A Toyota atravessa uma transformação importante em sua estrutura industrial na América do Sul.
Poucos meses depois de encerrar as atividades de uma fábrica histórica no Brasil, a montadora japonesa avançou com um investimento de US$ 1,341 bilhão em uma nova estrutura industrial na Argentina.
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O projeto prevê a construção de uma planta em Zárate, na província de Buenos Aires, destinada à produção de um veículo eletrificado. A iniciativa foi aprovada para entrar no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), do governo argentino.
Os dois movimentos, porém, fazem parte de estratégias industriais diferentes. A Toyota não afirmou que o fechamento da unidade brasileira tenha relação direta com o investimento argentino nem que recursos tenham sido transferidos de um país para o outro.
Toyota encerrou fábrica no Brasil após 28 anos
A fábrica da Toyota em Indaiatuba, no interior de São Paulo, iniciou suas atividades em 1998 e ficou conhecida principalmente pela produção do Corolla.
A unidade encerrou as atividades em 30 de junho de 2026, depois de 28 anos de operação e mais de 1 milhão de veículos produzidos. A produção do Corolla Sedan foi transferida para o complexo industrial da Toyota em Sorocaba.
O fechamento fazia parte de uma reorganização da operação brasileira anunciada anteriormente pela montadora.
Por isso, a desativação de Indaiatuba não significa que a Toyota deixou o Brasil.
A companhia mantém operações no país e concentra a produção de veículos em Sorocaba, onde também prepara a expansão de sua estrutura industrial. A montadora anunciou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 11 bilhões no Brasil até 2030.
Toyota anuncia investimento de US$ 1,341 bilhão na Argentina
Enquanto reorganiza a produção brasileira, a Toyota também avançou com um grande projeto na Argentina.
O governo argentino aprovou a entrada da montadora no RIGI para um projeto de US$ 1,341 bilhão em Zárate, onde a empresa já possui uma importante operação industrial. A iniciativa prevê a construção de uma nova planta para fabricar um veículo 100% eletrificado.
O projeto foi apresentado como o primeiro investimento do setor automotivo argentino aprovado dentro do RIGI e um dos maiores projetos da indústria automobilística do país.
A nova estrutura terá forte orientação para exportação. As projeções divulgadas para o projeto indicam vendas externas de aproximadamente US$ 1,28 bilhão por ano, equivalentes a cerca de 70% da produção prevista.
Novo projeto da Toyota prevê milhares de empregos
Além do investimento bilionário, o projeto argentino também chama atenção pela quantidade de empregos relacionados à nova operação.
Durante a construção da planta, a previsão é de mais de 3.600 empregos. Na fase de operação, a estimativa chega a cerca de 2.600 postos de trabalho.
Somadas, as duas etapas representam mais de 6 mil postos relacionados ao projeto. Isso não significa, porém, que mais de 6 mil pessoas serão contratadas simultaneamente para trabalhar de forma permanente na fábrica.
A maior parte da produção também deverá ser destinada ao mercado externo.
Fechamento da fábrica brasileira e investimento argentino são movimentos diferentes
Apesar de os dois acontecimentos terem ocorrido em um intervalo de poucos meses, não há indicação de que a Toyota tenha apresentado o investimento argentino como substituição da operação encerrada no Brasil.
No caso brasileiro, a empresa transferiu a produção do Corolla de Indaiatuba para Sorocaba dentro de uma reorganização que já vinha sendo planejada.
A Toyota continua investindo no Brasil e prepara a expansão de sua estrutura em Sorocaba. A empresa também trabalha com tecnologias híbridas e mantém outros projetos industriais no país.
Na Argentina, por outro lado, o novo projeto prevê uma planta adicional no complexo de Zárate para a produção de um veículo eletrificado, com forte direcionamento para exportações.
Toyota mantém investimentos no Brasil mesmo após fechar Indaiatuba
O encerramento da fábrica de Indaiatuba pode dar a impressão de uma redução das operações da Toyota no país, mas a estratégia anunciada pela montadora é diferente.
A empresa transferiu a produção para Sorocaba e mantém um programa de investimentos de aproximadamente R$ 11 bilhões no Brasil até 2030.
A própria Toyota informa que a fábrica de Sorocaba produz modelos como Yaris e Corolla Cross, enquanto a operação brasileira segue integrada a outros projetos industriais da companhia.
Assim, os dois movimentos mostram uma reorganização regional da Toyota, mas não significam que a montadora tenha simplesmente trocado uma fábrica brasileira por outra na Argentina.
No Brasil, a empresa encerrou uma unidade que produziu o Corolla durante 28 anos e concentrou sua produção em Sorocaba. Na Argentina, avançou com um novo projeto de US$ 1,341 bilhão para produzir um veículo eletrificado em Zárate.
O investimento argentino, portanto, chama atenção justamente por acontecer pouco tempo depois do encerramento da histórica fábrica brasileira, mas os dois movimentos não devem ser tratados como se um tivesse causado o outro.

