Mercado Livre começa a vender remédios com receita e muda disputa com farmácias

O Mercado Livre começou a vender medicamentos com prescrição médica nesta sexta-feira (25), inicialmente em São Paulo e na região metropolitana.

A mudança amplia a presença da plataforma no setor farmacêutico cerca de um ano depois de a empresa começar a atuar com medicamentos sem receita.

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Agora, a operação passa a incluir produtos que exigem prescrição, como antibióticos e medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui tratamentos para diabetes e obesidade.

A empresa também anunciou a entrada de farmácias no próprio marketplace, permitindo que redes do setor tenham lojas dentro da plataforma.

Como funciona a compra de remédios com receita

O consumidor que comprar um medicamento sujeito à prescrição deverá enviar o documento para análise.

Segundo o modelo anunciado pela empresa, a receita será conferida por farmacêuticos antes da liberação do pedido.

O Mercado Livre funciona como marketplace, enquanto as farmácias participantes ficam responsáveis pela comercialização dos medicamentos.

A plataforma pretende começar com três redes parceiras em outubro e chegar a pelo menos 20 redes de farmácias até o fim do ano. Os nomes das primeiras empresas não foram divulgados.

Entrega rápida também faz parte da estratégia

A expansão para medicamentos vem acompanhada de uma aposta em entregas mais rápidas.

O Mercado Livre anunciou um serviço com entregas em até 60 minutos em áreas selecionadas de São Paulo.

A modalidade não será exclusiva para medicamentos. Outros produtos de até 15 quilos também poderão ser incluídos na operação.

A estratégia combina a presença do marketplace com a estrutura logística que a empresa vem ampliando no país. A companhia informou que pretende terminar 2026 com 72 estruturas logísticas de grande porte.

Redes de farmácias sentiram o impacto na Bolsa

O anúncio teve reação imediata no mercado financeiro.

Na quinta-feira (24), após a divulgação da nova estratégia, as ações da Pague Menos recuaram 8%, enquanto os papéis da RD Saúde caíram 5,38% e os da Panvel tiveram baixa de 4,90%.

O próprio Mercado Livre também encerrou o pregão em queda de 2,51%.

As oscilações refletem a reação dos investidores à entrada de uma grande plataforma de comércio eletrônico em uma categoria tradicionalmente dominada por redes especializadas.

Mercado Livre diz que quer as farmácias dentro da plataforma

Apesar da concorrência potencial, a estratégia anunciada pela empresa não se limita a vender medicamentos diretamente.

A proposta também é colocar as próprias farmácias dentro do marketplace.

A companhia afirma que pretende repetir com o setor farmacêutico uma estratégia já utilizada com outros grandes varejistas: oferecer tráfego e estrutura tecnológica enquanto os parceiros comercializam seus próprios produtos.

O objetivo declarado é ampliar o número de estabelecimentos farmacêuticos presentes na plataforma ao longo dos próximos meses.

Anvisa ainda discute as regras para plataformas digitais

A expansão acontece em meio a uma mudança regulatória no setor.

Em agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em algumas plataformas digitais. A agência, porém, deixou claro que a revogação não representa uma autorização automática e que as empresas continuam obrigadas a cumprir as normas sanitárias aplicáveis.

Dias depois, a agência abriu um processo específico para regulamentar a contratação de plataformas de comércio eletrônico por farmácias para logística e entrega de medicamentos.

A discussão envolve justamente a definição das responsabilidades das farmácias e das plataformas digitais, além das condições sanitárias para esse tipo de operação.

Farmácias questionam modelo anunciado

A entrada do Mercado Livre também provocou reação no setor farmacêutico.

A Associação Brasileira de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) informou que pretende questionar a Anvisa sobre a legalidade da operação e afirma que a comercialização de medicamentos por marketplaces depende da regulamentação específica da agência.

O ponto central da discussão é como a nova legislação deve ser aplicada às plataformas digitais e quais responsabilidades cabem a cada participante da operação.

Mercado Livre vê demanda pelos medicamentos

A empresa afirma que os testes realizados anteriormente indicaram uma procura relevante por medicamentos dentro da plataforma.

Segundo Fernando Yunes, vice-presidente executivo de comércio para a América Latina e responsável pela operação brasileira, a conversão de buscas em compras nessa categoria foi superior à observada em outros produtos.

A companhia decidiu, por isso, ampliar a operação e incorporar medicamentos com prescrição ao marketplace.

O que muda para quem compra medicamentos pela internet

Para o consumidor de São Paulo, a principal mudança é a possibilidade de encontrar medicamentos com prescrição dentro de uma plataforma de comércio eletrônico já utilizada para outras categorias.

A receita continuará sendo necessária nos produtos que exigem prescrição, e a compra passa por análise antes da liberação.

A disponibilidade, os locais de entrega e os medicamentos oferecidos dependem da operação das farmácias participantes e das regras sanitárias aplicáveis.

A expansão para outras regiões também deverá ocorrer de forma gradual.

Uma nova fase para a venda de medicamentos online

A entrada do Mercado Livre amplia a disputa pelo consumidor que compra medicamentos pela internet e aproxima o varejo farmacêutico do modelo de marketplace.

Ao mesmo tempo, a operação acontece enquanto a regulamentação específica para plataformas digitais ainda está sendo estruturada pela Anvisa.

Com a entrada de redes de farmácias no marketplace, a expansão das entregas rápidas e a inclusão de medicamentos sob prescrição, o setor passa a acompanhar uma mudança importante na forma de comercialização desses produtos no Brasil.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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