A forma como milhões de brasileiros contratam energia elétrica está prestes a mudar. A abertura gradual do mercado livre de energia permitirá que consumidores que hoje dependem exclusivamente da distribuidora local passem a escolher de quem comprar a energia.
A mudança faz parte da reforma do setor elétrico e será implementada de maneira gradual. Para consumidores residenciais, a abertura está prevista para 2027, enquanto pequenos comércios e indústrias terão acesso antes.
LEIA TAMBÉM:
- Jovem que vende doces sem abrir MEI e movimenta R$ 40 mil de transações via Pix tem conta bancária bloqueada pela Receita Federal para cobrança de impostos retroativos
- “Vende de tudo!”: concorrente da Havan prepara nova loja no RS e promete inauguração com brindes para clientes
- Anvisa proíbe supermercados e lojas de vender 12 produtos de limpeza, manda recolher unidades e consumidores devem conferir a lista
Brasileiros poderão escolher o fornecedor de energia
Atualmente, a maioria das residências está no chamado mercado regulado. Nesse modelo, o consumidor recebe energia da distribuidora responsável pela região e paga a tarifa definida conforme as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Com a abertura do mercado livre, essa lógica começa a mudar.
O consumidor poderá escolher uma empresa para fornecer a energia que será consumida, negociando condições e contratos. A distribuidora continuará responsável pela infraestrutura e pela entrega física da eletricidade.
Mudança começa primeiro para empresas
A abertura não acontecerá de uma só vez.
O cronograma prevê que pequenos comércios e indústrias de baixa tensão possam escolher o fornecedor a partir de novembro de 2027.
Já os consumidores residenciais terão acesso à possibilidade de escolha a partir de novembro de 2028, conforme o cronograma regulamentado.
Isso significa que uma residência não poderá simplesmente trocar de fornecedor de energia já em 2027.
Como ficará a conta de luz
Mesmo com a possibilidade de escolher a empresa que fornece a energia, a conta não desaparecerá nem será totalmente substituída por uma nova cobrança.
A distribuidora continuará responsável por itens relacionados à rede elétrica, como postes, cabos, transformadores e manutenção.
O que muda principalmente é a possibilidade de negociar a parte relacionada à compra da energia.
Na prática, o consumidor poderá comparar propostas e escolher contratos que façam mais sentido para seu perfil de consumo.
Mudança pode aumentar a concorrência
A principal expectativa do governo é que a abertura do mercado aumente a concorrência entre fornecedores.
Com mais empresas disputando consumidores, a tendência é que surjam diferentes ofertas, condições contratuais e possibilidades de economia.
O Ministério de Minas e Energia afirma que a abertura busca ampliar a liberdade de escolha e modernizar o setor elétrico brasileiro.
No mercado livre, consumidores também podem negociar contratos e escolher fornecedores que trabalham com determinadas fontes de energia, inclusive renováveis.
Nem todo consumidor terá economia automática
Apesar da possibilidade de escolher o fornecedor, isso não significa que a conta ficará automaticamente mais barata para todos.
O preço dependerá do contrato escolhido, do perfil de consumo e das condições do mercado.
Além disso, a abertura do mercado exige novas regras para proteger consumidores que eventualmente deixem de ter contrato com um fornecedor.
Por isso, a liberdade de escolha também deverá vir acompanhada de mais atenção na hora de comparar as propostas.
Governo também mudou a Tarifa Social
A reforma do setor elétrico também trouxe mudanças para famílias de baixa renda.
A nova Tarifa Social prevê gratuidade no consumo de energia dentro do limite estabelecido para famílias elegíveis, além de descontos e isenções para outros grupos enquadrados nas regras.
O Ministério de Minas e Energia afirma que as medidas podem beneficiar dezenas de milhões de brasileiros.
O que muda para quem mora em casa
Para quem é consumidor residencial, a principal mudança ainda está no futuro.
Até a abertura do mercado, a residência continuará sendo atendida pela distribuidora de sua região.
A partir da etapa prevista para 2028, o consumidor residencial poderá ter a possibilidade de escolher o fornecedor da energia, enquanto a distribuidora continuará cuidando da infraestrutura necessária para que a eletricidade chegue até o imóvel.
Portanto, a conta de luz não vai deixar de existir em 2027. O que está mudando é a forma como o consumidor poderá contratar a energia que utiliza.
A abertura do mercado representa uma das maiores mudanças no setor elétrico brasileiro dos últimos anos e deverá ampliar gradualmente a liberdade de escolha para consumidores de diferentes perfis.

