Funcionário é acusado de acumular oito empregos públicos e receber R$ 2,3 milhões em home office

Britânico é acusado de manter oito empregos públicos e receber mais de R$ 2,3 milhões. Os contratos somavam 183 horas por semana.

Um funcionário público britânico está sendo julgado em Londres após ser acusado de manter oito empregos em órgãos públicos simultaneamente durante o período de expansão do trabalho remoto. Segundo a acusação, Kashim Chowdhury, de 55 anos, teria recebido aproximadamente 349 mil libras ao longo dos vínculos, valor equivalente a mais de R$ 2,3 milhões.

O caso chama a atenção porque os contratos atribuídos ao acusado somavam 183 horas semanais, mais do que as 168 horas que existem em uma semana inteira. A promotoria afirma que os empregadores não tinham conhecimento de todos os outros vínculos mantidos por ele.

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Chowdhury nega as nove acusações de fraude e afirma que enfrentava problemas de saúde mental. O julgamento ocorre no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, e ainda não tinha veredito final na última atualização disponível.

Oito empregos públicos e contratos de 183 horas por semana

De acordo com a acusação, Chowdhury exerceu funções em oito órgãos públicos britânicos entre fevereiro de 2020 e setembro de 2023. Entre os empregadores citados estão a Agência de Padrões Alimentares, o Ministério do Interior e o Departamento de Comércio.

A promotoria sustenta que ele conseguiu manter os vínculos sem informar a cada instituição sobre os demais trabalhos. A soma dos salários teria alcançado 349.378 libras, aproximadamente R$ 2,36 milhões, conforme a conversão apresentada no caso.

Em abril de 2023, o acusado teria recebido 11.015,62 libras líquidas de cinco empregadores em um único mês. Em maio, os pagamentos teriam totalizado outras 8.745,88 libras.

O ponto central do processo é esclarecer se houve fraude deliberada na obtenção e manutenção dos empregos e dos pagamentos.

Acusação envolve reunião por videochamada

Outro episódio citado durante o julgamento envolve uma reunião virtual realizada em maio de 2023. Segundo relatos apresentados no processo, colegas desconfiaram da aparência de Chowdhury e afirmaram ter visto uma substância branca se desfazendo em seu rosto, além de uma diferença de tonalidade entre a face e o pescoço.

A suspeita era de que ele teria usado maquiagem para aparentar estar doente e evitar questionamentos sobre seu desempenho profissional.

O acusado negou a versão. Em depoimento, afirmou que nunca havia usado maquiagem e que estava realmente resfriado naquele dia. Também negou ter simulado tosse ou outros sintomas para enganar os superiores.

As alegações fazem parte das provas discutidas no julgamento e não devem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados antes da decisão judicial.

Funcionário diz que sofria de estresse pós-traumático

Durante o depoimento, Chowdhury afirmou que foi diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático em 2015 e que os sintomas voltaram a se intensificar em 2021.

Segundo sua versão, o quadro afetou sua capacidade de tomar decisões. Ele afirmou que se candidatou a centenas de vagas públicas em busca de estabilidade profissional e também mencionou a piora da saúde da mãe, que precisava de cuidados.

O acusado reconheceu ter preenchido documentos sem informar todos os empregos que já possuía. Em um formulário enviado em agosto de 2022 à Agência de Segurança Sanitária, por exemplo, teria omitido três vínculos.

Questionado sobre a omissão, afirmou que estava sob forte estresse e que não agiu de maneira deliberada. A promotoria, por sua vez, questiona a explicação e busca demonstrar que houve intenção de ocultar informações relevantes.

Julgamento ainda precisa esclarecer as acusações

O processo deve determinar se o acusado cometeu fraude ao manter vários empregos públicos e receber os pagamentos correspondentes sem revelar os outros vínculos.

O caso também chama a atenção para os desafios de fiscalização do trabalho remoto, especialmente quando diferentes órgãos contratam um mesmo profissional sem compartilhar informações sobre sua situação funcional.

No entanto, a existência de vários contratos e de uma jornada total superior às horas disponíveis na semana não substitui a análise das provas sobre cada acusação. A responsabilidade criminal dependerá da avaliação do tribunal.

Até a última atualização disponível, Chowdhury negava as nove acusações e o julgamento continuava sem uma decisão final divulgada.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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