Bolsonaro, Lula, Dilma, Temer e FHC: veja todos os escândalos e acusações que marcaram os últimos governos do Brasil

Mensalão, Lava Jato, impeachment e tentativa de golpe: relembre os principais escândalos dos últimos cinco presidentes do Brasil.

Mensalão, Lava Jato, impeachment, denúncias de corrupção e tentativa de golpe de Estado. Nos últimos governos do Brasil, diferentes episódios provocaram crises políticas, investigações e disputas judiciais que continuam alimentando debates no país.

De Fernando Henrique Cardoso (FHC) a Jair Bolsonaro, passando por Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer, cada governo enfrentou controvérsias de naturezas distintas. Alguns casos resultaram em condenações judiciais; outros terminaram sem condenação dos presidentes envolvidos ou tiveram desfechos que exigem ressalvas.

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Relembre os principais episódios, entenda o que foi investigado e veja quais foram os desdobramentos de cada caso.

Os principais escândalos e as consequências para cada presidente

PresidentePrincipais episódiosDesfecho ou situação jurídica
Jair Bolsonaro (2019–2022)Tentativa de golpe de Estado, questionamentos sem provas sobre o sistema eleitoral e controvérsias durante a pandemia de Covid-19.Foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe. Em julho de 2026, o Supremo manteve sua prisão domiciliar humanitária. <Cite refs={[“turn194594search5″,”turn194594search7”]}/>
Lula (2003–2010)Mensalão e processos da Operação Lava Jato, incluindo os casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.Lula não foi réu na ação penal do Mensalão. As condenações nos casos do tríplex e do sítio foram anuladas pelo STF em 2021, por questões de competência judicial. No caso do tríplex, também foi reconhecida a parcialidade do então juiz Sergio Moro.
Dilma Rousseff (2011–2016)Recessão econômica, crise política e acusações de irregularidades fiscais.Sofreu impeachment em 2016 por acusações de crimes de responsabilidade, mas manteve os direitos políticos. O impeachment não foi uma condenação criminal.
Michel Temer (2016–2018)Gravação de conversa com Joesley Batista, denúncias de corrupção e controvérsias sobre reformas econômicas.A Câmara dos Deputados barrou a autorização para o prosseguimento de denúncia durante o mandato presidencial.
Fernando Henrique Cardoso (1995–2002)Acusações de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição e crise de abastecimento de energia em 2001.Não houve condenação judicial de FHC pela suposta compra de votos. O apagão foi uma crise de infraestrutura e abastecimento, não um crime atribuído automaticamente ao presidente.
Lula (2023–2026)Investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e suspeitas de irregularidades relacionadas a negócios e órgãos públicos.Lulinha nega irregularidades e não foi condenado. Suspeitas sob investigação não equivalem a culpa comprovada.

FHC: acusações de compra de votos e crise do apagão

Durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002, uma das principais controvérsias foi a denúncia de que parlamentares teriam recebido pagamentos para apoiar a emenda constitucional que permitiu a reeleição de presidentes, governadores e prefeitos.

As acusações ganharam repercussão em 1997, após relatos sobre supostas negociações com deputados. O episódio provocou questionamentos políticos, mas não resultou em condenação judicial de FHC pela alegada compra de votos.

Outra crise marcante ocorreu em 2001, quando dificuldades no abastecimento de energia levaram o país a adotar medidas de racionamento. O chamado apagão expôs problemas de planejamento e investimento no setor elétrico, em um cenário também afetado pela escassez de chuvas nos reservatórios.

Bolsonaro: pandemia, questionamentos eleitorais e condenação por tentativa de golpe

O governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, foi marcado por controvérsias sobre a condução da pandemia de Covid-19. O presidente minimizou repetidamente a gravidade da doença, questionou medidas de prevenção e promoveu medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

As negociações para a compra de vacinas também foram alvo de críticas. Em 2021, a CPI da Pandemia, instalada no Senado Federal, investigou a atuação do governo federal, a aquisição de imunizantes e a promoção de tratamentos sem respaldo científico. O relatório final recomendou o indiciamento de Bolsonaro e de outras pessoas, mas uma recomendação de indiciamento não equivale, por si só, a uma condenação judicial.

Depois de perder a eleição presidencial de 2022, Bolsonaro passou a questionar a confiabilidade do sistema eleitoral sem apresentar provas capazes de sustentar suas alegações.

As investigações sobre uma tentativa de impedir a posse de Lula culminaram em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Em setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado. A investigação também apontou um plano chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa ações contra Lula, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Em julho de 2026, o STF manteve Bolsonaro em prisão domiciliar humanitária.

