Uma galinhola percorreu 240 quilômetros pelo interior da França, passou por diferentes regiões e voltou exatamente ao ponto de onde havia saído. O comportamento incomum chamou a atenção de pesquisadores, que tentam descobrir por que a ave realizou um trajeto circular justamente durante o período de migração de outono na Europa.
Batizada de Charlot, a ave estava sendo monitorada desde abril de 2026 por meio de um transmissor de rádio VHF. Os registros do equipamento mostraram que ela deixou sua área habitual no início de outubro e iniciou um longo deslocamento pelo centro do país.
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Em 9 de outubro, porém, os sinais indicaram que a galinhola havia retornado ao mesmo local de descanso no planalto de Haut-Livradois, no departamento de Puy-de-Dôme.
O episódio foi divulgado pela Federação Europeia para a Caça e Conservação (FACE), com base nos dados coletados pela Federação de Caça de Puy-de-Dôme (FDC63).
Galinhola percorreu três regiões antes de retornar
O percurso de Charlot começou em direção ao oeste, rumo ao departamento de Cantal. Depois, a ave avançou até Corrèze, nas proximidades do rio Dordogne, antes de mudar novamente de direção e seguir para o norte.
Durante a viagem, o animal também passou pela região de La Tour-d’Auvergne, situada a aproximadamente 1.270 metros de altitude.
Ao completar os 240 quilômetros de deslocamento, a galinhola voltou à área onde havia permanecido durante os meses anteriores.
Os dados de rastreamento permitiram confirmar que não houve uma mudança definitiva de território. Em vez de seguir para outro local, Charlot realizou um percurso de ida e volta e retomou seu ponto habitual de descanso.
Por que a ave percorreu 240 km e voltou ao mesmo lugar?
A principal curiosidade do caso está justamente na decisão da galinhola de retornar depois de percorrer uma distância tão grande.
Até o momento, os pesquisadores não conseguiram determinar o motivo do comportamento. Duas possibilidades estão sendo consideradas.
A primeira hipótese é que Charlot tenha iniciado sua migração de outono, mas interrompido o deslocamento ao encontrar condições ambientais desfavoráveis. Mudanças na temperatura, nos ventos ou na disponibilidade de alimento podem ter influenciado o retorno.
Outra possibilidade é que a ave tenha realizado um voo exploratório, percorrendo diferentes áreas sem intenção de iniciar efetivamente a migração sazonal.
As duas explicações ainda precisam ser investigadas. Portanto, não há confirmação de que algum fator específico tenha provocado o trajeto incomum.
Alimentação pode influenciar os movimentos da galinhola
A galinhola (Scolopax rusticola) é uma ave que depende bastante das condições do solo para encontrar alimento.
Com seu bico comprido, procura principalmente invertebrados em terrenos úmidos. Por isso, características ambientais e mudanças na disponibilidade de recursos alimentares podem influenciar seus deslocamentos.
Esse comportamento torna o acompanhamento da espécie importante para entender como as aves respondem às condições dos diferentes habitats.
No caso de Charlot, os pesquisadores ainda precisam identificar se a viagem esteve relacionada à procura por alimento, a fatores climáticos ou a algum comportamento exploratório.
Transmissor de rádio permitiu acompanhar os 240 quilômetros
O deslocamento só pôde ser registrado com precisão porque Charlot utilizava um transmissor de rádio VHF, instalado para permitir o acompanhamento de seus movimentos.
O equipamento emite sinais de rádio que ajudam os pesquisadores a localizar o animal e reconstruir seus deslocamentos ao longo do tempo.
Com essa tecnologia, foi possível identificar não apenas a distância percorrida, mas também confirmar o retorno da galinhola ao mesmo ponto de descanso.
O trabalho da Federação de Caça de Puy-de-Dôme integra iniciativas de monitoramento realizadas em diferentes países europeus. Os estudos buscam compreender as rotas migratórias, os hábitos de deslocamento e as necessidades de conservação da espécie.
O caso de Charlot acrescenta mais um registro ao estudo do comportamento das aves migratórias. Por enquanto, a pergunta que permanece é por que a galinhola percorreu tantos quilômetros para, no fim, voltar exatamente para onde estava.

