Supermercados com forte presença no Norte e Nordeste podem vender mais após o aumento do Bolsa Família. Uma análise do J.P. Morgan aponta que o reajuste do benefício pode dar um impulso ao consumo no curto prazo e coloca uma conhecida empresa brasileira entre as que podem sentir mais esse efeito: o Grupo Mateus.
O motivo está principalmente onde estão as lojas da companhia. O Grupo Mateus possui forte atuação justamente em regiões com grande concentração de famílias atendidas pelo programa.
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Com mais dinheiro chegando aos beneficiários, a expectativa dos analistas é de uma possível melhora no consumo. Para empresas que vivem diretamente das compras das famílias, esse movimento pode aparecer também no caixa.
Supermercados podem vender mais após aumento do Bolsa Família
O J.P. Morgan avalia que o reajuste pode ser positivo para as vendas do varejo alimentar como um todo. O possível efeito, porém, ganha mais importância no Norte e Nordeste, onde o consumo vinha apresentando maior fraqueza.
É justamente nesse cenário que o Grupo Mateus ganha destaque.
A companhia está entre as empresas apontadas pelo banco como potencialmente beneficiadas pelo aumento das transferências. Além dela, Assaí e Pague Menos também aparecem na análise.
A projeção não significa que o faturamento dessas empresas necessariamente aumentará. Trata-se de uma expectativa do J.P. Morgan sobre os possíveis efeitos do dinheiro adicional circulando na economia.
Grupo Mateus aparece entre os destaques
A exposição regional é um dos principais motivos para o Grupo Mateus chamar atenção.
A rede possui operações de supermercados e atacarejos e uma presença relevante no Norte e Nordeste. Dessa forma, uma melhora no poder de compra das famílias dessas regiões pode ter reflexos no movimento das lojas.
O momento também chama atenção porque o varejo dessas regiões vinha enfrentando desempenho mais fraco. Segundo a análise do J.P. Morgan, a redução real das transferências de renda na comparação anual vinha contribuindo para a fraqueza das vendas, cenário que agora pode começar a mudar.
Bolsa Família terá aumento de 15,04%
O reajuste do Bolsa Família será de 15,04% e começa a produzir efeitos nos pagamentos de outubro.
Com a mudança, o valor mínimo garantido por família sobe de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio estimado passa de R$ 675 para R$ 777.
Segundo o governo federal, a atualização corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 e tem como objetivo preservar o poder de compra das famílias. É a primeira atualização pela inflação desde a retomada do atual modelo do programa, em 2023.
Os novos valores serão considerados na folha de outubro e estarão disponíveis aos beneficiários a partir de 19 de outubro.
Dinheiro a mais pode chegar ao caixa dos supermercados
É justamente o aumento do poder de compra que explica o interesse do mercado sobre os supermercados.
O Bolsa Família atende cerca de 19,3 milhões de famílias. Como alimentação e outros itens essenciais fazem parte das despesas recorrentes dessas pessoas, o varejo alimentar está entre os segmentos que podem sentir mais rapidamente uma mudança no consumo.
O efeito adicional estimado para o programa é de aproximadamente R$ 5,8 bilhões ainda em 2026. Para 2027, a previsão é de cerca de R$ 22 bilhões adicionais.
Isso não significa que todo esse dinheiro será gasto nos supermercados ou que o Grupo Mateus terá automaticamente aumento nas vendas. O que o J.P. Morgan identifica é uma combinação favorável: mais recursos disponíveis para milhões de famílias e empresas fortemente presentes nas regiões onde o benefício tem maior importância para o consumo.
Para o Grupo Mateus, essa combinação pode representar um impulso justamente em mercados considerados estratégicos para seus negócios.

