Uma reportagem publicada pela revista Veja nesta sexta-feira (9) colocou Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no centro de uma nova polêmica política às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em áudios e documentos aos quais afirma ter tido acesso, a revista relata que o ex-banqueiro teria declarado ter liberado dinheiro para financiar o documentário Lula, dirigido por Oliver Stone, e feito pagamentos ao Instituto Lula.
Segundo a publicação, Vorcaro teria mencionado um repasse de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para custear o documentário, além de outros valores destinados ao instituto. A reportagem também relaciona as declarações a supostas negociações envolvendo o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e integrantes do governo federal para facilitar o acesso do Banco Master a fundos de pensão de servidores públicos.
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As alegações, porém, não representam comprovação independente de que os pagamentos ocorreram. A própria Veja informa que a Procuradoria-Geral da República não levou adiante a apuração dessa história, alegando falta de provas para sustentar os pagamentos supostamente feitos em espécie.
O caso ganhou novos desdobramentos depois que outras reportagens trouxeram questionamentos sobre o conteúdo divulgado e sobre a possibilidade de as acusações terem sido usadas com finalidade política.
Celular de Vorcaro não confirma suposto pagamento
Em reportagem publicada nesta sexta-feira, o UOL informou que o conteúdo extraído do celular de Vorcaro e analisado pela Polícia Federal não apresenta registros que comprovem o alegado financiamento do documentário sobre Lula.
De acordo com o portal, as mensagens examinadas abrangem um período compatível com a produção do filme, mas não contêm conversas que confirmem pagamentos ou patrocínios feitos por Vorcaro para o projeto. O material inclui referências a investimentos em produções relacionadas a Jair Bolsonaro e Michel Temer, enquanto a menção ao documentário de Lula aparece apenas de maneira indireta em uma conversa com o advogado Walfrido Warde.
A ausência de registros no celular não prova, por si só, que os pagamentos não ocorreram, especialmente diante da alegação de que parte do dinheiro teria sido entregue em espécie. Por outro lado, o material descrito pelo UOL também não oferece a confirmação documental das declarações atribuídas ao ex-banqueiro.
O portal informou ainda que a campanha de Lula classificou as acusações como mentirosas e anunciou que adotaria medidas legais. Segundo a reportagem, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal negaram ter recebido documentos capazes de sustentar o suposto financiamento.
A diferença entre o conteúdo atribuído ao áudio e os registros encontrados no celular passou a ser um dos pontos centrais da controvérsia.
Grupo Prerrogativas aciona a Polícia Federal
Outro desdobramento foi divulgado pela CNN Brasil. Advogados que representam o grupo Prerrogativas acionaram a Polícia Federal e solicitaram a investigação de uma possível articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na disputa presidencial.
Segundo a CNN, a iniciativa foi apresentada na quinta-feira (8) e se baseia em informações sobre negociações para uma possível entrevista do ex-banqueiro à televisão e sobre a existência de uma gravação atribuída a ele, com declarações envolvendo adversários políticos de Flávio e integrantes do governo federal.
Os representantes do grupo sustentam que as acusações divulgadas não teriam respaldo em provas e poderiam ter sido concebidas para produzir efeitos políticos às vésperas do segundo turno. Eles pediram que a PF investigue a origem e a existência da gravação, identifique os interlocutores envolvidos nas negociações da entrevista e verifique a correspondência entre o material citado e eventuais declarações que venham a ser divulgadas.
A CNN ressalta, entretanto, que os advogados afirmaram não ter acesso à gravação e apresentaram as informações como fatos que precisam ser verificados pelas autoridades. Portanto, a suposta articulação eleitoral é uma hipótese levantada no pedido de investigação, e não uma conclusão comprovada.
O que Flávio Bolsonaro tem a ver com o caso?
O nome do senador aparece na controvérsia por causa de outro episódio envolvendo Vorcaro: o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conforme relatado pela CNN Brasil, mensagens e áudios divulgados anteriormente expuseram negociações entre Flávio e o ex-banqueiro para o repasse de recursos destinados ao projeto. Flávio afirma que buscava patrocínio para a produção cinematográfica, e documentos citados pela emissora apontam transferências bancárias para financiar o filme.
Na gravação publicada pela Veja, Vorcaro teria feito uma distinção entre os dois projetos. Segundo a transcrição divulgada pela revista, ele afirma que o dinheiro destinado ao filme de Lula teria sido pago “por fora”, enquanto o relacionado à produção sobre Bolsonaro teria sido um patrocínio formal.
É essa comparação que conecta os dois episódios no debate político. Ainda assim, a existência de negociações para o filme Dark Horse não comprova, por si só, que tenha ocorrido uma articulação para produzir acusações contra Lula ou influenciar o resultado eleitoral.
Até o momento, as reportagens citadas apresentam versões e elementos que precisam ser examinados em conjunto: a gravação divulgada pela Veja, a ausência de confirmação do suposto pagamento no conteúdo do celular relatada pelo UOL e o pedido de investigação apresentado pelo grupo Prerrogativas, noticiado pela CNN Brasil.
Caso ganha peso na reta final da eleição
A divulgação ocorre em um momento de forte disputa política, a poucas semanas do segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse contexto, acusações envolvendo possíveis pagamentos irregulares, financiamento de filmes e gravações atribuídas a um personagem ligado a investigações financeiras podem repercutir diretamente no debate eleitoral.
O ponto central, porém, continua sendo a apuração dos fatos. A declaração atribuída a Vorcaro sobre o documentário de Lula ainda precisa ser confrontada com elementos que confirmem a origem, a autenticidade e o conteúdo da gravação, além de eventuais registros dos pagamentos mencionados.
Da mesma forma, a hipótese de que as acusações fariam parte de uma articulação eleitoral precisa ser investigada antes de ser apresentada como fato. O pedido feito à Polícia Federal representa uma solicitação de apuração, não uma confirmação de que houve uma operação coordenada entre Vorcaro e a campanha de Flávio Bolsonaro.
A reportagem da Agência GBC tenta contato com todos os envolvidos, porém ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Fontes: Veja, UOL e CNN Brasil.

