Brasil chega a quase 84 milhões de inadimplentes e dispara procura por ajuda para organizar as contas

Brasil registra 83,98 milhões de inadimplentes e 19,7 milhões de acordos de renegociação. Leia e saiba mais.

O Brasil chegou a 83,98 milhões de consumidores inadimplentes em agosto de 2026, o maior número da série histórica divulgada pela Serasa. Enquanto milhões de pessoas enfrentam dificuldades para manter as contas em dia, cresce também a procura por alternativas para renegociar débitos e reorganizar o orçamento doméstico.

Entre maio e agosto, foram registrados 19,7 milhões de acordos de renegociação de dívidas, um aumento de 36% em relação ao mesmo período de 2025. Em outra frente, a busca por profissionais de economia e finanças cresceu 38% em setembro, na comparação com o mês anterior, conforme dados do GetNinjas.

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Os indicadores mostram que a dificuldade para pagar compromissos financeiros convive com uma procura maior por soluções. Apesar disso, o crescimento das renegociações não significa que a inadimplência tenha sido revertida: o total de pessoas com débitos atrasados continuou em nível recorde.

Brasil tem quase 84 milhões de pessoas com dívidas em atraso

O levantamento da Serasa contabilizou 83,98 milhões de inadimplentes em agosto, ante 83,93 milhões em julho. A diferença representa aproximadamente 50 mil pessoas a mais em apenas um mês.

Embora o número tenha alcançado um novo recorde, o ritmo de crescimento desacelerou. A variação mensal foi de 0,06%, o menor avanço registrado em 2026 até aquele momento.

A desaceleração, porém, não deve ser confundida com uma queda no total de consumidores negativados. O indicador continuou aumentando, mesmo em ritmo menor.

A inadimplência ocorre quando uma pessoa deixa de pagar uma obrigação dentro do prazo e a dívida permanece em atraso. Dependendo do caso, o débito pode resultar em registro negativo nos cadastros de crédito, dificultando a obtenção de financiamentos e outras modalidades de crédito.

Renegociações de dívidas crescem 36%

Enquanto o número de inadimplentes avançou, a renegociação de débitos ganhou força. Entre maio e agosto de 2026, a Serasa contabilizou 19,7 milhões de acordos, volume 36% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

O número de consumidores que procuraram regularizar suas pendências também aumentou, passando de 7,1 milhões para 9,4 milhões na comparação entre os dois períodos.

A ampliação das condições de negociação e as campanhas voltadas à regularização de débitos estão entre os fatores associados a esse movimento.

Em agosto, o valor médio dos acordos realizados na plataforma Serasa Limpa Nome foi de R$ 741. No mesmo mês, os descontos concedidos nas negociações somaram mais de R$ 11,8 bilhões, segundo os dados divulgados pela empresa.

Esses valores se referem às negociações realizadas na plataforma e não representam necessariamente o total das dívidas existentes no país.

Procura por consultoria financeira aumenta 38%

A pressão sobre o orçamento também aparece na procura por profissionais especializados em organização e planejamento financeiro.

Segundo levantamento do GetNinjas, a demanda por serviços da categoria de economia e finanças cresceu 38% em setembro de 2026, em comparação com agosto. Na comparação com setembro de 2025, o avanço foi de 19%.

A categoria reúne serviços de organização de contas, planejamento financeiro e análise de despesas. Os profissionais podem atender pessoas físicas, trabalhadores autônomos e empresas.

Por isso, o crescimento não pode ser atribuído exclusivamente aos brasileiros endividados. Ainda assim, os dados indicam uma procura maior por apoio para administrar recursos, rever gastos e tomar decisões financeiras.

A busca por consultoria pode envolver desde a organização de despesas mensais até a elaboração de um planejamento para quitar dívidas e formar uma reserva de emergência.

Metade dos entrevistados gastou mais do que planejava

Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Opinion Box ajuda a contextualizar as dificuldades enfrentadas pelos consumidores. No levantamento, 50% dos entrevistados afirmaram ter gastado mais do que planejavam no primeiro semestre de 2026.

O estudo também identificou que muitos brasileiros estabeleceram a regularização financeira como uma prioridade para a segunda metade do ano.

Entre os participantes, 49% disseram querer quitar dívidas, enquanto 32% pretendiam limpar o nome e 29% tinham como objetivo formar uma reserva de emergência.

Os resultados indicam que o controle do orçamento e a recuperação da saúde financeira estão entre as preocupações de parte significativa dos entrevistados.

Quem tem dívidas pode começar a reorganizar o orçamento

Para quem está com contas atrasadas, o primeiro passo é identificar o valor total dos débitos, os juros cobrados e quais despesas são essenciais para a manutenção da casa.

Uma organização inicial pode incluir:

  • Listar todas as dívidas: anotar o credor, o saldo atualizado, os juros e o tempo de atraso.
  • Priorizar despesas essenciais: separar recursos para moradia, alimentação, água, energia e transporte.
  • Comparar propostas de negociação: verificar o valor total a pagar, o desconto oferecido e as condições das parcelas.
  • Evitar novos compromissos difíceis de cumprir: uma parcela só é sustentável quando cabe no orçamento mensal.
  • Buscar orientação confiável: consultar canais oficiais de credores e serviços de proteção ao consumidor antes de aceitar uma proposta.

Também é importante conferir se o acordo cabe no orçamento mesmo em meses de despesas inesperadas. Uma negociação que reduz o valor da dívida, mas gera parcelas incompatíveis com a renda, pode levar a novos atrasos.

Recorde de inadimplência convive com maior busca por soluções

Os números mais recentes mostram duas tendências simultâneas: o Brasil continua com um contingente recorde de consumidores inadimplentes, mas as renegociações e a procura por serviços de orientação financeira também avançam.

O crescimento dos acordos pode ajudar consumidores a recuperar o controle das contas, mas não significa que todas as pessoas endividadas tenham conseguido regularizar sua situação.

O desafio é transformar as negociações em pagamentos sustentáveis, sem comprometer despesas básicas nem criar novas dívidas. Para as famílias que enfrentam atrasos, conhecer o valor real dos débitos e comparar as condições oferecidas pelos credores são passos importantes para retomar o equilíbrio financeiro.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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