O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, teria pressionado o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a alterar uma carta na qual ele se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Segundo reportagem publicada pelo UOL nesta quinta-feira (29), representantes da administração americana avaliaram que a declaração poderia prejudicar as relações diplomáticas com o governo brasileiro.
De acordo com a apuração da jornalista Mariana Sanches, correspondente do portal em Washington, três fontes ligadas à diplomacia americana confirmaram, sob reserva, que representantes do Departamento de Estado atuaram para que a expressão fosse retirada do documento.
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A primeira versão da carta foi divulgada na quarta-feira (28). Cerca de 40 minutos depois, uma nova redação passou a apresentar Flávio como “líder do Brasil”, em vez de “verdadeiro presidente eleito”.
A suposta interferência, porém, foi contestada por Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro que participou da divulgação do documento. Ele negou que autoridades americanas tenham determinado a mudança e atribuiu as alterações à circulação de diferentes versões do texto.
Flávio Bolsonaro mudou expressão em carta após divulgação inicial
Na primeira versão da carta, Flávio Bolsonaro se dirigiu ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar de ter sido derrotado no segundo turno da eleição presidencial de 2026.
Após a divulgação inicial, o documento passou por alterações. Além da mudança na forma como o senador se apresentava, versões anteriores também continham diferenças no brasão utilizado e em trechos da redação.
Segundo o UOL, representantes ligados ao Departamento de Estado teriam alertado que a expressão “presidente eleito” poderia gerar consequências diplomáticas. A avaliação seria de que reconhecer Flávio nessa condição poderia comprometer a relação dos Estados Unidos com o governo brasileiro.
A reportagem também informou que um aliado americano próximo ao movimento trumpista afirmou que o secretário de Estado, Marco Rubio, chegou a ver ao menos uma das versões da carta. Paulo Figueiredo, por sua vez, negou a interferência americana.
Aliado de Flávio nega pressão dos Estados Unidos
Paulo Figueiredo contestou publicamente a informação de que representantes do governo Trump teriam pedido a mudança do texto. Em mensagem citada pelo UOL, ele questionou quem teria feito o contato e negou que autoridades americanas tivessem exigido a alteração.
O aliado de Flávio afirmou ainda que o documento passou por diferentes versões e atribuiu a mudança à utilização de um trecho de uma versão anterior, mencionando o uso de inteligência artificial na elaboração do texto.
O Departamento de Estado não havia comentado oficialmente a carta até a publicação da reportagem do UOL. Portanto, a suposta pressão diplomática é uma informação atribuída às fontes ouvidas pelo portal, e não uma intervenção oficialmente confirmada pelo governo americano.
Governo Trump buscaria preservar relação diplomática com o Brasil
Segundo a reportagem, uma das preocupações atribuídas a representantes da diplomacia americana era evitar que a declaração de Flávio fosse interpretada como um reconhecimento de sua condição de presidente eleito. Isso poderia criar dificuldades para manter relações com o governo brasileiro.
O episódio ocorre após a eleição presidencial de 2026, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno realizado em 25 de outubro. O resultado foi reconhecido pela Justiça Eleitoral brasileira, e o próprio PL reconheceu a derrota de seu candidato.
Na carta, Flávio contestou o resultado eleitoral sem apresentar provas que sustentassem suas alegações de fraude e afirmou que pretendia organizar a oposição ao governo Lula a partir dos Estados Unidos.
O senador também citou opositores venezuelanos, como Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado, ao falar sobre sua atuação no exterior.
A reportagem do UOL aponta que Washington teria interesse em evitar uma crise diplomática com o Brasil. Ainda assim, a alegada atuação de representantes americanos para modificar a carta foi negada por Paulo Figueiredo e não havia sido confirmada oficialmente pelo Departamento de Estado até a publicação do relato.

