O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 provocou uma avaliação interna no PT, que já discute mudanças na estratégia para a próxima etapa da disputa. Lideranças da legenda passaram a questionar a forma como a campanha do presidente Lula foi conduzida.
Entre as críticas está a avaliação de que a comunicação ficou distante de assuntos considerados mais próximos da rotina dos eleitores. O custo de vida, os preços nos supermercados e outras questões do cotidiano passaram a ser apontados como temas que deveriam ter recebido mais espaço.
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Segundo reportagem da CNN Brasil, três petistas ouvidos pela emissora avaliaram que a campanha foi conduzida de forma improvisada e apontaram o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, como o principal responsável pelo resultado de Lula no primeiro turno.
A avaliação ocorre depois de Lula terminar a primeira etapa da eleição em segundo lugar, atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL). Dentro do partido, a cobrança agora é por uma mudança de rumo nas semanas que antecedem o segundo turno.
Críticas à estratégia da campanha de Lula
Uma das principais reclamações diz respeito aos temas escolhidos para a comunicação eleitoral.
Segundo as lideranças ouvidas pela CNN, assuntos como soberania e terras raras acabaram ocupando espaço enquanto questões relacionadas ao custo de vida ficaram em segundo plano. O grupo também avaliou que medidas adotadas pelo governo não produziram o impacto eleitoral esperado.
A própria campanha de Flávio Bolsonaro passou a explorar o tema dos preços e do custo de vida, inclusive com aparições em supermercados. A estratégia foi citada por integrantes do PT como um exemplo de comunicação mais próxima das preocupações cotidianas do eleitor.
Quaquá já havia feito críticas
Antes mesmo do primeiro turno, o prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, havia feito críticas públicas à condução da campanha.
Em publicações nas redes sociais, ele reclamou da falta de interlocução entre a coordenação nacional e integrantes da campanha no Rio de Janeiro. Para Quaquá, a comunicação deveria priorizar temas relacionados ao cotidiano da população e mostrar os resultados que, na avaliação dele, foram obtidos pelo governo Lula.
O dirigente petista defendeu que a campanha falasse mais sobre assuntos como salário, emprego, alimentação, saúde e educação.
Em um dos vídeos, Quaquá comparou as estratégias dos dois candidatos. Segundo ele, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia em um supermercado falando sobre questões do dia a dia, Lula estava abordando temas como terras raras.
O que o PT pretende mudar no segundo turno?
Com a nova etapa da eleição pela frente, o partido discute uma mudança na estratégia de comunicação.
Entre as possibilidades está concentrar a campanha em temas considerados mais próximos da vida dos eleitores e reforçar a divulgação das ações do governo. Também existe a avaliação de que será necessário alcançar pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Outra frente envolve explorar pontos considerados frágeis na campanha de Flávio Bolsonaro, enquanto o PT busca reorganizar a comunicação de Lula.
A legenda também deverá avaliar a estrutura da própria campanha. Uma das possibilidades mencionadas é que Lula se dedique mais diretamente às atividades eleitorais durante o segundo turno.
Primeiro turno mudou o cenário da disputa
O resultado das urnas colocou Lula e Flávio Bolsonaro frente a frente novamente na disputa pelo Palácio do Planalto. A diferença entre os dois foi inferior a dois pontos percentuais, com Flávio ultrapassando a marca de 56 milhões de votos e Lula ficando próximo dos 54 milhões.
A avaliação de integrantes do PT sobre a comunicação da campanha ocorre, portanto, em um momento de reorganização. O partido precisa agora definir quais temas terão prioridade e como pretende conversar com o eleitorado até a votação do segundo turno.
O episódio também mostra como a campanha passou a discutir não apenas o resultado das urnas, mas a maneira como cada candidato conseguiu apresentar suas principais mensagens ao eleitor.

