A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que só disponibilizará os dados referentes à quebra de sigilo do senador depois de verificar se Lula (PT) cumpriu todas as condições estabelecidas para a divulgação das próprias informações financeiras. O acordo entre as duas campanhas foi protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a três dias das eleições.
O documento foi apresentado em um processo relatado pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE. Apesar do entendimento para disponibilizar os dados, as equipes estabeleceram condições para a liberação dos sigilos.
LEIA TAMBÉM:
- Bolsa Família de novembro e dezembro terá pagamento antecipado; veja as novas datas
- Piloto de voo da Latam desliga motor e faz pouso de urgência no Aeroporto de Porto Alegre
- Justiça muda bloqueio de contas no Nubank, Itaú, Caixa e Banco do Brasil; veja quem pode ser afetado
Um dos principais pontos de divergência envolve a empresa que o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal e amigo de Flávio Bolsonaro, mantém em sociedade com o senador.
A campanha petista afirmou que exigiu a conclusão da quebra de sigilo da empresa. Já a equipe do PL declarou que solicitará autorização de Willer para divulgar as informações financeiras.
O encontro ocorreu na sala de protocolo de petições do TSE, sem uma reunião formal entre as equipes. Segundo a campanha de Lula, foi apresentado um termo de acordo para disponibilizar todas as informações no sistema DivulgaCand até as 23h59 daquele dia.
Flávio Bolsonaro condiciona divulgação à conferência dos documentos
A equipe jurídica de Flávio Bolsonaro afirmou que a abertura do sigilo do senador ocorrerá somente após a confirmação de que Lula cumpriu todas as exigências apresentadas pelo candidato do PL.
A advogada Maria Cláudia Bucchianeri declarou que a medida deve ser realizada o quanto antes, mas condicionou a liberação à análise da documentação entregue pelo presidente.
Se a gente confirmar que tudo que ele [Lula] se comprometeu ele trouxe, será imediato.Maria Cláudia Bucchianeri, advogada da campanha
A conferência ficará a cargo do ex-procurador da Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Em entrevista coletiva na porta do TSE, em Brasília, ele afirmou que analisará os documentos e relembrou sua atuação anterior em investigações envolvendo Lula.
“Vou analisar os documentos da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia”, disse Dallagnol em entrevista coletiva à porta do TSE, em Brasília.
Campanha de Lula afirma que Flávio aceitou condição sobre empresa
O senador Camilo Santana (PT-CE), um dos coordenadores da campanha de Lula, afirmou que Flávio Bolsonaro aceitou incluir na abertura de sigilo a empresa mantida em sociedade com Willer Tomaz.
Segundo Camilo, a equipe do candidato do PL inicialmente resistiu à exigência, mas acabou concordando com a condição apresentada pelos petistas.
Infelizmente nós tivemos um embate agora, para que a empresa, ou a relação, com Willer Tomaz não ficassse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos.Camilo Santana, em entrevista coletiva no TSE
A campanha de Lula havia anunciado, no dia anterior, que as condições impostas por Flávio seriam aceitas e que os sigilos seriam abertos conforme as orientações apresentadas.
Além dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente, o compromisso envolve o Instituto Lula, o assessor de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e o cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
A discussão sobre a abertura dos sigilos bancário e telefônico começou durante o debate da Band realizado no domingo. Após Flávio acusar Lula de ladrão, o presidente afirmou que abriria os próprios sigilos bancário e telefônico para demonstrar que seu patrimônio tem origem totalmente lícita. Na ocasião, também mencionou suspeitas de corrupção envolvendo o senador do PL.
Por que Deltan Dallagnol foi escolhido para analisar os dados?
A campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que Deltan Dallagnol foi escolhido por já ter analisado, no passado, assuntos relacionados a Lula.
Em nota, a equipe do senador declarou que o ex-procurador examinará os extratos e relatórios para procurar possíveis inconsistências e contestar a versão apresentada pelo PT.
Deltan tem conhecimento sobre os métodos e engrenagens financeiras investigados na Operação Lava Jato, incluindo as teias que envolveram figuras centrais do PT e negócios ligados a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Com anos de experiência na identificação de ocultação de bens, triangulações bancárias e fluxos de caixa dois, Deltan vai analisar cada extrato e relatório para desconstruir a narrativa petista e rastrear as inconsistências.Campanha de Flávio Bolsonaro, em nota

