Uma carreira em uma multinacional parecia representar o futuro profissional de Alba de la Cruz. Formada em Engenharia Aeronáutica, ela trabalhava havia cinco anos na área e havia construído uma trajetória longe da pequena cidade onde cresceu. Mas uma tradição familiar acabou mudando seus planos: a fábrica de doces de Natal criada por seu avô e mantida por seu pai.
Aos 34 anos, Alba decidiu abandonar a carreira na engenharia e retornar a Estepa, município da província de Sevilha, na Espanha. O objetivo era ajudar a família a manter viva a Dulcería La Abuela Asunción, uma empresa dedicada à fabricação de doces tradicionais consumidos principalmente durante o período natalino.
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A decisão também foi acompanhada pela irmã, Elena, que deixou sua carreira em outra cidade para trabalhar no negócio familiar.
Saudade da família motivou mudança de carreira
Alba cresceu em meio à produção de doces. Desde pequena, acompanhava a rotina da fábrica e convivia com os produtos que se tornaram parte da identidade gastronômica da região.
Apesar dessa ligação, escolheu uma formação profissional distante do setor alimentício. Estudou Engenharia Aeronáutica em Sevilha e conseguiu uma oportunidade em uma multinacional, onde permaneceu por cinco anos.
A distância da família, porém, começou a pesar. Durante os finais de semana em que retornava para Estepa, Alba sentia dificuldade em deixar novamente os familiares para voltar ao trabalho.
A engenheira relatou que tinha a sensação de estar abandonando as pessoas que amava e que seu lugar deveria ser ao lado delas.
Com o tempo, a vontade de retornar ficou mais forte do que a perspectiva de continuar crescendo na carreira que havia escolhido inicialmente.
“Sou engenheira aeronáutica, mas não consegui lutar contra o coração e vim para a fábrica da minha família”, contou Alba durante sua participação no programa espanhol Los repobladores, exibido pelo canal de televisão Sur.
Irmãs assumiram a fábrica de doces da família
A volta de Alba não foi uma decisão isolada. Sua irmã, Elena, também deixou a cidade onde trabalhava para participar da administração da empresa.
Juntas, as duas passaram a atuar diretamente na Dulcería La Abuela Asunción, negócio que havia sido construído pelas gerações anteriores da família.
A chegada das irmãs trouxe novas ideias e uma mudança na dinâmica da fábrica. O pai delas, Miguel de la Cruz, destacou o impacto da entrada das filhas na empresa e afirmou que a chegada de uma nova geração revolucionou o negócio.
A transição representa uma tentativa de preservar a tradição familiar sem deixar de adaptar a empresa às novas demandas do mercado.
Quais são os doces tradicionais produzidos pela fábrica?
A produção da Dulcería La Abuela Asunción está ligada a dois produtos bastante conhecidos na Espanha durante o Natal: os mantecados e os polvorones.
Os dois são biscoitos tradicionais, geralmente preparados com farinha, açúcar e gordura. Apesar das semelhanças, apresentam diferenças na composição, no formato e na textura.
Os mantecados costumam ter formato arredondado e podem receber diferentes sabores, como limão, canela, coco, chocolate e gergelim.
Já os polvorones são tradicionalmente ovais e levam amêndoas torradas na composição. Sua textura é bastante quebradiça, fazendo com que o doce se desmanche facilmente na boca.
O nome polvorón está relacionado à palavra espanhola polvo, referência à aparência esfarelada do produto. Já mantecado deriva de manteca, termo utilizado em espanhol para designar gordura ou banha.
Tradição familiar atravessa gerações
A história da fábrica mostra como negócios familiares podem atravessar gerações e continuar ligados à identidade de uma comunidade.
No caso de Alba e Elena, a decisão de abandonar carreiras construídas em outras cidades teve como motivação não apenas a continuidade da empresa, mas também a vontade de permanecer perto da família.
A mudança representa uma inversão de trajetória: em vez de seguir no setor para o qual estudou, Alba passou a utilizar sua formação e experiência profissional em um ambiente completamente diferente, ligado à produção de alimentos.
A história também mostra como a sucessão familiar pode ser determinante para a sobrevivência de pequenos negócios tradicionais, especialmente aqueles cuja produção depende de conhecimentos transmitidos ao longo dos anos.
Ao retornar a Estepa, as irmãs assumiram o desafio de manter a fábrica em funcionamento e levar adiante os doces que fizeram parte da infância delas e da história da família.

