Brasil pode ter 6 ondas de calor até dezembro, e Super El Niño aumenta alerta para temperaturas extremas

Brasil pode enfrentar seis ondas de calor até dezembro de 2026. Super El Niño preocupa especialistas; veja as regiões em alerta e os riscos.

O Brasil poderá enfrentar pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026, em um período marcado pela intensificação do El Niño e pela previsão de temperaturas acima da média em grande parte do país. O cenário preocupa especialistas por causa dos riscos associados ao calor persistente, à baixa umidade e à possibilidade de incêndios florestais.

A projeção considera estudos sobre o comportamento das temperaturas ao longo de décadas e ganha relevância diante das previsões de um El Niño excepcionalmente intenso. O fenômeno aquece as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e altera padrões de circulação atmosférica, influenciando a distribuição das chuvas e das temperaturas em diferentes regiões.

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O alerta não significa, porém, que seis episódios já estejam confirmados ou tenham datas definidas. A quantidade de ondas de calor dependerá da evolução das condições meteorológicas nos próximos meses.

O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027, publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 1º de outubro, apontou 95% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Caso essa projeção se confirme, o episódio poderá estar entre os mais intensos registrados desde 1950.

Brasil pode registrar seis ondas de calor até dezembro

Uma estimativa atribuída a estudos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indica a possibilidade de pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro de 2026.

A análise considera 47 anos de registros meteorológicos e o comportamento das temperaturas em períodos influenciados pelo El Niño. A pesquisadora Mabel Calim Costa, especialista em ondas de calor do Cemaden, é citada na apuração sobre a possibilidade de novos episódios extremos.

O histórico recente ajuda a dimensionar o risco. Entre agosto e dezembro de 2023, durante o El Niño anterior, o Brasil registrou nove ondas de calor, segundo os dados apresentados no levantamento.

A estimativa de seis episódios, entretanto, não deve ser interpretada como uma previsão fechada. Como o intervalo analisado começa em setembro, o número inclui o período que já passou e não representa necessariamente seis novas ondas a partir de outubro.

A intensidade e a duração dos próximos episódios dependerão de fatores como a circulação atmosférica, a entrada de frentes frias e a persistência de massas de ar quente.

Defesa Civil reforça cuidados com calor e baixa umidade

Os riscos relacionados às condições extremas já motivaram alertas meteorológicos e orientações de órgãos públicos em diferentes regiões brasileiras.

Em 28 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de grande perigo para uma onda de calor que atingiu áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

Em situações de calor intenso, a exposição prolongada pode provocar desidratação, exaustão térmica e outros problemas de saúde, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

A baixa umidade também exige atenção. No Piauí, a Defesa Civil estadual reforçou, em 7 de outubro, as recomendações para moradores de 180 municípios diante da previsão de índices de umidade entre 12% e 20%.

Entre os cuidados recomendados estão:

  • Beber água regularmente, mesmo sem sentir sede;
  • Evitar atividades físicas intensas nos horários mais quentes;
  • Reduzir a exposição direta ao sol;
  • Procurar locais frescos e ventilados;
  • Acompanhar os avisos do Inmet e da Defesa Civil;
  • Buscar atendimento médico diante de sinais graves, como confusão mental ou desmaio.

Os alertas variam conforme as condições de cada localidade. Por isso, a população deve acompanhar as orientações oficiais específicas para sua região.

Super El Niño tem 95% de probabilidade de atingir intensidade muito forte

O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial é um dos principais fatores de preocupação para o último trimestre de 2026.

O boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado com a participação do INPE, do Inmet, do Cemaden e de outros órgãos federais, estimou em 95% a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro.

Já a atualização do Centro de Previsão Climática da agência norte-americana NOAA, publicada em 8 de outubro, indicou 83% de probabilidade de um evento histórico, conforme o indicador utilizado pela instituição, para o trimestre de outubro a dezembro.

A NOAA também apontou que o El Niño deve continuar se fortalecendo e permanecer entre forte e muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027. Os percentuais não são diretamente equivalentes, pois as instituições utilizam critérios específicos para avaliar a intensidade do fenômeno.

A expressão “Super El Niño” é usada popularmente para descrever um episódio excepcionalmente intenso. Nas classificações técnicas, os órgãos meteorológicos também utilizam categorias como forte e muito forte.

Embora o fenômeno aumente a probabilidade de determinados padrões climáticos, ele não determina sozinho o tempo de cada cidade nem garante que uma onda de calor ocorrerá em uma data específica.

