O El Niño deve continuar em forte intensidade durante setembro de 2026, aumentando a atenção dos meteorologistas para a possibilidade de eventos extremos em diferentes partes do planeta. As projeções indicam que o fenômeno pode permanecer muito intenso nos próximos meses, com reflexos no comportamento das temperaturas e das chuvas.
Além do calor, a atividade de sistemas tropicais no Oceano Pacífico também chama atenção. O meteorologista Ben Noll afirmou que, com o início da temporada de ciclones em setembro, a quantidade de sistemas pode crescer rapidamente.
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Segundo o especialista, o Pacífico pode gerar tantos ciclones tropicais que acompanhar todos os sistemas simultaneamente poderá se tornar uma tarefa difícil.
Por que o El Niño está chamando atenção neste momento?
O fenômeno já apresenta anomalias elevadas de temperatura no Oceano Pacífico Equatorial.
Na região do Niño 3.4, os valores citados estão acima de 1,8°C, nível associado a uma condição forte do fenômeno. As projeções ainda apontam para a possibilidade de avanço para uma categoria muito forte ou até histórica nos próximos trimestres.
Outra área que apresenta temperaturas bastante acima da média é o Niño 1+2, próximo às costas do Peru e do Equador.
De acordo com Ben Noll, essa região registra uma anomalia de aproximadamente 4,32°C, valor que se aproxima do recorde histórico de 4,67°C registrado em 1983.
O Pacífico pode ter muitos ciclones ao mesmo tempo
A atividade de ciclones tropicais no Pacífico já chama atenção antes mesmo do início de setembro.
Segundo o meteorologista, seis ciclones tropicais nomeados estavam circulando simultaneamente pela bacia do Pacífico no momento da análise.
A comparação com o Atlântico também foi destacada. Enquanto a atividade no Pacífico aumenta, havia dificuldade para organizar tempestades no Atlântico.
Para Noll, o comportamento dos oceanos neste momento está diretamente relacionado à influência do El Niño.
O fenômeno pode aumentar os extremos de temperatura no Brasil?
Sim, o padrão climático previsto para setembro favorece períodos de calor mais longos e intensos em diferentes áreas do país.
A interação entre as temperaturas do oceano e o comportamento da atmosfera influencia a distribuição de calor e chuva. Com o fenômeno permanecendo forte, os efeitos podem aparecer de maneiras diferentes dependendo da região.
Isso não significa que o Brasil inteiro ficará permanentemente quente.
No Sul, por exemplo, a passagem de frentes frias e a entrada de massas de ar frio continuam previstas, criando uma alternância entre períodos de temperaturas elevadas e mudanças bruscas no tempo.
Como o El Niño pode afetar as regiões do Brasil?
Os impactos do fenômeno não são iguais em todo o território brasileiro.
A previsão climática para setembro aponta diferenças importantes na distribuição das chuvas e nas condições atmosféricas de cada região.
Norte e Nordeste
Nessas áreas, as projeções indicam maior probabilidade de precipitação abaixo da média.
A combinação de menos chuva com períodos mais quentes pode favorecer condições de seca em determinadas áreas.
Região Sul
O cenário é diferente no Sul do Brasil.
A previsão aponta tendência de volumes de chuva mais elevados e recorrentes, além da possibilidade de alternância entre massas de ar frio e frentes frias.
Essa combinação mantém a atenção para episódios de temporais e outros eventos de tempo severo.
Centro do país
O comportamento atmosférico também pode favorecer períodos de calor mais prolongados, embora a distribuição das chuvas possa variar conforme a atuação de outros sistemas meteorológicos.
Por isso, os efeitos do fenômeno não devem ser interpretados como uma previsão de tempo igual para todo o país.
El Niño pode provocar temporais e ciclones no Sul?
O fenômeno pode contribuir para condições atmosféricas que favoreçam episódios de tempo severo, mas isso não significa que cada frente fria necessariamente produzirá um temporal.
No Sul, a alternância entre calor, frentes frias e massas de ar de diferentes características pode aumentar os contrastes atmosféricos.
Em determinadas situações, esses contrastes podem favorecer tempestades fortes, ventos intensos e outros eventos extremos.
As projeções também mantêm atenção para possíveis episódios de ciclones e tornados, especialmente quando houver condições atmosféricas favoráveis.
O que o Inpe prevê para setembro?
Segundo o Inpe, a previsão climática para setembro aponta para a persistência de um El Niño forte e para impactos diferentes entre as regiões brasileiras.
O instituto destaca que a distribuição das chuvas não será uniforme. Enquanto algumas áreas podem registrar precipitação abaixo da média, outras apresentam maior probabilidade de volumes elevados.
A Região Sul aparece entre as áreas com maior tendência de chuva, enquanto Norte e Nordeste apresentam maior probabilidade de condições mais secas.
O cenário também reforça a possibilidade de períodos de calor mais longos e intensos, intercalados com mudanças provocadas pela passagem de sistemas de chuva e frio.
Por que setembro pode ter mudanças bruscas no tempo?
Um dos principais fatores é a atuação simultânea de diferentes padrões atmosféricos.
O Brasil poderá passar por períodos de calor intenso e, posteriormente, receber frentes frias capazes de provocar queda nas temperaturas e mudanças rápidas nas condições do tempo.
No Sul, essa alternância tende a ser particularmente importante.
Assim, mesmo com o El Niño favorecendo períodos mais quentes, não significa que o frio desaparecerá ou que as temperaturas permanecerão elevadas durante todo o mês.
O que esperar do El Niño nos próximos meses?
As projeções indicam que o fenômeno continuará forte durante setembro e pode alcançar níveis ainda mais elevados posteriormente.
A combinação entre o aquecimento excepcional do Pacífico, a atividade de ciclones tropicais e as mudanças nos padrões atmosféricos mantém os meteorologistas atentos para possíveis eventos extremos.
Para o Brasil, o principal ponto é que os efeitos serão diferentes conforme a região.
Enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar períodos mais secos, o Sul tende a receber mais chuva e continuar sujeito à passagem de frentes frias, temporais e outros episódios de tempo severo.
O mês de setembro, portanto, deve ser marcado por contrastes: calor mais persistente em determinados períodos, chuva intensa em algumas regiões e mudanças bruscas provocadas pela chegada de sistemas de frio.
E, com a atividade de ciclones aumentando no Pacífico, a previsão do especialista de que será difícil acompanhar a quantidade de sistemas pode ser apenas o começo de um mês de grande movimentação atmosférica.

