Flávio x Lula: mercado reage ao resultado das urnas e dólar cai abaixo dos R$ 5

Flávio x Lula chegam ao segundo turno e o mercado reage ao resultado das eleições. Veja o que aconteceu com o IBOV, dólar e fundos brasileiros.

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais provocou uma forte movimentação nos mercados financeiros antes mesmo da abertura da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5).

Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os dois agora vão disputar o segundo turno em 25 de outubro. A reação dos investidores apareceu primeiro em fundos ligados ao mercado brasileiro negociados no exterior.

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Nos Estados Unidos, o EWZ, fundo que acompanha ações de empresas brasileiras, chegou a subir 9,98% no after-hours no domingo (4). No Japão, um fundo que acompanha o Ibovespa abriu o dia em alta de 9,40%, aos 322 ienes.

O movimento aumentou a expectativa sobre como o mercado brasileiro reagiria ao resultado das urnas e colocou o IBOV, o dólar e os juros entre os principais indicadores acompanhados pelos investidores nesta segunda.

IBOV reage ao resultado das eleições

A reação começou antes da abertura da B3.

Em Tóquio, o ETF Nomura NF Ibovespa Link, que acompanha o desempenho do principal índice da Bolsa brasileira, abriu o pregão com alta de 9,40%. A cotação de 322 ienes foi registrada às 9h45 no horário local, equivalente às 21h45 de domingo em Brasília.

O fundo funciona como uma forma de acompanhar, no mercado japonês, o comportamento das ações que fazem parte do Ibovespa.

A alta ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno na liderança da disputa presidencial. Para analistas citados na repercussão do mercado, o resultado aumentou a expectativa de uma possível mudança na condução da política econômica e de maior foco no ajuste fiscal.

Antes da votação, o próprio Ibovespa já havia encerrado a sexta-feira (2) em alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos, no último pregão antes do primeiro turno.

Fundo brasileiro dispara nos Estados Unidos

Outra reação importante apareceu em Nova York.

O EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos e ligado a ações de empresas brasileiras, chegou a US$ 42 por volta das 23h50 de domingo, com alta de 9,98% nas negociações realizadas após o fechamento regular da Bolsa de Nova York.

Antes disso, o fundo havia encerrado o pregão regular aos US$ 38,19, com valorização de 2,83%.

O movimento foi acompanhado de perto porque os negócios realizados no exterior anteciparam parte das expectativas para a abertura dos mercados brasileiros nesta segunda-feira.

Assim, investidores passaram a observar esses fundos como um dos primeiros sinais da reação ao resultado eleitoral.

Dólar cai abaixo de R$ 5

A reação não ficou restrita à Bolsa.

Na abertura dos negócios no Brasil, o dólar à vista chegou a cair 4,65%, sendo negociado a R$ 4,9746 às 9h19 desta segunda-feira (5). A moeda havia encerrado a sexta-feira em R$ 5,2173.

Com isso, o dólar voltou a ser negociado abaixo dos R$ 5, em um movimento de forte reação ao resultado do primeiro turno.

A moeda americana, porém, pode oscilar ao longo do pregão conforme os investidores acompanham as novas movimentações das campanhas e as primeiras sinalizações para o segundo turno.

Por que o mercado reagiu dessa forma?

A explicação está principalmente nas expectativas dos investidores para a economia brasileira a partir do resultado eleitoral.

Segundo avaliações de analistas repercutidas pelo mercado, a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno aumentou a percepção de força da oposição e elevou as expectativas de uma eventual mudança na política econômica.

Entre os fatores observados estão a possibilidade de maior atenção ao ajuste fiscal, além dos possíveis efeitos sobre juros, câmbio e ações brasileiras.

Nesse cenário, investidores passaram a projetar valorização de ações, queda do dólar e redução dos juros futuros caso as expectativas para a política econômica se confirmem. Essas projeções, porém, dependem da evolução da disputa até o segundo turno e não representam uma garantia sobre o comportamento dos mercados.

Quais empresas aparecem entre as principais do fundo ligado ao IBOV?

O ETF negociado em Tóquio possui uma carteira formada por ações que fazem parte do Ibovespa.

A Vale aparece com a maior participação, de 11,8%. Na sequência estão Itaú Unibanco, com 8,5%, Petrobras PN, com 6,1%, Petrobras ON, com 4,4%, e Bradesco, com 4%.

Também aparecem entre os principais ativos do fundo empresas como Axia, B3, Sabesp, BTG Pactual e Itaúsa.

Por acompanhar uma carteira de ações brasileiras, a valorização do fundo em Tóquio serviu como um dos primeiros sinais da expectativa dos investidores antes da abertura do mercado nacional.

O que acontece agora com o mercado?

A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Até lá, os investidores deverão acompanhar as propostas econômicas dos dois candidatos, as alianças políticas e as novas pesquisas, além das sinalizações sobre política fiscal e econômica.

O mercado também continuará reagindo às mudanças nas expectativas para o próximo governo.

Por isso, indicadores como o IBOV, o dólar e os juros futuros devem permanecer no radar durante as próximas semanas, enquanto a disputa presidencial avança para a segunda etapa.

O resultado do primeiro turno já provocou uma reação significativa nos ativos brasileiros negociados no exterior e, na abertura desta segunda-feira, também foi acompanhado por uma forte queda do dólar no Brasil.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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