Aos 51 anos, o carpinteiro Francisco Dias Chaves está começando uma nova etapa da vida. Depois de retomar os estudos enquanto estava acolhido em um abrigo, ele concluiu o Ensino Fundamental, conquistou uma vaga em concurso público para trabalhar na Companhia Melhoramentos da Capital (Comcap), em Florianópolis, Santa Catarina, e começou a trabalhar.
Natural do interior do Rio Grande do Sul, Francisco passou grande parte da vida sem concluir a educação básica. A oportunidade de voltar à sala de aula surgiu durante o período de acolhimento em Florianópolis.
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Agora, com emprego e renda, o próximo objetivo é conquistar a própria moradia e seguir a vida fora do abrigo.
“Eu saí do interior, da roça, sem estudo, nem o primeiro grau completo. E conseguir passar no concurso foi maravilhoso e satisfatório para mim”, conta Francisco.
Concurso público veio depois da retomada dos estudos
Francisco participou do EJA POP RUA, modalidade de Educação de Jovens e Adultos voltada à população em situação de rua.
Foi nesse período que conseguiu concluir uma etapa da educação que havia ficado para trás ainda na juventude.
Além dos estudos, participou de atividades voltadas à qualificação profissional e à preparação para o mercado de trabalho.
A mudança abriu caminho para uma oportunidade que até então parecia distante: conquistar uma vaga por meio de concurso público.
Aprovação trouxe chance de começar novamente
Depois de receber orientação sobre oportunidades profissionais, Francisco participou do processo para trabalhar na Comcap.
A aprovação representou mais do que a conquista de um emprego.
Para o carpinteiro, ela significa a possibilidade de recuperar a autonomia, organizar a própria renda e construir uma nova rotina.
“Daqui para frente é seguir o caminho, sempre para frente, sem olhar para trás. É seguir uma nova vida e construir uma carreira que muitos não conseguem”, finaliza Francisco.
Próximo passo é conquistar a própria moradia
Com o início da nova fase profissional, Francisco também passou a pensar em deixar o serviço de acolhimento.
A intenção é encontrar uma moradia compatível com a renda e passar a sustentar a própria rotina.
O trabalho conquistado após a aprovação no concurso público se torna, assim, uma das principais peças para a transição entre o acolhimento temporário e uma vida independente.
Prefeitura destaca esforço do carpinteiro
A secretária municipal de Assistência Social, Zena Becker, afirma que o objetivo do acolhimento é justamente criar condições para que as pessoas reorganizem diferentes áreas da vida.
“O acolhimento é uma etapa temporária, um suporte para reorganizar a vida e construir novos caminhos. Nosso objetivo é que as pessoas possam retomar os estudos, desenvolver habilidades, acessar o mercado de trabalho e conquistar autonomia. A conquista do Francisco é resultado do seu esforço e dedicação, mas também representa o trabalho desenvolvido pela Prefeitura”, destaca.
A trajetória de Francisco reúne justamente essas etapas: retorno aos estudos, qualificação, entrada no mercado de trabalho e busca por independência.
“Sempre para frente, sem olhar para trás”
Depois de anos longe da escola, Francisco conseguiu concluir os estudos aos 51 anos e transformar a conquista em uma nova oportunidade profissional.
Agora, a prioridade é continuar trabalhando e conquistar um lugar para morar.
A frase escolhida pelo próprio carpinteiro resume o momento: seguir “sempre para frente, sem olhar para trás”.
Para Francisco, passar em um concurso público não representa apenas conseguir um emprego. É o começo da “nova vida” que ele pretende construir daqui para frente.

