Dados meteorológicos revelam até quando vai durar os efeitos extremos do El Niño no Sul do Brasil e a resposta não é boa

Saiba até quando vai durar o El Niño, quando o fenômeno deve perder força e por que especialistas ainda alertam para risco de enchentes.

Depois de semanas marcadas por enchentes, rios acima da cota de inundação e milhares de pessoas afetadas no Rio Grande do Sul, uma pergunta passou a dominar as buscas na internet: até quando vai durar o El Niño? A resposta dos meteorologistas é que o fenômeno ainda deve influenciar o clima por vários meses, mantendo elevado o risco de eventos extremos no Sul do Brasil.

Segundo os principais centros internacionais de monitoramento climático, o El Niño 2026/2027 deverá permanecer ativo durante todo o segundo semestre de 2026, atingir seu pico entre novembro e dezembro e começar a perder força apenas ao longo do primeiro semestre de 2027. Mesmo assim, seus efeitos sobre a atmosfera podem continuar sendo sentidos por mais alguns meses.

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Quando o El Niño deve terminar?

De acordo com as projeções mais recentes de instituições como o Climate Prediction Center (CPC/NOAA), dos Estados Unidos, e outros centros internacionais, a tendência é que o fenômeno permaneça forte durante o restante de 2026.

Os modelos indicam o seguinte cenário:

  • El Niño permanece ativo durante todo o segundo semestre de 2026;
  • Pico de intensidade entre novembro e dezembro;
  • Enfraquecimento gradual no início de 2027;
  • Retorno à condição de neutralidade entre o outono e o inverno de 2027, caso as projeções atuais se confirmem.

Apesar desse calendário, especialistas destacam que os impactos climáticos costumam continuar mesmo após o oceano começar a esfriar.

Por que os efeitos continuam mesmo depois?

O oceano e a atmosfera não respondem ao mesmo tempo.

Mesmo quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico começa a diminuir, a atmosfera leva alguns meses para se reorganizar. Esse atraso, conhecido pelos meteorologistas como “delay atmosférico”, faz com que os efeitos do El Niño continuem influenciando o clima.

Foi exatamente isso que aconteceu em outros grandes episódios registrados nas últimas décadas.

Rio Grande do Sul ainda deve enfrentar meses de atenção

No Rio Grande do Sul, o El Niño costuma provocar aumento significativo das chuvas, principalmente durante a primavera e parte do verão.

Nas últimas semanas, o Estado voltou a registrar fortes temporais, enchentes, rios fora do leito e milhares de pessoas afetadas, principalmente nas bacias dos rios Taquari, Caí, Uruguai e Jacuí.

Meteorologistas alertam que o período entre setembro e dezembro ainda apresenta potencial para novos episódios de chuva intensa, já que o fenômeno deverá estar em sua fase de maior intensidade.

Existe risco também em 2027?

Sim.

Mesmo que o El Niño comece a perder força no início de 2027, especialistas lembram que grandes enchentes históricas ocorreram justamente meses após o início do fenômeno.

A atmosfera costuma continuar respondendo ao aquecimento do Pacífico durante o verão e até parte do outono seguinte. Por isso, os primeiros meses de 2027 ainda exigem acompanhamento constante das previsões meteorológicas.

O fenômeno pode bater recordes históricos

Outro fator que aumenta a preocupação é a intensidade prevista para o atual evento.

Modelos climáticos apontam que o El Niño 2026/2027 pode entrar para a história como um dos mais fortes desde o início das medições, superando inclusive episódios históricos registrados em 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016.

Embora isso não signifique automaticamente que todas as regiões sofrerão impactos extremos, um El Niño muito intenso aumenta significativamente a probabilidade de eventos climáticos severos em diversas partes do planeta.

O que esperar nos próximos meses?

Se as projeções atuais forem confirmadas, o Brasil (especialmente a Região Sul) ainda deverá conviver com:

  • chuvas acima da média;
  • maior frequência de temporais;
  • risco elevado de enchentes;
  • possibilidade de vendavais e granizo em alguns episódios;
  • calor intenso durante o verão, alternando com períodos de chuva volumosa.

Por isso, a orientação dos órgãos de meteorologia e da Defesa Civil é acompanhar os boletins oficiais e manter atenção aos alertas, principalmente nas regiões historicamente vulneráveis às cheias.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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