O Rio Grande do Sul tem a gasolina mais barata do Brasil. Pelo menos é o que mostram os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O litro custa, em média, R$ 6,16 no Estado, o menor valor registrado entre as unidades da federação.
Apesar da posição, o preço ainda pode pesar no bolso dos motoristas. A média nacional é de R$ 6,49 por litro, cerca de 5% acima do valor encontrado nos postos gaúchos. Santa Catarina aparece na segunda colocação, com média de R$ 6,29.
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A diferença também aparece quando a comparação envolve as capitais. Porto Alegre tem a gasolina mais barata entre as capitais brasileiras, com preço médio de R$ 5,91 por litro.
Mas por que o combustível custa menos no Rio Grande do Sul? Segundo especialistas, a explicação envolve uma combinação de fatores, principalmente a relação entre oferta e demanda, a produção nas refinarias e a concorrência entre os postos.
Por que a gasolina é mais barata no Rio Grande do Sul?
Um dos fatores que ajudam a explicar o preço é a produção de combustíveis no próprio Estado. A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), estrutura da Petrobras localizada em Canoas, ampliou sua participação no refino nacional de gasolina.
Segundo informações apuradas pela coluna de Giane Guerra, da GZH, Entre janeiro e agosto de 2026, a unidade respondeu por 11,3% do refino nacional do combustível. Em 2025, a participação havia sido de 8,5%.
A Petrobras também acelerou a produção de gasolina e diesel para reduzir a necessidade de importação de combustíveis, em um cenário de alta das cotações internacionais provocado pela guerra no Irã.
Consumo de gasolina cresce pouco no Estado
Outro ponto importante está na demanda. Até agosto de 2026, as vendas de gasolina no Rio Grande do Sul cresceram apenas 0,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Segundo o economista-chefe da consultoria ES Petro, Edson Silva, a procura mais estável ajuda a explicar a diferença entre a oferta e a demanda no mercado gaúcho.
Parte dos consumidores também passou a utilizar mais etanol. No mesmo período, as vendas do biocombustível avançaram 16% no Estado, o que contribuiu para reduzir a pressão sobre a procura por gasolina.
Concorrência entre postos também influencia o preço
A quantidade de estabelecimentos e a disputa por consumidores são outros fatores apontados para explicar os valores mais baixos.
O Rio Grande do Sul conta com 3.180 postos de combustíveis. Segundo Fabrício Severo Braz, presidente do Sulpetro, sindicato que representa as revendas no Estado, os estabelecimentos gaúchos comercializam, em média, menos litros do que a média nacional por unidade.
Nesse cenário, a concorrência entre os postos também influencia a formação dos preços. A disputa por clientes pode levar os estabelecimentos a trabalhar com margens menores para manter as vendas.
Subsídios ajudam a segurar o preço da gasolina
Além dos fatores relacionados ao mercado gaúcho, medidas adotadas pelo governo federal também entram na conta.
A Petrobras tem evitado reajustes frequentes nos preços dos combustíveis, enquanto o governo federal anunciou medidas para reduzir os impactos da alta das cotações internacionais provocada pela guerra no Irã.
No início de outubro de 2026, o subsídio destinado à gasolina chegou a R$ 0,89 por litro.
Assim, o menor preço médio encontrado no Rio Grande do Sul é resultado de uma combinação de fatores: produção local, demanda relativamente estável, avanço do consumo de etanol, concorrência entre postos e medidas para conter os efeitos das oscilações internacionais.

