Famosa rede atacadista é condenada pela Justiça a pagar R$ 1 milhão por violações em direitos trabalhistas

A Sendas Distribuidora S.A., responsável pela rede Assaí Atacadista, foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 1 milhão por danos morais coletivos após serem identificadas irregularidades relacionadas às condições de trabalho em unidades da empresa na Bahia.

A decisão foi tomada pela 39ª Vara do Trabalho de Salvador e também determinou que a companhia cumpra 28 obrigações relacionadas às normas trabalhistas e de saúde e segurança.

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Caso alguma das determinações seja descumprida, a empresa poderá ser obrigada a pagar R$ 30 mil por infração.

A ação civil pública foi apresentada pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT/BA), após uma investigação que começou em 2022 e reuniu novos elementos até 2025.

O que foi encontrado nas unidades do Assaí?

Segundo as informações apresentadas pelo MPT/BA no processo, foram identificados problemas relacionados à jornada de trabalho, intervalos, pagamento de salários, equipamentos de proteção e segurança dos ambientes.

Entre as situações apontadas estavam:

  • calçados de proteção danificados;
  • luvas rasgadas;
  • japonas utilizadas em câmaras frias com fechos quebrados;
  • prateleiras e paletes tombados;
  • mercadorias armazenadas diretamente no chão;
  • ambientes com iluminação insuficiente;
  • pisos molhados;
  • problemas nos dispositivos de segurança das câmaras frias;
  • riscos de quedas e choques elétricos;
  • possibilidade de desabamento de materiais.

Também foram registrados problemas relacionados às condições de armazenamento de mercadorias e à conservação dos equipamentos utilizados pelos funcionários.

Funcionários também relataram problemas na jornada

A decisão analisou ainda informações relacionadas à jornada de trabalho.

Segundo a sentença, testemunhas indicadas pela própria empresa relataram situações envolvendo mais de duas horas extras e intervalos inferiores a uma hora.

A fiscalização também resultou em diversos autos de infração lavrados pelo Ministério do Trabalho e Previdência entre 2022 e 2024.

Ao analisar os documentos, a magistrada considerou que os autos de infração possuem presunção de legitimidade e veracidade.

Assaí terá que cumprir 28 obrigações

Além da indenização de R$ 1 milhão, a Justiça determinou que a empresa cumpra 28 obrigações de fazer e não fazer.

As medidas envolvem diferentes aspectos da rotina dos trabalhadores.

Entre elas estão o cumprimento dos limites legais de jornada, dos períodos de descanso entre jornadas, do descanso semanal e dos intervalos para repouso e alimentação.

A empresa também deverá observar as regras relacionadas ao pagamento dos salários.

Na área de saúde e segurança, as determinações incluem medidas sobre armazenamento de materiais, iluminação, fornecimento e substituição de equipamentos de proteção individual (EPIs) e segurança das câmaras frias.

As obrigações valem para todas as unidades da empresa em Salvador e Lauro de Freitas abrangidas pela decisão, e não apenas para os estabelecimentos citados inicialmente na ação.

Assaí disse que parte dos problemas já havia sido corrigida

Durante o processo, a empresa alegou que parte das irregularidades apontadas já havia sido corrigida.

A Justiça, entretanto, entendeu que isso não impede a adoção de medidas para evitar que os problemas voltem a acontecer.

Por isso, as obrigações determinadas têm também caráter preventivo.

Na prática, a decisão não trata apenas de corrigir situações que já foram identificadas, mas de impedir que as mesmas condutas sejam repetidas nas unidades abrangidas pela sentença.

Por que o Assaí terá que pagar R$ 1 milhão?

A Justiça reconheceu a existência de dano moral coletivo diante do conjunto de irregularidades relacionadas aos direitos dos trabalhadores.

Para definir o valor da indenização, a magistrada considerou fatores como o porte econômico da empresa, que possui capital superior a R$ 1 bilhão, além da quantidade de estabelecimentos e trabalhadores envolvidos.

Também foi considerada a finalidade pedagógica da condenação.

O valor de R$ 1 milhão não será pago diretamente aos trabalhadores mencionados no processo. Segundo a decisão, a quantia deverá ser destinada a uma entidade ou órgão indicado pelo MPT, ao Funtrad (Fundo de Promoção do Trabalho Decente), a outro fundo previsto em lei ou a projetos sociais cadastrados conforme as regras aplicáveis.

Além disso, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 20 mil em custas processuais.

E se o Assaí descumprir as novas regras?

A decisão estabeleceu uma multa de R$ 30 mil por infração caso as obrigações determinadas pela Justiça sejam descumpridas.

Isso significa que a condenação não se limita ao pagamento da indenização de R$ 1 milhão.

A empresa também terá que adequar os procedimentos relacionados à jornada, descanso, salários, equipamentos de proteção e segurança dos ambientes, entre outras medidas estabelecidas na sentença.

A decisão ainda está relacionada às unidades abrangidas pelo processo na Bahia e não significa que todas as lojas do Assaí no Brasil tenham sido condenadas por essas mesmas irregularidades.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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