Pedras gigantes de até duas toneladas foram lançadas no fundo do Mar do Norte em uma operação ambiental para dificultar a pesca de arrasto e proteger animais marinhos. A iniciativa foi realizada pelo Greenpeace próximo à costa da Inglaterra e criou obstáculos submersos em uma área de aproximadamente 116 quilômetros quadrados.
A intervenção ocorreu em uma região oficialmente protegida para a conservação das toninhas-comuns, pequenos cetáceos que dependem do ambiente marinho para encontrar alimento e sobreviver.
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A ação também chamou atenção pelo apoio de artistas de Hollywood. Os atores Benedict Cumberbatch e Simon Pegg assinaram algumas das rochas utilizadas na operação, demonstrando apoio à iniciativa de proteção dos oceanos.
Pedras de até 2 toneladas criam barreira contra a pesca de arrasto
A estratégia do Greenpeace foi instalar grandes blocos de pedra no fundo do oceano para criar obstáculos físicos às embarcações que utilizam redes de arrasto.
Essa modalidade de pesca utiliza redes pesadas que são puxadas pelo fundo do mar ou em suas proximidades para capturar animais marinhos.
O método é alvo de críticas de organizações ambientais porque pode provocar danos aos habitats submarinos, alterar ecossistemas e afetar diferentes espécies.
Segundo o Greenpeace, a presença das rochas dificulta a circulação de embarcações que utilizam esse tipo de equipamento, criando uma barreira em aproximadamente 116 km².
A organização passou a chamar a área de Parque Oceânico, em uma referência aos espaços naturais protegidos em terra firme.
Área protegida registrou milhares de horas de pesca ilegal
A intervenção aconteceu na Área Marinha Protegida do Sul do Mar do Norte, criada para preservar espécies e habitats importantes para o equilíbrio ambiental da região.
Entre os animais que dependem desse ambiente estão as toninhas-comuns (Phocoena phocoena), cetáceos que possuem parentesco com golfinhos e botos.
Apesar do status de proteção, o local continuou registrando atividades de pesca de arrasto.
De acordo com um levantamento divulgado pelo Greenpeace, a região acumulou mais de 37,2 mil horas de pesca de arrasto considerada ilegal em 2025.
Segundo a organização, o número foi superior ao registrado em qualquer outra área marinha protegida de alto-mar do Reino Unido.
O cenário motivou a mobilização dos ativistas, que decidiram instalar os obstáculos submersos para dificultar a continuidade da atividade.
Por que a pesca de arrasto ameaça as toninhas?
As toninhas-comuns dependem da disponibilidade de peixes para se alimentar. Por isso, alterações no ambiente marinho podem comprometer as condições necessárias para sua sobrevivência.
A pesca de arrasto também pode provocar impactos diretos nos habitats utilizados por diferentes espécies.
Entre os principais problemas ambientais associados à atividade estão:
- Danos ao fundo do mar e aos habitats submarinos;
- Alterações nos ecossistemas marinhos;
- Redução de populações de determinadas espécies;
- Diminuição da disponibilidade de alimentos para animais marinhos;
- Riscos para espécies que vivem ou se alimentam nas áreas afetadas.
O Greenpeace argumenta que proteger essas regiões exige medidas capazes de impedir atividades pesqueiras prejudiciais, mesmo quando os locais já possuem reconhecimento oficial como áreas de conservação.
Atores de Hollywood assinam pedras usadas na operação
A mobilização também recebeu apoio de nomes conhecidos do cinema internacional.
Os atores Benedict Cumberbatch, conhecido por trabalhos em produções como Sherlock e Doutor Estranho, e Simon Pegg, de filmes como Star Trek e Missão: Impossível, assinaram algumas das pedras utilizadas na intervenção.
O gesto foi apresentado como uma demonstração pública de apoio à proteção dos oceanos e à preservação da vida marinha.
A iniciativa também contou com participação simbólica de representantes políticos britânicos.
Entre eles estava Kerry McCarthy, parlamentar do Partido Trabalhista e ex-ministra do Clima, que defendeu medidas mais rigorosas contra a pesca industrial em áreas oficialmente protegidas.
Navio do Greenpeace continuará monitorando a região
A operação foi realizada com apoio do Arctic Sunrise, embarcação utilizada pelo Greenpeace em campanhas ambientais.
O navio permanecerá na região para acompanhar a atividade pesqueira e monitorar possíveis operações que possam prejudicar os animais e os ecossistemas marinhos.
A organização pretende manter a fiscalização e chamar atenção para a diferença entre reconhecer uma área como protegida e garantir que as regras de conservação sejam efetivamente respeitadas.
Com a instalação das pedras, o Greenpeace afirma ter criado uma barreira física em 116 quilômetros quadrados do Mar do Norte. A iniciativa busca transformar a proteção ambiental da região em uma medida prática de defesa da vida marinha.

