O El Niño continua ganhando força no Oceano Pacífico Equatorial e as projeções climáticas apontam que o fenômeno deve atingir seu período de maior intensidade entre a primavera e o fim de 2026.
No Paraná, os efeitos já começam a aparecer no comportamento das chuvas. O Simepar prevê precipitações acima da média em todas as regiões do Estado durante setembro, com atenção especial para a primeira quinzena do mês. A combinação de umidade, frentes frias e sistemas de baixa pressão também pode favorecer episódios de temporais.
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A previsão mais recente acrescenta um detalhe importante: a estimativa para o pico do El Niño foi ligeiramente reduzida em relação à projeção anterior, mas o evento ainda é considerado potencialmente historicamente forte. O GFDL, laboratório ligado à NOAA, informou em 8 de setembro que todos os 30 membros do conjunto analisado apontam para um fenômeno que pode competir com os eventos mais fortes já registrados.
Quando o El Niño deve atingir o pico?
As projeções colocam o período entre o fim da primavera e o início do verão como a fase de maior intensidade do fenômeno.
No relatório oficial divulgado pela NOAA em agosto, o órgão indicava que o El Niño continuaria se fortalecendo até o fim de 2026, com mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte. Para outubro, novembro e dezembro de 2026, a NOAA estimava ainda 69% de chance de um evento considerado histórico, com índice RONI de pelo menos +2,5°C.
A atualização experimental de setembro manteve a perspectiva de um evento excepcionalmente forte, embora tenha reduzido um pouco a intensidade máxima estimada em relação ao mês anterior.
Isso significa que a previsão de “pico” deve ser entendida como uma janela provável, e não como um único dia em que o fenômeno necessariamente atingirá seu máximo.
O Paraná já está sentindo os efeitos do fenômeno?
Sim. Os dados do Simepar mostram que o comportamento mais chuvoso já vinha sendo observado antes mesmo da chegada da primavera.
Em julho de 2026, das 45 estações meteorológicas do órgão com mais de cinco anos de histórico, 41 registraram volumes de chuva acima da média. Em Palmas, foram acumulados 311 milímetros no mês, o maior volume de julho desde a instalação da estação, há 28 anos.
O fenômeno também já vinha influenciando as condições observadas no Estado durante o inverno. O Simepar relaciona a presença do El Niño a uma maior frequência de chuva e sistemas frontais, além de mudanças na amplitude térmica.
Setembro pode ter chuva acima da média no Paraná
A previsão para setembro reforça a tendência de um período mais úmido.
Segundo o Simepar, várias frentes frias devem atravessar o Paraná ao longo do mês, enquanto sistemas de baixa pressão também contribuirão para a instabilidade.
A previsão indica chuvas acima da média em todas as regiões do Estado, especialmente durante a primeira metade de setembro. O órgão também destaca a possibilidade de pancadas fortes e tempestades quando calor e umidade estiverem combinados.
Por isso, o comportamento do tempo nas próximas semanas pode apresentar alternância entre períodos de chuva, intervalos de estabilidade e episódios pontuais de maior intensidade.
Quais regiões do Paraná podem ter mais chuva?
Os efeitos não devem ocorrer com a mesma intensidade em todo o Estado.
O Simepar destaca principalmente as regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul como áreas com expectativa de volumes mais elevados durante a primavera e o verão.
Nessas regiões, o aumento da precipitação pode ser acompanhado por maior frequência de episódios de tempo severo.
Ainda assim, isso não significa que cada chuva será intensa ou que todas as cidades terão os mesmos acumulados. O El Niño modifica padrões atmosféricos de grande escala, mas a ocorrência de cada tempestade depende de sistemas meteorológicos específicos.
El Niño pode aumentar o risco de tempestades?
Pode.
A nota técnica do Simepar aponta que episódios de El Niño de intensidade forte a muito forte costumam favorecer condições atmosféricas capazes de produzir chuvas intensas em períodos curtos, muitas descargas elétricas, rajadas de vento e eventualmente granizo.
O órgão ressalta, entretanto, que o fenômeno não determina sozinho quando ou onde uma tempestade acontecerá.
Frentes frias, áreas de baixa pressão e outros sistemas atmosféricos continuam sendo fundamentais para transformar o padrão climático favorável em uma tempestade efetivamente registrada.
Isso significa que vai chover todos os dias?
Não.
Essa é uma das principais diferenças entre previsão climática e previsão meteorológica de curto prazo.
Um El Niño forte pode aumentar a probabilidade de determinadas condições atmosféricas durante uma estação, mas isso não significa chuva contínua durante todos os dias.
O próprio Simepar destaca que a evolução das condições do tempo depende da atuação de sistemas específicos. Dessa forma, períodos de chuva acima da média podem ser intercalados por dias mais secos.
Por isso, uma previsão feita para uma estação inteira não substitui o acompanhamento das previsões para os dias seguintes.
