Multinacional americana fecha fábrica no Brasil após quase 50 anos e demite cerca de 100 trabalhadores

Parker Hannifin fechou fábrica após quase 50 anos. Acordo garantiu R$ 35 mil de indenização e benefícios por 12 meses aos demitidos.

Parker Hannifin encerrou unidade em Jacareí, no interior de São Paulo. Após 38 dias de greve, funcionários conseguiram acordo com indenização de R$ 35 mil e manutenção de benefícios por um ano.

A decisão de fechar a fábrica foi anunciada em 17 de julho de 2026 e atingiu uma unidade que produzia válvulas e componentes destinados principalmente aos setores agrícola e de máquinas industriais.

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A companhia justificou o encerramento como parte de uma estratégia de otimização operacional. A decisão provocou reação dos trabalhadores, que tentaram preservar os empregos e buscaram melhores condições para quem seria desligado.

Fábrica da Parker Hannifin funcionava desde a década de 1970

A unidade de Jacareí tem uma trajetória que remonta à década de 1970, quando estava ligada à empresa Schrader Bellows. Em 1985, passou a integrar a Parker Hannifin.

Ao longo de quase cinco décadas, a fábrica produziu componentes utilizados em máquinas e equipamentos industriais, além de válvulas destinadas ao setor agrícola.

O fechamento representou o fim das atividades industriais daquela unidade, mas não significou a saída da multinacional do Brasil. A empresa mantém outras operações no país, incluindo instalações na região de São José dos Campos.

Trabalhadores fizeram greve durante 38 dias

Após o anúncio do encerramento, os funcionários iniciaram uma greve em 20 de julho para tentar impedir o fechamento e negociar alternativas.

Entre as reivindicações estava a possibilidade de transferência dos profissionais para outras unidades da companhia. Os trabalhadores também cobraram compensações financeiras mais vantajosas para aqueles que perderiam os empregos.

Durante a mobilização, houve manifestações e a instalação de um acampamento em frente a uma unidade da empresa em São José dos Campos.

As demissões foram comunicadas em agosto, enquanto a paralisação ainda estava em andamento. O conflito passou então a envolver principalmente as condições oferecidas aos funcionários dispensados.

Acordo garante R$ 35 mil de indenização por trabalhador

A negociação avançou em uma audiência de mediação realizada em 26 de agosto no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas. O entendimento envolveu a empresa, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região e o Ministério Público do Trabalho.

A proposta foi aprovada pelos trabalhadores no fim de agosto, encerrando a greve após 38 dias.

O acordo prevê:

  • R$ 35 mil de indenização social para cada trabalhador demitido;
  • manutenção do plano de saúde por 12 meses;
  • continuidade da assistência odontológica por 12 meses;
  • manutenção do vale-alimentação pelo mesmo período;
  • condições específicas para determinados grupos, incluindo trabalhadores próximos da aposentadoria e profissionais com situações relacionadas a doenças ocupacionais ou acidentes de trabalho.

A indenização social é adicional às verbas rescisórias previstas na legislação trabalhista.

O valor de R$ 35 mil ficou acima das primeiras propostas apresentadas pela empresa. Segundo informações divulgadas durante a negociação, a oferta inicial era de R$ 2 mil por funcionário e depois chegou a R$ 20 mil, antes de alcançar o valor final.

Multinacional registrou lucro ajustado de US$ 1 bilhão em um trimestre

O fechamento da fábrica ganhou repercussão também pelo desempenho financeiro da Parker Hannifin.

Em balanço divulgado em 30 de abril de 2026, a companhia informou vendas de US$ 5,5 bilhões no trimestre encerrado em 31 de março. O lucro líquido ajustado chegou a US$ 1 bilhão, crescimento de 16% na comparação anual.

É importante diferenciar esse indicador do lucro líquido contábil: no mesmo trimestre, a empresa informou lucro líquido de US$ 900 milhões. O valor de US$ 1 bilhão corresponde ao resultado ajustado, calculado com critérios específicos da companhia.

No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a Parker registrou vendas de US$ 21,5 bilhões e lucro líquido de aproximadamente US$ 3,6 bilhões. Os números mostram a dimensão global do grupo, mas não explicam, isoladamente, os motivos econômicos e operacionais que levaram ao fechamento da unidade brasileira.

Parker Hannifin continua operando no Brasil

Apesar do encerramento da fábrica de Jacareí, a multinacional não anunciou a saída do mercado brasileiro.

A companhia mantém outras instalações no país e informou que a decisão faz parte de uma reorganização de suas operações. Antes do fechamento, dados corporativos indicavam uma estrutura brasileira com aproximadamente 950 funcionários e cinco unidades fabris.

O caso terminou com a perda dos postos de trabalho na unidade de Jacareí, mas também com uma conquista nas negociações: os trabalhadores conseguiram elevar a indenização social e assegurar a continuidade de benefícios por 12 meses.

A história mostra como uma mobilização coletiva pode influenciar as condições de um processo de desligamento, mesmo quando não consegue evitar o encerramento de uma fábrica.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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