Outro assunto que gerou repercussão foi um levantamento publicado pelo UOL em 2022 sobre a compra e venda de imóveis por Bolsonaro e familiares ao longo de décadas. Segundo a reportagem, ao menos 51 de 107 imóveis negociados teriam sido comprados total ou parcialmente com dinheiro em espécie. O levantamento levantou questionamentos sobre as transações, mas a informação, isoladamente, não comprova a prática de um crime.

Lula: Mensalão, Lava Jato e investigações envolvendo Lulinha

Os governos de Lula também foram marcados por investigações e escândalos de grande repercussão. Um dos principais foi o Mensalão, esquema de pagamentos a parlamentares em troca de apoio político que levou à condenação de políticos, dirigentes partidários e empresários.

O caso foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470. Lula, entretanto, não foi réu nem condenado nesse processo.

Anos depois, a Operação Lava Jato investigou desvios de recursos e pagamentos de propina envolvendo contratos da Petrobras e empresas privadas. Lula foi condenado em processos relacionados ao tríplex do Guarujá e ao sítio de Atibaia, sob a acusação de ter recebido vantagens indevidas.

Em 2021, o STF anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos. A decisão não significou um julgamento de mérito que comprovasse a inocência ou a culpa nas acusações. No processo do tríplex, o Supremo também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro.

No terceiro mandato de Lula, iniciado em 2023, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, passou a ser citado em investigações sobre possíveis irregularidades envolvendo negócios e órgãos públicos. Ele nega irregularidades e não foi condenado.

Lula declarou que eventuais ilícitos devem ser investigados e que não usaria o cargo para proteger o filho. A existência de uma investigação, porém, não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas.

Temer: gravação com Joesley Batista e denúncia por corrupção

Michel Temer assumiu a Presidência em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017, uma gravação de conversa com o empresário Joesley Batista, da JBS, provocou uma das maiores crises políticas de seu governo.

Na conversa divulgada, Temer respondeu “tem que manter isso, viu?” depois de ouvir o empresário falar sobre pagamentos para manter o ex-deputado Eduardo Cunha em silêncio. A interpretação do diálogo foi contestada pela defesa de Temer, que negou ter autorizado pagamentos ilícitos.

O episódio levou o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a apresentar denúncia contra Temer por corrupção passiva. Em agosto de 2017, a Câmara dos Deputados rejeitou, por 263 votos a 227, a autorização para que a denúncia prosseguisse naquele momento.

A decisão impediu o avanço da acusação durante o mandato presidencial, mas não deve ser confundida com uma sentença judicial que tenha analisado e absolvido Temer do mérito da denúncia.

O governo também ficou marcado pela aprovação da reforma trabalhista e pela criação do teto de gastos federais. As medidas foram defendidas por seus apoiadores como instrumentos de reorganização econômica e fiscal, enquanto críticos apontaram possíveis efeitos negativos sobre direitos trabalhistas e políticas sociais.

Dilma: recessão econômica e impeachment

O segundo mandato de Dilma Rousseff, iniciado em 2015, foi marcado por uma grave recessão econômica e pelo agravamento da crise política.

Entre os fatores econômicos estavam a queda dos preços internacionais de commodities, a desaceleração de parceiros comerciais, o aumento da inflação e as dificuldades fiscais internas. A crise também foi intensificada pela incerteza política e pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 3,8% em 2015 e 3,3% em 2016. O período também registrou aumento do desemprego.

Em 2016, Dilma sofreu impeachment após ser acusada de cometer crimes de responsabilidade relacionados às chamadas pedaladas fiscais e à edição de decretos de créditos suplementares. O Senado aprovou a perda do mandato, mas decidiu manter seus direitos políticos.

É importante diferenciar as consequências políticas do impeachment de uma condenação criminal: o julgamento foi um processo político-jurídico por crime de responsabilidade, não uma sentença penal.

O que os escândalos revelam sobre os últimos governos?

Os episódios mostram que diferentes presidentes enfrentaram crises políticas, denúncias e questionamentos judiciais, mas os casos não tiveram todos o mesmo desfecho.

Alguns resultaram em condenações; outros foram interrompidos por decisões processuais, não avançaram durante o mandato presidencial ou permaneceram no campo das acusações. Por isso, é fundamental distinguir denúncias, investigações, decisões políticas e sentenças judiciais.

Além dos escândalos, indicadores como inflação, crescimento econômico, emprego, pobreza e desigualdade ajudam a compreender os resultados de cada gestão. A análise de um governo exige considerar tanto as decisões de seus representantes quanto os fatores externos que influenciaram o país naquele período.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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