O excesso de chuva pode prejudicar a agricultura?
Pode trazer benefícios e problemas ao mesmo tempo.
Uma maior disponibilidade de água pode ajudar áreas que enfrentam déficit hídrico. Por outro lado, períodos prolongados de solo úmido podem atrapalhar operações agrícolas e aumentar a ocorrência de doenças nas lavouras.
Chuvas muito volumosas também podem favorecer processos de erosão do solo e prejudicar atividades como plantio e colheita.
A intensidade e o momento das precipitações são fundamentais para determinar se o resultado será favorável ou prejudicial para cada cultura.
El Niño vai continuar influenciando o Paraná em 2027?
A influência pode se estender para além do fim de 2026.
O Simepar aponta que os efeitos do fenômeno sobre as condições climáticas do Paraná devem persistir durante a primavera e o verão de 2026/2027, com possibilidade de continuidade até o primeiro trimestre de 2027.
Em uma nota técnica anterior, o órgão também indicou chances de influência do El Niño durante parte do primeiro semestre de 2027.
Isso não quer dizer que o fenômeno permanecerá necessariamente com sua intensidade máxima durante todo esse período. A tendência é que ele atinja um pico e posteriormente enfraqueça.
O que significa um El Niño muito forte?
O El Niño faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS) e envolve o aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, acompanhado por alterações na circulação atmosférica.
Quanto maior a anomalia da temperatura do oceano, maior pode ser a intensidade do evento.
Na atualização da NOAA de agosto, o índice Niño-3.4 havia registrado +1,4°C em julho, enquanto outras áreas monitoradas do Pacífico apresentavam anomalias ainda maiores. Na região Niño-1+2, por exemplo, o índice chegou a +2,9°C.
A NOAA classificou o cenário como um El Niño em fortalecimento e indicou probabilidade superior a 90% de um evento muito forte no período analisado.
O El Niño atual pode entrar para a história?
Existe essa possibilidade.
A previsão oficial da NOAA divulgada em agosto indicava 69% de probabilidade de que o trimestre outubro-dezembro de 2026 apresentasse um evento histórico, definido naquele boletim como uma anomalia RONI de pelo menos +2,5°C, acima dos eventos registrados desde 1950.
Já a projeção experimental de setembro do GFDL manteve a avaliação de que o fenômeno poderá competir com alguns dos eventos mais fortes registrados historicamente. Ao mesmo tempo, o órgão alertou que a incerteza aumenta conforme as previsões avançam para 2027.
Portanto, a possibilidade é real, mas a intensidade exata ainda depende da evolução das condições do Pacífico.
Como fica a primavera no Paraná?
A primavera de 2026 começa com um cenário de maior umidade e instabilidade.
O Simepar prevê que setembro seja marcado pela passagem de várias frentes frias e pela atuação de sistemas de baixa pressão. Com a combinação entre calor e umidade, aumentam as condições para pancadas de chuva e tempestades, especialmente durante as tardes.
As temperaturas, por sua vez, podem apresentar bastante variação. Períodos de calor podem ser interrompidos pela passagem de frentes frias, característica típica da transição entre inverno e primavera.
O que esperar dos próximos meses no Paraná?
O cenário aponta para uma primavera e um começo de verão com maior frequência de chuva no Estado.
As regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul aparecem entre aquelas com expectativa de maiores volumes, enquanto a possibilidade de episódios de chuva forte, tempestades, granizo, raios e ventos intensos merece acompanhamento.
A principal janela de atenção para o El Niño fica entre a primavera e o fim de 2026, quando as projeções apontam a maior intensidade do fenômeno.
Depois do pico, a tendência é de enfraquecimento gradual, mas os efeitos climáticos podem continuar sendo percebidos durante o início de 2027.
El Niño coloca o Paraná diante de meses de muita atenção
O cenário que se desenha para o Paraná é de um período marcado por maior instabilidade.
O El Niño está forte e as previsões indicam que a intensidade máxima deve ocorrer durante a primavera e o fim de 2026. Embora a projeção mais recente tenha reduzido ligeiramente o pico estimado, o fenômeno ainda aparece com potencial para figurar entre os eventos mais fortes do registro histórico.
Para o Paraná, o principal reflexo esperado é o aumento da frequência e dos volumes de chuva, especialmente durante a primavera e o início do verão. Em setembro, o Simepar já prevê precipitações acima da média em todas as regiões do Estado.
Isso não significa que todos os dias serão chuvosos nem que todo episódio produzirá tempestades. O que muda é o cenário de probabilidade, com condições mais favoráveis para períodos de chuva intensa e eventos de tempo severo.
Por isso, o acompanhamento das atualizações meteorológicas continuará sendo essencial nos próximos meses, principalmente à medida que o El Niño se aproxima de sua fase de maior intensidade.

