Dona do Habib’s entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões; restaurantes vão fechar?

O grupo dono do Habib’s entrou em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões. Veja os motivos da crise e se as lojas vão fechar.

O grupo responsável pelo Habib’s, Ragazzo e Tendall entrou em recuperação judicial após acumular uma dívida de R$ 265,2 milhões. O pedido foi aceito pela Justiça de São Paulo e reúne 178 empresas e dois produtores rurais ligados ao conglomerado.

A situação, porém, não significa que as tradicionais lojas de esfihas vão fechar as portas imediatamente.

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O próprio processo de recuperação judicial tem justamente o objetivo de permitir que as empresas continuem funcionando enquanto reorganizam suas dívidas e tentam recuperar a capacidade financeira.

Mas, afinal, o que levou o grupo à crise? As lojas podem fechar no futuro? E o que acontece agora com funcionários, clientes e franqueados?

O que levou o dono do Habib’s à crise?

Segundo o pedido apresentado à Justiça, a dificuldade financeira do grupo foi provocada principalmente por três fatores: a pandemia, as mudanças no comportamento dos consumidores e a alta dos juros.

Durante a pandemia, as restrições de circulação reduziram o movimento dos restaurantes, especialmente aqueles localizados em grandes centros urbanos e regiões comerciais.

Mesmo após a reabertura da economia, o cenário mudou. O crescimento do trabalho remoto e híbrido alterou a rotina de muitas pessoas que antes frequentavam shoppings e áreas comerciais.

Ao mesmo tempo, o avanço dos aplicativos de entrega modificou os hábitos de consumo. Mais clientes passaram a pedir comida em casa, reduzindo o fluxo em restaurantes físicos.

O delivery ajudou a manter as vendas, mas, segundo o grupo, também pressionou os resultados das lojas.

Outro problema apontado foi a alta dos juros. Com o aumento da Selic, as dívidas contraídas para sustentar as operações ficaram mais caras, fazendo com que uma parcela maior dos recursos gerados pela empresa fosse destinada ao pagamento de juros e obrigações financeiras.

Habib’s vai fechar as lojas?

Não há determinação de fechamento das lojas neste momento.

A recuperação judicial não significa que uma empresa deixou de funcionar. Pelo contrário: o mecanismo existe para tentar preservar a atividade empresarial enquanto as dívidas são reorganizadas.

O grupo informou que as operações seguem normalmente e que as empresas franqueadas não fazem parte do processo.

Isso, porém, não significa que nenhuma unidade possa ser fechada no futuro.

Durante uma reestruturação, a empresa pode eventualmente decidir pelo encerramento de unidades que dão prejuízo, pela venda de ativos ou por outras medidas para reduzir custos. Essas decisões dependerão do plano de recuperação e da evolução financeira do grupo.

Por enquanto, portanto, não existe uma ordem geral para fechar os restaurantes.

E os funcionários do Habib’s?

A recuperação judicial também não significa demissão automática.

Os contratos de trabalho continuam existindo e os salários correntes devem seguir sendo pagos normalmente.

As dívidas trabalhistas que existiam antes do pedido de recuperação entram no processo e passam a seguir as regras específicas da recuperação judicial.

Na prática, uma eventual demissão depois do pedido não significa automaticamente que o trabalhador ficará sem receber. As obrigações geradas durante o funcionamento da empresa continuam sendo tratadas conforme a legislação trabalhista e as regras do processo.

O objetivo da recuperação, inclusive, é preservar a atividade econômica e, consequentemente, os empregos que dependem dela.

Quanto o grupo dono do Habib’s deve?

O Grupo Gennius declarou uma dívida total de R$ 265.207.959,83 no pedido de recuperação judicial.

Desse valor:

  • R$ 22,3 milhões correspondem a dívidas trabalhistas;
  • R$ 241,7 milhões são dívidas com credores sem garantia específica, incluindo bancos, fornecedores e outros parceiros;
  • R$ 1,15 milhão corresponde a dívidas com micro e pequenas empresas.

A dimensão do passivo ajuda a explicar por que a empresa decidiu recorrer à recuperação judicial depois de tentar negociar diretamente com os credores.

Grupo tentou negociar antes da recuperação judicial

Antes de recorrer à Justiça, o Grupo Gennius tentou encontrar uma solução diretamente com os credores.

Em junho, a empresa buscou proteção temporária enquanto negociava suas dívidas por meio de uma mediação. O objetivo era ganhar tempo para chegar a um acordo sem precisar entrar imediatamente em recuperação judicial.

A tentativa, porém, não resolveu a situação.

Segundo o grupo, instituições financeiras estavam retendo recursos e havia risco de interrupção de serviços essenciais para o funcionamento das lojas.

Entre os problemas citados estava até mesmo a possibilidade de interrupção de sistemas de tecnologia utilizados nas operações, o que poderia prejudicar vendas, gestão e outras atividades.

Sem conseguir chegar a um acordo, o grupo apresentou o pedido de recuperação judicial em agosto.

E os franqueados do Habib’s?

A recuperação judicial da franqueadora também não encerra automaticamente os contratos de franquia.

Os franqueados, porém, precisam acompanhar de perto o processo e verificar as condições específicas de seus contratos.

Isso porque problemas concretos na operação, como falta de produtos, dificuldades de abastecimento, interrupção de sistemas, publicidade, treinamento ou suporte, podem gerar discussões específicas entre as partes.

Por isso, a recomendação para os franqueados é acompanhar o processo e manter documentados eventuais problemas que afetem diretamente suas unidades.

O que acontece agora?

Com a aceitação do pedido, começa oficialmente o processo de recuperação judicial.

A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial e terá a função de acompanhar a situação financeira das empresas, fiscalizar informações e auxiliar a Justiça durante o processo.

O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação aos credores.

Nesse documento, deverá explicar como pretende reorganizar as dívidas e manter as empresas funcionando.

Depois, os credores deverão analisar as propostas apresentadas e participar das etapas previstas no processo.

Caso o grupo não apresente o plano dentro do prazo, a recuperação poderá ser convertida em falência.

Habib’s pode sobreviver à crise?

Por enquanto, a recuperação judicial representa uma tentativa de evitar justamente esse cenário.

O Habib’s continua operando, e o grupo afirma que suas atividades seguem normalmente. O principal desafio agora será conseguir reorganizar uma dívida de R$ 265,2 milhões sem comprometer o funcionamento das redes.

O futuro do grupo dependerá principalmente do plano que será apresentado aos credores e da capacidade das empresas de gerar caixa suficiente para manter as operações e cumprir os compromissos renegociados.

Ou seja: a recuperação judicial não significa que o Habib’s acabou. Mas abre uma nova etapa na história da empresa, que agora precisa encontrar uma saída para uma dívida de centenas de milhões de reais.

Além disso, a reportagem tenta contato com o Grupo Gennius, responsável pela rede, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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