Motorista de aplicativo de 52 anos leva idoso de 88 para consertar o celular, percebe que ele não tinha ninguém por perto, passa a cuidar dele de graça e larga emprego de bancária e 50% da renda para não deixá-lo sozinho

Motorista de aplicativo conheceu o idoso durante uma corrida que parecia comum, começou a ajudá-lo sem cobrar e acabou mudando a própria vida para ficar ao lado dele.

Motorista de aplicativo Jenni Tekletsion, de 52 anos, acreditava estar fazendo apenas mais uma corrida quando recebeu Paul Webb, de 88. O idoso precisava de uma coisa simples: chegar até uma loja para consertar o celular.

Mas aquela viagem acabou mudando a rotina dos dois.

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Durante a conversa, Jenni percebeu que Paul levava uma vida solitária. Antes de ir embora, deixou seu número de telefone e disse que ele poderia ligar caso precisasse de ajuda.

Não demorou.

No dia seguinte, Paul telefonou. Ele precisava comprar leite. Foi o começo de uma amizade que levaria Jenni a tomar uma decisão capaz de mudar completamente sua vida profissional e financeira.

Motorista de aplicativo começou a levar idoso sem cobrar

Paul vivia em Columbus, no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Ele havia perdido a esposa em 2014, após 65 anos de casamento.

Além da perda da companheira, o idoso enfrentava problemas de saúde. Em 2017, sofreu um AVC e deixou de dirigir. Naquele mesmo ano, recebeu diagnóstico de demência.

Sem poder conduzir o próprio carro, atividades simples passaram a depender da ajuda de outras pessoas.

Jenni começou a preencher parte desse vazio.

Ela passou a levar Paul ao supermercado, ao médico, ao cabeleireiro e a restaurantes. As viagens deixaram de ser corridas de aplicativo: ela não cobrava mais dele.

Os encontros também ultrapassaram os trajetos de carro.

Os dois começaram a fazer refeições juntos e criaram um vínculo cada vez mais próximo.

A motorista que havia aparecido por acaso na vida de Paul começava a se transformar em alguém da família.

Saúde piorou e família pensou em casa de repouso

Com o passar do tempo, a situação ficou mais delicada.

Em 2021, Paul começou a sair sozinho de casa e caminhar pelo bairro. Por causa da demência, a situação aumentou a preocupação dos filhos.

A família passou a considerar a possibilidade de colocá-lo em uma casa de repouso, onde poderia receber acompanhamento constante.

Paul não queria ir.

Jenni então tomou uma decisão que mudaria não apenas a vida dele, mas também a dela.

Ela se ofereceu para assumir os cuidados.

Ela deixou o emprego e abriu mão de 50% da renda

A escolha exigiu uma renúncia enorme.

Jenni deixou o emprego que tinha em uma instituição financeira para conseguir dedicar mais tempo a Paul.

A mudança derrubou sua renda em aproximadamente 50%.

Mesmo diante do impacto financeiro, ela decidiu continuar.

Quando a história ganhou repercussão na imprensa americana, Jenni chegava à casa de Paul por volta das 10h e permanecia com ele até aproximadamente 18h.

Durante o dia, ajudava a organizar a casa, acompanhava os horários dos medicamentos e garantia que o idoso se alimentasse e cuidasse da higiene.

Também fazia questão de tirá-lo de casa.

O que começou com alguns minutos dentro de um carro havia se transformado em uma rotina diária de cuidado.

A história de Paul fez Jenni lembrar do próprio pai

Havia ainda outro motivo para aquela relação ter se tornado tão importante.

O pai de Jenni vivia na Etiópia e morreu em 2003. Ela não conseguiu estar ao lado dele nos últimos momentos.

A ausência deixou uma marca.

Anos depois, a convivência com Paul fez Jenni enxergar no idoso uma figura paterna. Cuidar dele também ganhou um significado pessoal.

No início, a aproximação chegou a provocar desconfiança na família de Paul.

Os filhos queriam entender por que uma mulher que havia conhecido o pai em uma corrida estava tão disposta a ajudá-lo.

Com o tempo, a convivência mostrou que Jenni não buscava dinheiro nem qualquer benefício.

Ela queria estar ao lado dele.

Uma corrida que deveria terminar na loja mudou duas vidas

Paul chamou um carro porque precisava consertar o celular.

Jenni aceitou porque estava trabalhando.

Nenhum dos dois poderia imaginar o que aconteceria depois daquele encontro.

A corrida terminou, mas Jenni voltou.

Primeiro, para ajudá-lo a comprar leite. Depois, para levá-lo aos compromissos. Mais tarde, para compartilhar refeições e ajudá-lo nas tarefas do dia a dia.

Até que decidiu abrir mão do emprego e aceitar uma redução de cerca de 50% na renda para permanecer ao lado do homem que conheceu por acaso dentro do carro.

Para Paul, aquela motorista deixou de ser apenas alguém que o levava de um endereço a outro.

Virou companhia. E, com o tempo, virou família.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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