A primavera de 2026 começou com um cenário de atenção para o clima no Sul do Brasil. O fenômeno El Niño deve continuar ganhando força ao longo da estação, e as projeções indicam períodos de chuva acima da média, episódios de precipitação extrema, enchentes e uma frequência elevada de temporais.
A previsão é da meteorologista Estael Sias, da MetSul Meteorologia, que aponta a possibilidade de uma primavera marcada por eventos meteorológicos extremos, principalmente no Sul do país. O cenário também ocorre em meio às projeções oficiais que apontam alta probabilidade de um El Niño muito forte entre a primavera e o início do verão.
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Chuva será uma das principais preocupações
De acordo com a análise meteorológica, a chuva aparece como uma das principais ameaças para os moradores da Região Sul durante a primavera.
A expectativa é de vários episódios de precipitação excessiva, com possibilidade de volumes extremos em diferentes períodos. Entre os impactos associados ao excesso de chuva estão enchentes, cheias de rios e deslizamentos de terra.
O cenário tende a ser especialmente preocupante em partes do Paraná, Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul.
A previsão oficial também aponta para a influência do El Niño sobre o regime de chuvas. Segundo o INMET, a primavera de 2026 começa com expectativa de chuvas acima da média em áreas do Centro-Sul do país.
Rio Grande do Sul pode ter período mais crítico no fim da primavera
Uma das diferenças apontadas na análise em relação ao El Niño de 2023 está no momento em que os impactos mais fortes podem ocorrer no Rio Grande do Sul.
Segundo Estael Sias, os efeitos mais expressivos sobre a chuva no estado podem aparecer mais tarde em 2026, principalmente entre novembro e dezembro.
A MetSul trabalha com a possibilidade de períodos de chuva muito intensa no estado durante esses meses, incluindo episódios de precipitação excessiva a extrema. Em alguns municípios, os acumulados mensais projetados podem chegar a 500 mm a 700 mm, segundo a análise meteorológica.
Isso poderia provocar novos episódios de elevação dos níveis dos rios e enchentes.
O cenário, porém, não significa que todos os eventos necessariamente terão a mesma dimensão. A própria análise destaca que cada El Niño possui características próprias e que a intensidade do fenômeno não determina, sozinha, a gravidade dos impactos.
Primavera também terá mais temporais
Além da chuva volumosa, outro ponto de atenção será a ocorrência de tempo severo.
Com o aumento gradual das temperaturas e a presença de maior umidade, a atmosfera pode reunir condições favoráveis para a formação de tempestades mais frequentes.
A previsão aponta para episódios de:
- granizo;
- vendavais;
- tempestades intensas;
- chuva extrema;
- e, em alguns casos, tornados.
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná aparecem entre as áreas que podem registrar maior recorrência desses fenômenos. São Paulo também pode ter uma frequência de tempo severo acima do habitual.
Novembro e dezembro podem concentrar os maiores riscos
Outubro tradicionalmente já apresenta uma frequência maior de temporais. Neste ano, porém, a expectativa é de que os impactos mais significativos do El Niño no Sul ocorram mais tarde.
Por isso, novembro e dezembro aparecem como meses de maior atenção, especialmente pela combinação entre temperaturas mais elevadas, umidade e possibilidade de chuva intensa.
O INMET também aponta que as projeções climáticas para 2026 indicam elevada probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027, com possibilidade de intensidade muito forte durante a primavera e o verão.
A primavera de 2026, portanto, começa sob um cenário que exige acompanhamento constante das previsões meteorológicas, principalmente em regiões sujeitas a enchentes, deslizamentos e tempestades.

