A taxa de desemprego no Brasil voltou a cair e atingiu 5,3% no trimestre encerrado em julho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27). O resultado mostra uma redução de 0,5 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em abril, quando o índice estava em 5,8%.
O resultado também ficou abaixo dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025 e veio exatamente em linha com a mediana das projeções de analistas consultados pela Reuters.
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Número de desempregados também diminui
Com a queda da taxa, o número de brasileiros desocupados também recuou.
Segundo o IBGE, 5,8 milhões de pessoas estavam sem trabalho e procurando emprego no trimestre até julho. O número representa uma redução de 8% em relação ao trimestre encerrado em abril, quando aproximadamente 6,3 milhões estavam nessa situação.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 4,9% na população desocupada.
Brasil bate recorde de pessoas trabalhando
Outro dado que chama atenção é o número de brasileiros ocupados.
A população ocupada chegou a 103,3 milhões de pessoas, o maior contingente registrado desde o início da série histórica da Pnad Contínua.
O número representa crescimento de 1% no trimestre e de 0,9% em um ano.
O resultado mostra que, além da redução no número de desempregados, o mercado de trabalho continua ampliando o número de pessoas inseridas em alguma atividade profissional.
Emprego com carteira também alcança recorde
O levantamento do IBGE também apontou um recorde no número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada.
O contingente chegou a 39,4 milhões de pessoas, maior número da série histórica iniciada em 2012.
Considerando empregados com e sem carteira, o setor privado chegou a 53,2 milhões de trabalhadores, também o maior contingente já registrado.
Por outro lado, o número de empregados sem carteira assinada chegou a 13,8 milhões, com crescimento de 3,6% no trimestre, equivalente a 477 mil pessoas a mais.
Informalidade continua sendo um desafio
Apesar dos números positivos, os dados do IBGE mostram que ainda existe um ponto de atenção no mercado de trabalho brasileiro: a informalidade.
A taxa de informalidade subiu para 37,5% da população ocupada, contra 37,2% no trimestre anterior.
Isso representa aproximadamente 38,8 milhões de trabalhadores informais no país.
Segundo Jefferson Mariano, analista socioeconômico do IBGE, o aumento está relacionado principalmente ao crescimento de trabalhadores sem carteira assinada e de pessoas que trabalham por conta própria sem CNPJ.
Rendimento médio fica em R$ 3.762
O levantamento também mostrou que o rendimento real habitual dos trabalhadores ficou em R$ 3.762.
O valor permaneceu estável na comparação com o trimestre anterior, mas apresentou crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025.
A composição dos novos postos ajuda a explicar por que o rendimento não avançou no trimestre. Trabalhadores informais, em média, possuem remuneração inferior à dos trabalhadores formais.
Mercado de trabalho segue aquecido
Os novos números reforçam a trajetória de melhora observada ao longo de 2026.
No trimestre encerrado em junho, a taxa de desemprego já havia caído para 5,4%, também atingindo o menor resultado para o período desde o início da série histórica.
Agora, com o índice em 5,3%, o mercado de trabalho registra mais uma melhora.
Ao mesmo tempo, o crescimento da informalidade mostra que a redução do desemprego não significa que todos os novos postos estejam acompanhados das mesmas condições de estabilidade e proteção oferecidas pelo emprego formal.
O que os números mostram
Os dados divulgados pelo IBGE apresentam um cenário de desemprego em queda, recorde de pessoas ocupadas e maior número de trabalhadores com carteira assinada.
Por outro lado, a informalidade permanece elevada e cresceu no último trimestre analisado.
Na prática, o Brasil chega ao trimestre encerrado em julho com 5,3% de desemprego, 103,3 milhões de pessoas ocupadas e 39,4 milhões de empregados privados com carteira assinada, enquanto 38,8 milhões de trabalhadores permanecem na informalidade.

