para uso em campanhas de vacinação. Até lá, as medidas de vigilância epidemiológica continuam sendo a principal estratégia para conter novos surtos de ebola.

