“Fim da escala 6×1”: veja quais países já adotam a jornada 5×2 e têm dois dias de descanso por semana

Fim da escala 6x1: estes países já têm a semana de cinco dias de trabalho como padrão; veja detalhes a seguir.

A escala 6×1, em que o trabalhador passa seis dias trabalhando para ter apenas um de descanso, não é o único modelo de organização da jornada utilizado no mundo. Em diversos países, a semana de cinco dias de trabalho e dois de folga já é o padrão mais comum, com limites de jornada menores do que os que tradicionalmente vigoravam no Brasil.

Agora, o país também caminha nessa direção. Na quarta-feira (14), o Senado aprovou a proposta que acaba com a escala 6×1 como regime regular e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, além de uma redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A mudança foi promulgada pelo Congresso na sexta-feira (16), com implementação prevista em etapas.

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Mas como funciona a jornada em outros países? E quais deles já têm uma semana de trabalho de cinco dias como referência?

Quais países já adotam a jornada 5×2?

Não existe uma lista mundial única de países que tenham abolido completamente a escala 6×1. Isso acontece porque cada legislação estabelece limites de jornada, períodos mínimos de descanso e exceções para determinadas atividades.

Ainda assim, dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que, na maioria dos países membros, o limite normal de trabalho é de 40 horas semanais, calculado com base em cinco dias de oito horas. Há também países com jornadas normais menores.

Entre os exemplos estão:

França

A França tem uma jornada legal de referência de 35 horas semanais para muitos trabalhadores. A legislação também estabelece limites para o tempo de trabalho e períodos de descanso.

A jornada menor ajuda a explicar por que o país é frequentemente citado em comparações internacionais sobre tempo de trabalho. Isso não significa, porém, que todos os profissionais franceses trabalhem exatamente cinco dias por semana: existem diferentes escalas e regras específicas.

Alemanha

A Alemanha também aparece entre os países que utilizam amplamente a semana de cinco dias como referência para o trabalho. A jornada efetiva varia conforme o contrato, a categoria profissional e a negociação coletiva.

A legislação alemã estabelece limites para a duração do trabalho e períodos de descanso, mas não fixa um único número de horas normais semanais aplicável indistintamente a todos os trabalhadores.

Bélgica

Na Bélgica, o limite normal de trabalho é geralmente de 38 horas semanais. O país também possui regras específicas para distribuição e compensação das horas trabalhadas.

A jornada semanal menor que 40 horas faz parte do conjunto de modelos europeus que mostram como a organização do trabalho pode variar conforme a legislação e os acordos coletivos.

Países Baixos

Nos Países Baixos, a jornada de trabalho é frequentemente organizada em cinco dias, embora contratos de meio período e diferentes distribuições de horários sejam comuns.

O país não possui um limite legal único de jornada normal semanal nos mesmos moldes de vários outros integrantes da OCDE. Por isso, a quantidade de horas depende bastante do contrato e das condições de trabalho.

Itália

A Itália utiliza 40 horas semanais como referência legal geral para a jornada normal, embora acordos coletivos possam estabelecer limites menores para determinadas categorias.

A distribuição do trabalho e dos períodos de descanso também varia conforme a atividade profissional e as regras aplicáveis ao contrato.

Austrália

Na Austrália, a jornada semanal de referência é de 38 horas para muitos empregados abrangidos pelas regras nacionais de trabalho. A organização dos dias trabalhados depende do contrato e das condições aplicáveis à atividade.

O país também estabelece regras sobre descanso e remuneração, sem impor que todos os trabalhadores tenham necessariamente os mesmos dias de folga.

Canadá

No Canadá, a jornada normal costuma ser de 40 horas semanais em muitos contextos, mas as regras variam conforme a província, o território e o setor de atividade.

A legislação trabalhista canadense não deve ser interpretada como uma garantia universal de que todo empregado trabalha cinco dias e folga dois. A escala depende das regras aplicáveis e da organização do serviço.

Importante: esses países são exemplos de lugares em que a jornada de cinco dias é comum ou em que os limites normais de trabalho se aproximam desse padrão. Isso é diferente de afirmar que todos aboliram integralmente a possibilidade de trabalhar seis dias seguidos em qualquer atividade.

Qual é a diferença entre a escala 6×1 e a 5×2?

A diferença está na distribuição dos dias de trabalho e descanso ao longo da semana.

  • Escala 6×1: seis dias de trabalho para um dia de descanso.
  • Escala 5×2: cinco dias de trabalho para dois dias de descanso.

Na escala 5×2, os dois dias de folga podem ocorrer no sábado e no domingo, mas não precisam necessariamente ser consecutivos ou coincidir com o fim de semana em todas as atividades.

Essa distinção é importante porque muitos serviços funcionam todos os dias, como hospitais, hotéis, restaurantes e transportes. Nesses setores, a empresa pode organizar equipes em horários diferentes para manter o atendimento.

O objetivo da mudança brasileira não é fazer todas as empresas fecharem dois dias por semana, mas estabelecer novos limites para a jornada e garantir mais tempo de descanso aos trabalhadores.

O que muda no Brasil com o fim da escala 6×1?

A proposta aprovada pelo Senado e promulgada pelo Congresso estabelece uma transição para uma jornada máxima menor, sem redução salarial.

De acordo com o cronograma divulgado pela Agência Brasil, as principais mudanças são:

  • Primeira etapa: dois meses após a promulgação, adoção da escala 5×2 e redução do limite semanal de 44 para 42 horas.
  • Etapa final: 12 meses depois da primeira redução, o limite cai de 42 para 40 horas semanais.

A implementação completa, portanto, ocorrerá de forma gradual. O texto também prevê regras específicas e possibilidades excepcionais de compensação por meio de negociação coletiva.

A nova jornada aproxima o Brasil de um padrão de cinco dias de trabalho e dois de descanso que já é comum em muitos países, embora a forma de aplicação varie entre as legislações nacionais.

O Brasil será o único país a adotar dois dias de folga?

Não. A semana de cinco dias de trabalho já é uma referência consolidada em muitas economias, principalmente entre os países da OCDE.

O que muda de um país para outro são os limites de horas, as exceções por setor, as regras de descanso e a possibilidade de negociar escalas diferentes.

Por isso, a comparação internacional ajuda a entender que a escala 5×2 não é uma novidade mundial. A mudança brasileira faz parte de uma discussão mais ampla sobre jornada, descanso e organização do trabalho.

Com a promulgação da nova regra, o país inicia uma transição que deverá alterar a rotina de milhões de trabalhadores. A questão agora é como empresas e categorias profissionais vão adaptar suas escalas aos novos limites.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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