Empresa demite quase 10 mil funcionários e fecha fábrica após 80 anos

Fábrica de carros da Audi em Bruxelas encerrou produção após décadas de atividade enquanto a empresa colocou em prática uma ampla redução de empregos na Europa.

Uma fábrica de carros que atravessou gerações, produziu veículos por décadas e chegou a empregar milhares de trabalhadores fechou definitivamente as portas em meio a uma ampla reestruturação da Audi. O encerramento da unidade de Bruxelas, na Bélgica, afetou cerca de 3 mil funcionários, enquanto a fabricante também colocou em andamento um plano separado para eliminar até 7.500 empregos na Alemanha até 2029.

Somados, os movimentos envolvem potencialmente mais de 10 mil postos de trabalho. Mas há uma diferença importante: não foram quase 10 mil trabalhadores demitidos de uma só vez por causa do fechamento da mesma fábrica.

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A unidade belga encerrou a produção em 28 de fevereiro de 2025. Já os cortes na Alemanha fazem parte de um acordo de reestruturação que se estende por vários anos.

Fábrica fecha as portas após décadas produzindo carros

A história da unidade de Bruxelas começou no fim da década de 1940. Por isso, o fechamento ocorreu depois de quase oito décadas de produção automotiva no local.

Nos últimos anos, a fábrica estava dedicada principalmente ao Audi Q8 e-tron, SUV elétrico de luxo.

O problema é que a procura pelo modelo caiu. Em 2024, a própria Audi já havia reduzido fortemente a produção na unidade: foram fabricados 15.212 veículos, ante 53.555 no ano anterior. A empresa atribuiu a redução à queda nos pedidos pelo Q8 e-tron.

A localização da fábrica também pesava contra ela. A unidade ficava em uma área urbana, o que aumentava dificuldades logísticas e custos de produção.

Sem uma alternativa considerada economicamente viável para manter a produção, a Audi decidiu encerrar as atividades.

Cerca de 3 mil funcionários foram afetados pelo fechamento

O impacto sobre os trabalhadores foi imediato.

Quando confirmou o encerramento, a Audi informou que a fábrica possuía aproximadamente 3 mil funcionários. Empresa e representantes dos trabalhadores chegaram a um plano social para quem seria afetado.

O acordo estabeleceu indenizações e medidas adicionais de apoio.

Segundo a Audi, além das indenizações exigidas legalmente, os funcionários poderiam receber um bônus voluntário cujo valor variava conforme o tempo de trabalho na empresa.

Também foram previstas medidas específicas para trabalhadores com mais de 60 anos, acompanhamento profissional e programas para auxiliar na procura de um novo emprego.

Audi também decidiu cortar milhares de empregos na Alemanha

Enquanto uma fábrica fechava definitivamente na Bélgica, outra parte da reestruturação avançava na Alemanha.

Em março de 2025, Audi e representantes dos trabalhadores chegaram a um acordo para eliminar até 7.500 postos de trabalho até 2029.

Os cortes se concentram principalmente nas áreas administrativas e de desenvolvimento e fazem parte de um programa destinado a reduzir custos da empresa.

A expectativa anunciada na época era economizar aproximadamente € 1 bilhão por ano no médio prazo.

Os cortes, porém, não significam necessariamente 7.500 demissões diretas. A estratégia prevê mecanismos como aposentadorias e redução gradual do quadro de funcionários. Em março de 2026, a Audi informou que 65% da redução de até 6 mil postos prevista até 2027 já havia sido executada ou estava formalmente acertada, com outras até 1.500 posições previstas para desaparecer até 2029.

Por que a Audi está reduzindo tantos empregos?

A indústria automobilística europeia atravessa uma transformação profunda.

Fabricantes tradicionais enfrentam uma combinação de custos elevados, demanda mais fraca em determinados segmentos, concorrência crescente das fabricantes chinesas e dificuldades na transição para os veículos elétricos.

A própria Audi produziu menos carros em 2024.

A produção global das marcas do grupo caiu 13,7%, passando de 1,96 milhão para 1,69 milhão de veículos. Considerando apenas automóveis da marca Audi, a redução foi de 13,9%.

Os elétricos tiveram uma queda ainda mais acentuada: a produção recuou 19,5%, para 158.343 unidades.

Foi justamente a demanda abaixo do esperado pelo elétrico Q8 e-tron que atingiu diretamente a unidade de Bruxelas.

Fechamento não significa que Audi esteja abandonando suas outras fábricas

Apesar dos cortes, a empresa continua investindo em outras unidades.

No acordo firmado na Alemanha, a Audi anunciou € 8 bilhões em investimentos nas fábricas alemãs ao longo de quatro anos. A proteção de empregos nesses locais também foi estendida até o fim de 2033.

Em 2026, a fabricante confirmou novos projetos de produção em Ingolstadt, incluindo a fabricação do Q3 e a preparação para produzir um novo modelo totalmente elétrico.

Ou seja, o cenário não representa o fim da Audi.

É uma reorganização profunda: uma fábrica histórica fechou, milhares de empregos estão desaparecendo e a fabricante tenta concentrar investimentos nas unidades e modelos considerados mais competitivos para os próximos anos.

A antiga fábrica de Bruxelas, inclusive, já ganhou um novo capítulo. Em setembro de 2026, foi anunciado que a empresa belga Heylen Warehouses assumirá o local, com um projeto que pretende gerar cerca de 3 mil novos empregos nos próximos três a cinco anos.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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