A NASA levou cerca de 500 sementes ao redor da Lua durante a missão Apollo 14, em 1971, em uma experiência que teria consequências curiosas anos depois. Enquanto dois astronautas desciam à superfície lunar, Stuart Roosa permaneceu no módulo de comando com as sementes, que completaram dezenas de órbitas antes de retornarem à Terra.
A pergunta que surgiu depois parecia simples: o que aconteceria se aquelas sementes fossem plantadas após uma viagem pelo espaço?
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A ideia de colocá-las na missão estava diretamente relacionada à história de Roosa. Antes de se tornar astronauta, ele havia trabalhado como smokejumper, profissional que salta de paraquedas em áreas remotas para ajudar no combate a incêndios florestais.
Por causa dessa ligação, o Serviço Florestal dos Estados Unidos sugeriu que sementes de árvores fossem levadas na missão.
Foram escolhidas cerca de 500 sementes de cinco espécies: pinheiro-loblolly, sicômoro, liquidâmbar, sequoia e abeto-de-Douglas.
E nenhuma delas precisou ser plantada na Lua para entrar para a história.
NASA levou sementes para dar 34 voltas ao redor da Lua
A Apollo 14 decolou em 31 de janeiro de 1971 com os astronautas Alan Shepard, Edgar Mitchell e Stuart Roosa.
Shepard e Mitchell seguiram para a superfície lunar. Roosa permaneceu no módulo de comando Kitty Hawk, orbitando a Lua.
As centenas de sementes ficaram com ele.
Durante esse período, elas completaram 34 órbitas ao redor da Lua antes de iniciar a viagem de volta à Terra.
Isso significa que as chamadas “sementes da Lua” nunca tocaram o solo lunar. A experiência consistia justamente em fazê-las viajar pelo espaço e, posteriormente, observar seu desenvolvimento na Terra.
Mas um acidente ocorrido depois do retorno quase colocou tudo a perder.
Recipiente se rompeu após o retorno à Terra
Depois que a Apollo 14 voltou, as sementes passaram pelos procedimentos aplicados aos materiais que retornavam das missões lunares.
Durante o processo, o recipiente que as armazenava acabou se rompendo.
As sementes se misturaram e houve receio de que elas tivessem sido danificadas e não fossem mais capazes de germinar.
Mesmo assim, o material foi encaminhado para instalações do Serviço Florestal dos Estados Unidos.
Os pesquisadores decidiram tentar.
E as sementes começaram a germinar.
O experimento que parecia correr o risco de terminar logo após a viagem ganhava uma segunda etapa.
Cientistas plantaram as sementes e esperaram pelo resultado
Depois da germinação, os pesquisadores passaram a observar o desenvolvimento das mudas.
A intenção era verificar se a exposição às condições de uma viagem espacial poderia provocar alguma diferença perceptível nas plantas.
Para isso, exemplares originados das sementes que viajaram com a Apollo 14 foram comparados a árvores cultivadas a partir de sementes que haviam permanecido na Terra.
E foi aí que apareceu a resposta para o experimento.
As árvores que viajaram ao redor da Lua cresceram normalmente.
Não foram identificadas diferenças significativas em relação às árvores utilizadas como comparação.
A viagem espacial não havia criado árvores gigantes, deformadas ou com alguma característica extraordinária.
Mas o destino delas ainda seria especial.
Cinco anos depois, árvores começaram a aparecer em vários lugares
Principalmente a partir de 1975 e 1976, as mudas passaram a ser distribuídas para diferentes locais.
O período coincidiu com as comemorações do bicentenário da independência dos Estados Unidos.
As árvores acabaram plantadas em escolas, universidades, parques, prédios públicos e instalações ligadas à NASA.
Foi assim que ficaram conhecidas como Moon Trees, ou “árvores da Lua”.
Alguns exemplares chegaram a locais simbólicos dos Estados Unidos. Houve árvores plantadas na Casa Branca e na Independence Square, na Filadélfia, além de instituições e espaços públicos espalhados pelo país.
Uma experiência que havia começado com centenas de pequenas sementes guardadas dentro de uma nave agora estava literalmente crescendo diante do público.
NASA chegou a perder o paradeiro das árvores
Com o passar das décadas, surgiu outro problema curioso.
Não havia um registro central completo indicando onde todas as Moon Trees haviam sido plantadas.
A localização de muitos exemplares acabou esquecida.
Décadas depois, o cientista da NASA Dave Williams começou a reunir informações sobre as árvores e montar um levantamento para descobrir quais ainda existiam e onde estavam.
Algumas morreram ao longo dos anos. Outras continuaram crescendo por décadas.
E a história não terminou na primeira geração.
Árvores da Lua tiveram “filhos”
As Moon Trees produziram suas próprias sementes.
Quando essas sementes foram plantadas, deram origem a uma nova geração de árvores, que passaram a ser chamadas de Half-Moon Trees.
São descendentes das plantas originadas diretamente das sementes que viajaram com a Apollo 14.
Assim, mais de meio século depois da missão de 1971, a experiência continua deixando um legado vivo.
As cerca de 500 sementes não trouxeram uma mutação extraordinária nem cresceram de maneira diferente por terem viajado ao redor da Lua.
O que nasceu delas acabou sendo outra coisa: árvores espalhadas pela Terra que carregam uma ligação direta com uma das missões históricas da exploração lunar.

