Janete de Ávila Pelentir transformou as viagens que fazia durante as férias ao lado do marido em uma mudança de profissão. Depois de trabalhar em um restaurante de Francisco Beltrão, no Paraná, ela conheceu de perto a rotina das estradas, decidiu aprender a conduzir uma carreta e passou a trabalhar profissionalmente com transporte de cargas.
A mudança aconteceu de forma gradual. O marido, Sidnei Corrêa, já era caminhoneiro e foi durante as viagens que Janete começou a se interessar pelo trabalho. Com o tempo, ela avançou nas etapas necessárias para alterar a Carteira Nacional de Habilitação e assumir o volante.
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Hoje, a caminhoneira percorre diferentes regiões do Brasil em viagens que podem envolver Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Rondônia, Pará e estados do Nordeste.
Segundo relato publicado pelo Jornal de Beltrão, sua rotina começa por volta das 3h45 e pode chegar a 12 ou 14 horas de trabalho, dependendo das condições da viagem e das necessidades encontradas durante o percurso.
Caminhoneira deixou restaurante para trabalhar nas estradas

Janete tinha 49 anos quando contou sua história ao Jornal de Beltrão, em reportagem publicada em julho de 2026.
Na época em que ainda trabalhava em um restaurante, ela acompanhava o marido durante algumas viagens de férias. A convivência com a rotina dos caminhoneiros fez surgir o interesse por uma atividade que até então fazia parte principalmente da vida profissional de Sidnei.
O contato com as rodovias acabou despertando uma possibilidade de mudança.
Janete passou a considerar a profissão e começou a avançar nos procedimentos necessários para conseguir conduzir veículos maiores.
A entrada no transporte de cargas, porém, não ocorreu imediatamente. Ela precisou cumprir as etapas relacionadas à habilitação até estar apta a dirigir uma carreta profissionalmente.
Mudança na CNH abriu caminho para nova profissão
A decisão de seguir pela profissão exigiu uma mudança na habilitação.
Depois de avançar na categoria necessária para conduzir o veículo, Janete passou a se preparar para assumir uma rotina profissional diferente daquela que tinha no restaurante.
Cerca de dois anos e meio depois do início desse processo, ela já estava trabalhando com transporte de cargas.
O marido e o filho, Sandro Pelentir Gnoatto, apoiaram a decisão. A nova atividade significava, entretanto, entrar em uma profissão marcada por longos períodos na estrada e distância da rotina doméstica.
Jornada começa às 3h45 e pode durar até 14 horas
A rotina da caminhoneira começa ainda durante a madrugada.
Por volta das 3h45, Janete inicia os preparativos para mais um dia de viagem. A duração do trabalho varia conforme o percurso e as condições encontradas no caminho, podendo chegar a 12 ou 14 horas.
As paradas também fazem parte da rotina.
Durante os deslocamentos, é preciso organizar momentos para alimentação, banho, descanso e outras necessidades básicas. O planejamento pode mudar conforme o trânsito, o local de parada e as exigências da viagem.
Por isso, cada percurso apresenta uma dinâmica diferente.
Caminhoneira já passou por estados de quatro regiões do Brasil
As viagens levaram Janete para diferentes partes do país.
Entre os estados mencionados em seu relato estão:
- Paraná;
- Santa Catarina;
- Mato Grosso;
- Rondônia;
- Pará;
- estados da região Nordeste.
Com isso, a rotina profissional passou a envolver trajetos pelo Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
A mudança representa uma transformação significativa em relação ao antigo trabalho. O caminhão, que inicialmente fazia parte da rotina profissional do marido, passou a ser também o principal ambiente de trabalho de Janete.
Preconceito ainda aparece durante as viagens
A profissão também trouxe situações relacionadas ao fato de Janete ser mulher.
Ela relatou episódios de preconceito e surpresa em locais frequentados por caminhoneiros, especialmente em postos de combustível e pátios.
Em algumas ocasiões, pessoas chegaram a presumir que ela fosse apenas acompanhante ou esposa de outro motorista.
A situação também apareceu durante abastecimentos. Atendentes já demonstraram estranhamento quando Janete se apresentou como responsável pelo caminhão e informou a placa para realizar o pagamento.
Apesar disso, ela segue realizando normalmente as atividades exigidas pela profissão.
Estrutura para mulheres ainda apresenta problemas
Outro desafio apontado pela caminhoneira está relacionado à infraestrutura encontrada durante as viagens.
Segundo Janete, algumas empresas não oferecem banheiro feminino de maneira adequada. Em determinados locais, o espaço permanece trancado e é necessário procurar alguém responsável pela chave.
O problema também aparece nos locais destinados ao banho.
Em uma das situações relatadas, a estrutura disponível para mulheres não contava sequer com um chuveiro adequado.
Para Janete, postos e serviços de rodovia melhoraram o atendimento às mulheres ao longo dos anos, mas ainda existem dificuldades principalmente em empresas onde os motoristas precisam entrar para carregar ou descarregar mercadorias.
Vida na estrada exige ficar longe da família
A rotina profissional também interfere na vida familiar.
As viagens podem resultar em ausências em aniversários, Dia das Mães e outras datas importantes, já que a atividade exige longos períodos longe de casa.
Alimentação, higiene, descanso e deslocamento precisam ser organizados de acordo com o trabalho.
Por isso, gostar da profissão acaba sendo importante para lidar com as limitações da vida na estrada.
Janete precisou adaptar sua rotina a uma atividade que começa antes do amanhecer, envolve longos deslocamentos e pode mantê-la durante muitas horas dentro do caminhão.
Caminhoneira construiu nova rotina pelas estradas
A história de Janete começou em um restaurante e mudou a partir das viagens que fazia com o marido. O contato com a profissão despertou seu interesse, levando-a a alterar a habilitação e posteriormente assumir o transporte de cargas.
Hoje, a caminhoneira percorre diferentes regiões brasileiras e enfrenta uma rotina que pode começar às 3h45 e se estender por até 14 horas.
Além dos desafios comuns às longas viagens, ela também encontra situações de preconceito e problemas de infraestrutura para mulheres.
Mesmo assim, Janete continua trabalhando nas estradas e transformou uma atividade que inicialmente conhecia como acompanhante das viagens do marido em sua própria profissão.

