O PT entrou no segundo turno das eleições de 2026 com uma missão clara: tentar ampliar a votação de Lula e reduzir a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro na primeira etapa da disputa.
Na segunda-feira, 5, o partido divulgou três orientações atribuídas ao presidente Lula para a nova fase da campanha. Os recados envolvem os eleitores que não compareceram às urnas, uma mudança no discurso político e a defesa de uma proposta para a área da segurança pública.
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Entre as orientações está a tentativa de apresentar Lula como uma candidatura “antissistema”, além de um pedido para que os integrantes da campanha não ataquem os eleitores que deixaram de votar no primeiro turno.
O terceiro ponto trata da PEC da Reforma da Segurança Pública, defendida por Lula como uma medida que precisa avançar rapidamente no Congresso.
A cartilha de Lula
Em uma mensagem divulgada pelo PT, o partido destacou os três principais recados atribuídos ao presidente para a campanha do segundo turno:
URGENTE! PRINCIPAIS RECADOS DO PRESIDENTE LULA AGORA! COMPARTILHE AO MÁXIMO!
1 – “Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou na gente. Temos que ter humildade. São 30 milhões de pessoas que não foram votar. Não surgiu terceira via. O que aconteceu então com essas pessoas? Temos que tentar convencer essas pessoas. A responsabilidade do desinteresse deles é nossa. Não temos que procurar defeito entre nós agora, temos 20 dias pra que cada um avalie o que pode fazer.”
2 – “Flávio Bolsonaro é a cara do sistema. A única candidatura antissistema é a nossa. Temos que mostrar isso pras pessoas. Estamos carregando nas nossas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que se revelou no STF. Temos que discutir com a sociedade qual o critério pra indicar candidato a ministro da Suprema Corte. A hora é da sociedade discutir isso. Ninguém está acima da lei. Nem os ministros do STF.”
3 – “Está claro para toda a sociedade hoje que os estados não dão conta mais da questão da segurança pública. O crime organizado está atuando quase como uma multinacional. Hoje a Polícia Federal só pode entrar nos casos se os crimes são federalizados e muitos governadores não aceitam. Esse é um assunto que vamos ter que discutir! O estado tem que proteger o trabalhador, o bandido ir pra cadeia e o povo recuperar seu território. Os governadores precisam ajudar a aprovar a PEC da Reforma da Segurança Pública o mais rápido possível. Isso tem que ser votado já!”
Os três pontos mostram os principais eixos que Lula pretende levar para a nova etapa da disputa: buscar quem não votou, reposicionar a imagem da candidatura diante do eleitor e colocar a segurança pública no centro do debate.
Lula mira os eleitores que não foram votar
A busca pelos eleitores ausentes ganhou espaço logo depois do primeiro turno.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado. Foi a maior taxa de abstenção em uma eleição geral desde 1998.
Esse grupo passou a ser tratado como uma parcela importante do eleitorado para a segunda etapa da disputa. Quem não votou no primeiro turno pode participar normalmente do segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regularizada.
Lula já havia feito um apelo aos ausentes antes mesmo da totalização completa dos votos.
Em um discurso após o primeiro turno, o presidente afirmou que era necessário convencer as pessoas da importância de participar da eleição e pediu que os eleitores voltassem às urnas.
A preocupação aparece também na nova orientação enviada ao PT: em vez de criticar quem não votou no partido, a campanha deve tentar convencer esse eleitorado.
O cálculo para o segundo turno
Além dos eleitores que não compareceram às urnas, a campanha precisa lidar com os votos recebidos pelos candidatos que ficaram fora do segundo turno.
É justamente aí que entra uma das principais dificuldades da nova etapa: votos de outros candidatos não são automaticamente transferidos para nenhum dos dois concorrentes.
Entre os candidatos derrotados no primeiro turno, alguns declararam neutralidade, enquanto Romeu Zema (Novo) indicou apoio a Flávio Bolsonaro, segundo as informações apresentadas pela reportagem.
Para Lula, portanto, a estratégia envolve tentar conquistar parte desse eleitorado e, ao mesmo tempo, estimular os milhões de brasileiros que não votaram a comparecer no segundo turno.
O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro de 2026, conforme o calendário oficial do TSE.
“A única candidatura antissistema é a nossa”
Um dos trechos mais chamativos da cartilha é justamente aquele em que Lula orienta o PT a apresentar sua candidatura como “antissistema”.
No recado, o presidente associa a expressão à disputa com Flávio Bolsonaro e também leva para o debate questões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal.
Lula defende que a sociedade discuta critérios para a indicação de ministros da Suprema Corte e afirma que ninguém está acima da lei.
A orientação representa uma mudança de foco na comunicação da campanha, que passa a tentar explorar também o descontentamento de parte do eleitorado com instituições políticas e judiciais.
Segurança pública entra no centro da estratégia
O terceiro recado trata diretamente da segurança pública.
Lula afirma que os estados não conseguem mais enfrentar sozinhos o problema e defende uma maior integração entre União, estados e forças de segurança.
Na mensagem, o presidente cita o crime organizado, o papel da Polícia Federal e a necessidade de ampliar a atuação do governo federal.
A proposta apresentada na cartilha é apoiar a aprovação da PEC da Reforma da Segurança Pública, com um apelo para que os governadores também ajudem a fazer a medida avançar.
O tema pode ganhar ainda mais espaço durante o segundo turno, justamente por ser uma das áreas que mais mobilizam o eleitorado e por ter sido incorporado ao discurso da campanha.
Segundo turno coloca Lula e Flávio frente a frente
Com o primeiro turno encerrado, Lula e Flávio Bolsonaro disputam diretamente a Presidência da República no dia 25 de outubro. O TSE confirma a data para o segundo turno das eleições de 2026.
A campanha de Lula terá agora pouco mais de duas semanas para tentar ampliar sua votação.
A cartilha divulgada pelo PT deixa claros três caminhos escolhidos pelo presidente: buscar os eleitores que ficaram fora do primeiro turno, apresentar a candidatura como uma alternativa ao sistema e transformar a segurança pública em uma das prioridades do debate.
Resta saber como essas orientações serão transformadas em propaganda, discursos e ações de campanha nos próximos dias.

