Um ataque hacker contra sistemas de refrigeração do Carrefour e outros supermercados provocou prejuízos, perda de alimentos e incêndios em meio a uma ofensiva cibernética que atingiu grandes redes varejistas. Os invasores conseguiram alterar os controles digitais de temperatura de equipamentos usados para conservar produtos perecíveis.
Em alguns refrigeradores, a temperatura chegou a 50 °C durante a noite, comprometendo a conservação de alimentos que dependem de refrigeração adequada. O episódio também levantou preocupações sobre os riscos de equipamentos conectados à internet e a possibilidade de ataques digitais provocarem danos físicos em estabelecimentos comerciais.
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Entre as empresas afetadas está o Carrefour, que confirmou que 80 de seus supermercados sofreram impactos. Outras redes também relataram problemas nos sistemas de refrigeração, com descarte de mercadorias para evitar riscos à saúde dos consumidores.
O caso mobilizou autoridades e especialistas em segurança cibernética. Uma investigação foi determinada para esclarecer como os invasores conseguiram interferir nos equipamentos e verificar se outras empresas podem estar vulneráveis a ataques semelhantes.
O ataque ocorreu na França, durante a noite de domingo, 11 de outubro, para segunda-feira, dia 12. A Procuradoria de Paris afirmou que o incidente afetou refrigeradores conectados de diversas grandes redes de supermercados e citou danos como perda de alimentos e incêndios.
Além do Carrefour: ataque hacker afeta grandes redes de supermercados
Além do Carrefour, outras redes varejistas informaram que tiveram equipamentos de refrigeração afetados. A Les Mousquetaires, proprietária da rede Intermarché, relatou que os refrigeradores de cerca de 150 lojas foram aquecidos a 50 °C durante aproximadamente seis horas.
A empresa informou que todos os alimentos afetados foram descartados para evitar riscos sanitários. A Monoprix, por sua vez, declarou que 5% de suas lojas sofreram impactos. A Cooperativa U também confirmou que foi atingida pelo incidente.
Até o momento das informações divulgadas, não havia uma estimativa consolidada das perdas financeiras totais provocadas pelo ataque. Os prejuízos incluem mercadorias descartadas e possíveis danos aos equipamentos e às operações das lojas.
Como os hackers conseguiram alterar a temperatura?
A investigação envolve sistemas digitais utilizados para controlar a refrigeração comercial. Esses equipamentos permitem monitorar e ajustar remotamente a temperatura de câmaras frias, freezers e refrigeradores instalados em supermercados.
Segundo informações divulgadas por uma fonte próxima ao governo francês, a Agência Nacional de Segurança Cibernética da França, conhecida como Anssi, identificou uma vulnerabilidade em um software fornecido pela empresa dinamarquesa Danfoss.
A fabricante afirmou estar ciente de incidentes no país que afetaram sistemas de gerenciamento de refrigeração. Segundo a empresa, os equipamentos envolvidos utilizavam firmware desatualizado, e a companhia já recomendava que os clientes mantivessem os sistemas compatíveis atualizados.
A existência de vulnerabilidades, porém, não comprova por si só qual falha foi explorada pelos invasores neste caso. A investigação precisa esclarecer o método utilizado no ataque e se houve relação direta com problemas de segurança identificados anteriormente.
Autoridades investigam possível risco a outros países
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, determinou que a Anssi investigasse o caso. O governo também informou que estava coordenando ações com parceiros europeus para avaliar se outros países poderiam ser afetados.
A preocupação vai além do descarte de alimentos. Sistemas de refrigeração conectados são utilizados para manter produtos em condições adequadas de conservação, e uma interferência indevida pode comprometer tanto a operação comercial quanto a segurança alimentar.
A Danfoss declarou que já havia disponibilizado atualizações para corrigir vulnerabilidades identificadas em seus sistemas. A empresa também recomenda a migração de equipamentos antigos para soluções mais recentes quando necessário.
Em 9 de agosto, a equipe de segurança cibernética Team82, ligada à Claroty, publicou uma análise sobre vulnerabilidades no controlador Danfoss AK-SM 800A. Segundo a análise, as falhas poderiam permitir contornar procedimentos normais de autenticação e executar códigos maliciosos em dispositivos comprometidos.
Ainda não há confirmação de que essas vulnerabilidades específicas tenham sido utilizadas no ataque aos supermercados.
Ataque lembra problemas registrados nos Estados Unidos
O episódio apresenta semelhanças com interrupções nos sistemas de refrigeração registradas nos Estados Unidos no fim de agosto. Na ocasião, refrigeradores de refeitórios de cerca de uma dúzia de bases militares foram afetados, provocando perdas de alimentos.
Não foi estabelecida uma relação direta entre os dois episódios. Mesmo assim, os casos reforçam a preocupação com a segurança de equipamentos industriais conectados à internet.
A automação facilita o monitoramento de operações e o controle de temperatura, mas também exige atualizações constantes, proteção dos acessos e acompanhamento de possíveis vulnerabilidades.
Para redes como o Carrefour, o ataque evidencia que uma falha digital pode gerar consequências concretas, desde o descarte de mercadorias até interrupções no funcionamento de lojas. O tamanho total dos prejuízos e os detalhes sobre a atuação dos invasores ainda dependem das investigações.