Centro-Oeste e Sudeste podem ter temperaturas acima da média

A previsão climática do Inmet para outubro indica temperaturas superiores à média histórica em grande parte do território brasileiro, com diferenças importantes entre os estados.

No Centro-Oeste, os desvios podem superar 2°C em áreas de Goiás e do Distrito Federal. Em Minas Gerais, determinadas localidades também podem apresentar temperaturas mais de 2°C acima da média, enquanto o norte de São Paulo pode registrar diferenças próximas desse patamar.

No Sul, a previsão também aponta temperaturas acima da média em boa parte da região, embora os desvios projetados para o Rio Grande do Sul sejam menores do que os previstos para algumas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.

É importante distinguir os dois conceitos: uma previsão de temperatura média mensal acima do normal não significa, por si só, que haverá uma onda de calor. Para caracterizar esse tipo de evento, é necessário avaliar a intensidade e a persistência das temperaturas elevadas em relação aos padrões locais.

El Niño pode provocar mais chuva no Sul e estiagem em outras regiões

Os efeitos do fenômeno não devem ser iguais em todo o Brasil.

O quarto boletim do Painel El Niño 2026-2027 aponta maior probabilidade de chuvas acima da média na Região Sul durante o trimestre de outubro a dezembro, com possibilidade de cheias. Já em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de precipitações abaixo da média.

Essa diferença ajuda a explicar por que um mesmo fenômeno climático pode estar associado a excesso de chuva em algumas regiões e a períodos mais secos em outras.

No Sul, o volume elevado de precipitação pode aumentar a preocupação com alagamentos e inundações, dependendo da distribuição das chuvas e das condições dos rios. Em áreas mais secas, a falta de precipitação combinada com temperaturas elevadas pode agravar a estiagem.

Essas projeções são sazonais e não representam uma previsão exata para cada município. Frentes frias, massas de ar e outros sistemas atmosféricos também influenciam o resultado.

Calor e baixa umidade aumentam o risco de incêndios

Outro motivo de preocupação é a possibilidade de incêndios em áreas de vegetação durante períodos prolongados de calor e pouca chuva.

Quando plantas e materiais orgânicos perdem umidade, podem se tornar mais suscetíveis à propagação das chamas. O vento também pode contribuir para espalhar o fogo e dificultar o trabalho das equipes de combate.

O Cemaden apontou, no boletim de setembro de 2026, avanço da seca em parte dos municípios monitorados. Os dados parciais daquele mês indicavam aumento de municípios classificados em situação de seca severa e extrema.

Diante desse cenário, é importante evitar queimadas, não descartar cigarros em áreas de vegetação e não utilizar fogo para limpar terrenos. Ao identificar um incêndio, a orientação é manter distância da área e acionar os serviços de emergência.

Quem corre mais risco durante uma onda de calor?

A exposição prolongada a temperaturas extremas pode provocar desidratação, exaustão térmica e insolação. Os riscos são maiores para idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas.

O perigo também aumenta quando as noites permanecem muito quentes, pois o corpo pode ter mais dificuldade para perder calor e se recuperar da exposição durante o dia.

Entre os sinais de alerta estão tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas e mal-estar. Confusão mental, desmaios e alterações importantes da temperatura corporal podem indicar uma emergência médica.

Para reduzir os riscos, a recomendação é manter a hidratação, usar roupas leves, procurar ambientes frescos e evitar esforços físicos nas horas mais quentes. Pessoas vulneráveis também devem receber atenção especial durante os períodos de calor intenso.

Até quando o Super El Niño pode afetar o Brasil?

As projeções indicam que o El Niño poderá continuar influenciando o clima brasileiro durante o verão de 2026 para 2027.

Na atualização de 8 de outubro, a NOAA apontou probabilidade superior a 83% de o fenômeno permanecer entre forte e muito forte no trimestre de janeiro a março de 2027.

Isso não significa que o Brasil terá ondas de calor contínuas durante todo esse período. O número de episódios, sua duração e as regiões atingidas dependerão da evolução das condições atmosféricas.

A estimativa de pelo menos seis ondas de calor entre setembro e dezembro funciona como um indicativo de risco, e não como um calendário definitivo de eventos.

Com a previsão de temperaturas acima da média em boa parte do país, a recomendação é acompanhar os boletins meteorológicos e os avisos da Defesa Civil. Essas atualizações permitem identificar os riscos locais e adotar medidas de prevenção conforme as condições de cada região.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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