Após 20 anos, família perde cerca viva durante obra do vizinho e cobra replantio e indenização pelas árvores

Família volta do fim de semana e encontra cerca viva de mais de 20 anos arrancada pelo vizinho. Veja se pode haver replantio e indenização.

Uma cerca viva que permaneceu por mais de 20 anos pode desaparecer de um dia para o outro quando uma obra é feita no imóvel vizinho. Foi o que aconteceu com uma família que voltou para casa depois do fim de semana e encontrou as plantas arrancadas para dar espaço à construção de uma parede.

A situação pode gerar uma discussão que vai muito além do paisagismo. É preciso descobrir onde exatamente estava a vegetação, se ela ficava dentro do terreno da família ou sobre a divisa e se houve autorização para a retirada.

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O vizinho pode arrancar uma cerca viva para construir uma parede?

O fato de o vizinho estar construindo dentro do próprio terreno não significa que ele possa retirar qualquer vegetação localizada na área de outro proprietário. A situação precisa ser analisada de acordo com a posição da cerca viva e com as regras aplicáveis aos limites entre os imóveis.

O Código Civil estabelece regras específicas para árvores, plantas e cercas utilizadas como marco divisório. O artigo 1.297, § 2º, prevê que sebes vivas, árvores ou plantas usadas para marcar a divisão entre imóveis só podem ser cortadas ou arrancadas de comum acordo.

Por isso, antes de concluir que a retirada foi irregular, é necessário verificar a localização exata das plantas e a documentação dos terrenos.

E se a cerca viva estivesse exatamente na divisa?

A situação fica mais complexa quando a vegetação estava sobre a própria linha que separa os dois imóveis.

O Código Civil possui regras específicas para elementos utilizados como marco divisório. No caso de árvore cujo tronco esteja exatamente na linha de divisão, por exemplo, existe presunção de propriedade comum entre os vizinhos.

Isso é diferente de uma cerca viva que esteja comprovadamente dentro de apenas um dos terrenos. Nesse caso, a prova da localização ganha importância para definir quem poderia autorizar sua retirada.

Como provar onde a cerca viva ficava antes da obra?

Fotos antigas podem ser fundamentais para reconstruir a situação existente antes da construção da parede. Imagens de anos anteriores podem mostrar a posição das plantas em relação a muros, postes, portões e outros pontos fixos.

Um levantamento topográfico também pode ajudar a comparar a posição atual da divisa com plantas e documentos dos imóveis.

Entre as provas que podem ser reunidas estão:

  • Fotos e vídeos antigos mostrando a cerca viva antes da retirada;
  • Levantamento topográfico indicando a linha divisória;
  • Matrículas e plantas dos imóveis;
  • Mensagens trocadas com o vizinho sobre a obra;
  • Testemunhas que conheciam a posição das plantas;
  • Orçamentos para reconstrução do paisagismo;
  • Registros da obra e da retirada da vegetação.

O fato de a cerca viva existir havia mais de 20 anos pode ajudar a demonstrar que aquela configuração era antiga e conhecida, mas o tempo de existência, sozinho, não determina a propriedade das plantas nem resolve uma eventual disputa sobre a divisa.

A família pode exigir que o vizinho replante as plantas?

Dependendo do que for comprovado, a família pode buscar a recomposição da área e o ressarcimento dos prejuízos provocados pela retirada.

Se ficar demonstrado que a vegetação pertencia ao imóvel da família e foi retirada sem autorização, por exemplo, podem ser discutidos os custos necessários para recuperar o paisagismo ou restabelecer uma situação equivalente.

A solução, entretanto, depende das características da vegetação. Nem sempre será possível simplesmente colocar as mesmas plantas novamente no local, especialmente quando uma parede já foi construída.

Por isso, um profissional pode avaliar quais espécies, quantidade e medidas seriam necessárias para recompor a área afetada.

É possível pedir indenização pelas plantas retiradas?

Sim, pode haver discussão sobre danos materiais quando existe prejuízo econômico comprovado.

O Código Civil prevê, nos artigos 186 e 927, o dever de reparar o dano causado por ato ilícito. Na prática, porém, a família precisaria demonstrar a conduta, o prejuízo e a relação entre a retirada da vegetação e o dano alegado.

Orçamentos de paisagismo, notas fiscais, laudos e outros documentos podem ajudar a demonstrar o custo da recomposição.

Já uma eventual indenização por dano moral não é automática. A simples existência de uma discussão entre vizinhos não significa, por si só, que haverá compensação por dano moral. As circunstâncias concretas precisam demonstrar algo que ultrapasse um mero aborrecimento.

Os 20 anos de existência da cerca viva fazem diferença?

O período de mais de 20 anos pode ser relevante principalmente como elemento de prova.

Fotos, registros antigos e testemunhos podem demonstrar que a vegetação permaneceu naquele local durante longo período e ajudar a reconstruir a configuração do terreno antes da obra.

Isso pode ser especialmente importante quando o conflito envolve a posição da divisa. Se os documentos atuais não forem suficientes para esclarecer a situação, o histórico da propriedade pode contribuir para a análise.

Mas não significa que uma cerca viva passe automaticamente a pertencer a alguém simplesmente por ter permanecido no local durante duas décadas.

O que fazer antes de reconstruir a cerca ou mexer na parede?

Antes de qualquer nova alteração, o ideal é preservar o máximo possível das evidências.

A família pode fotografar o terreno, registrar os pontos onde estavam as plantas, guardar eventuais restos da vegetação e reunir imagens antigas. Também é importante evitar intervenções que possam destruir marcas ou elementos úteis para determinar a antiga posição da cerca.

Se a parede ainda estiver sendo construída em uma área cuja divisa é discutida, uma avaliação técnica pode ser importante antes que a obra avance.

Um profissional habilitado pode realizar o levantamento da área, enquanto documentos dos imóveis ajudam a verificar os limites registrados.

O vizinho pode manter a parede mesmo se a cerca estivesse no terreno da família?

A resposta depende da posição exata da construção e das circunstâncias do caso.

O direito de construir no próprio imóvel não autoriza automaticamente a ocupação de uma faixa pertencente ao vizinho. Se a parede também avançar sobre o terreno alheio, a discussão deixa de envolver apenas a retirada da vegetação e passa a incluir a própria construção.

Por isso, é importante separar duas questões: onde estava a cerca viva e onde está sendo construída a parede.

Um levantamento topográfico pode esclarecer as duas situações e evitar que o conflito seja resolvido apenas com base em fotografias ou percepções visuais.

Como a família deve agir diante da retirada da cerca viva?

O primeiro passo é reunir documentos e provas antes de tentar reconstruir o local. Fotos antigas, matrícula, planta do imóvel, registros da obra e orçamentos podem ajudar a dimensionar o problema.

Se houver dúvida sobre a divisa, o levantamento topográfico pode ser uma das principais ferramentas para esclarecer a situação.

A partir daí, a família poderá avaliar, conforme as provas, se busca uma solução consensual com o vizinho ou se precisa recorrer às medidas administrativas ou judiciais cabíveis.

No fim, o ponto central não é apenas o fato de a cerca viva ter mais de 20 anos. É necessário descobrir onde ela estava, quem era o responsável pela área, se houve autorização para a retirada e qual prejuízo foi efetivamente causado.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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