Milhões de brasileiros precisarão observar novas regras de identificação para solicitar benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A exigência de biometria está sendo ampliada gradualmente e terá a Carteira de Identidade Nacional (CIN) como principal documento de referência nos próximos anos.
A mudança faz parte de uma estratégia do Governo Federal para reforçar a segurança na concessão de aposentadorias, pensões e outros benefícios. O objetivo é confirmar a identidade dos solicitantes, dificultar fraudes e evitar pagamentos indevidos.
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Apesar da ampliação das exigências, não é necessário entrar em pânico. O calendário prevê um período de transição, e o INSS esclareceu que a ausência de biometria não provoca o bloqueio automático dos benefícios que já estão sendo pagos.
INSS exige biometria para novos pedidos de benefícios
A comprovação biométrica passou a ser exigida para novos pedidos de benefícios do INSS a partir de 21 de novembro de 2025.
Na prática, o cidadão precisa ter seus dados biométricos registrados em uma das bases oficiais aceitas pelo governo. Esse cadastro pode envolver impressões digitais e reconhecimento facial, utilizados para confirmar a identidade.
Durante a fase de transição, diferentes documentos podem servir para comprovar a existência desse registro, conforme o calendário e as regras de cada benefício.
Entre os documentos e cadastros considerados estão:
- Carteira de Identidade Nacional (CIN);
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
- Cadastro biométrico da Justiça Eleitoral, conforme as regras aplicáveis;
- Documentos de identificação de migrantes, refugiados e apátridas previstos na regulamentação.
A exigência não significa que todos os brasileiros precisam emitir imediatamente uma nova identidade. Quem já possui biometria válida em uma das bases aceitas poderá aproveitar o cadastro durante o período de transição.
Nova Carteira de Identidade será necessária a partir de 2027
O calendário estabelece uma mudança importante a partir de 1º de janeiro de 2027.
Quem não tiver cadastro biométrico válido nas bases reconhecidas deverá providenciar a Carteira de Identidade Nacional para cumprir a exigência nos procedimentos abrangidos pelas regras.
Já as pessoas que possuem registros biométricos anteriores poderão utilizar esses dados durante o período de transição, respeitando as condições e os prazos específicos.
A partir de 1º de janeiro de 2028, a biometria vinculada à CIN passa a ser a referência exclusiva como regra geral para a identificação biométrica na concessão, manutenção e renovação dos benefícios da Seguridade Social, observadas as exceções previstas na regulamentação.
Veja os principais prazos da biometria do INSS
O cronograma foi organizado em etapas para permitir que os brasileiros atualizem seus documentos sem uma mudança imediata para todos os beneficiários.
Confira as datas:
- 21 de novembro de 2025: a biometria passou a ser exigida para novos pedidos de benefícios do INSS.
- 1º de janeiro de 2027: quem não possui biometria válida nas bases reconhecidas deverá utilizar a CIN para cumprir a exigência nos procedimentos abrangidos.
- 31 de dezembro de 2027: termina o período de transição para o aproveitamento de determinados cadastros biométricos anteriores, conforme as regras aplicáveis.
- 1º de janeiro de 2028: a CIN passa a ser a referência biométrica exclusiva como regra geral.
É importante observar que existem prazos particulares para alguns benefícios. No caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo, a regulamentação estabelece datas específicas para o aproveitamento de registros biométricos anteriores, tanto em novos pedidos quanto na manutenção ou revisão do benefício.
Aposentados e pensionistas podem ter o benefício bloqueado?
Uma das principais dúvidas envolve quem já recebe aposentadoria, pensão ou outro pagamento previdenciário.
O INSS esclareceu, em comunicado divulgado em 27 de outubro de 2026, que é falsa a informação de que os beneficiários precisam apresentar documento com biometria até 20 de novembro para evitar o bloqueio dos pagamentos.
A exigência biométrica começou para novos pedidos. Para quem já recebe benefício, a implementação ocorre de maneira gradual.
Portanto, aposentados e pensionistas não precisam comparecer imediatamente a uma agência do INSS apenas para realizar o cadastro biométrico. Caso seja necessária alguma atualização, o segurado deverá acompanhar as orientações oficiais.
O instituto também esclarece que não realiza o cadastramento biométrico diretamente em suas agências. A coleta acontece durante a emissão de documentos oficiais, como a Carteira de Identidade Nacional e a CNH.
Quem está dispensado da exigência de biometria?
A regulamentação prevê situações em que a exigência poderá ser dispensada, especialmente quando houver dificuldades para realizar a identificação presencial.
Entre os grupos contemplados estão:
- Pessoas com mais de 80 anos;
- Migrantes, refugiados e apátridas que atendam às condições previstas;
- Brasileiros residentes no exterior, conforme a documentação exigida;
- Pessoas impossibilitadas de se deslocar por motivo de saúde ou deficiência, mediante comprovação;
- Moradores de localidades de difícil acesso, conforme os critérios estabelecidos.
Também existem regras específicas para determinados benefícios. O INSS informou que pedidos de salário-maternidade, benefícios por incapacidade e pensão por morte estão entre as situações contempladas por exceções à exigência biométrica, conforme as condições e os prazos da regulamentação.
Como emitir a nova Carteira de Identidade Nacional
Quem ainda não possui a CIN pode solicitar o documento nos órgãos de identificação civil do estado onde mora.
A primeira emissão da versão em papel é gratuita. O procedimento costuma exigir agendamento e atendimento presencial para fotografia e coleta das impressões digitais.
Veja como fazer:
- Acesse o portal oficial de identificação do seu estado ou o site gov.br/identidade.
- Consulte os postos disponíveis e verifique a necessidade de agendamento.
- Separe a certidão de nascimento ou de casamento e os documentos solicitados.
- Compareça ao atendimento para realizar a coleta biométrica.
- Acompanhe as orientações para receber o documento.
Depois da emissão, também é possível acessar a versão digital da CIN pelo aplicativo Gov.br.
RG antigo ainda é válido?
Sim. A Carteira de Identidade tradicional continua válida, em regra, até 28 de fevereiro de 2032.
Entretanto, a validade do RG antigo não significa que ele será suficiente para cumprir todas as novas exigências biométricas do INSS.
A CIN utiliza o CPF como número único de identificação nacional e reúne mecanismos que permitem confirmar a identidade do cidadão em diferentes serviços públicos.
Por isso, mesmo que o documento antigo continue válido, a emissão da nova identidade poderá ser necessária para atender às regras de identificação biométrica.
Biometria do INSS não é a mesma coisa que prova de vida
Outro ponto importante é que o cadastro biométrico e a prova de vida são procedimentos diferentes.
A biometria serve para confirmar a identidade do cidadão em determinadas operações e solicitações de benefícios. Já a prova de vida é utilizada para verificar se o beneficiário continua vivo e atende às condições para a manutenção do pagamento.
Assim, ter biometria cadastrada não significa que todas as obrigações relacionadas à prova de vida foram automaticamente cumpridas.
A recomendação é acompanhar as notificações e orientações pelos canais oficiais, principalmente pelo aplicativo ou site Meu INSS.
Com a implantação gradual das novas regras, a Carteira de Identidade Nacional ganha importância para quem pretende solicitar benefícios previdenciários e assistenciais. No entanto, quem já recebe pagamentos não deve tomar decisões com base em mensagens alarmistas: o INSS afirma que não haverá bloqueio automático apenas pela falta de um documento com biometria.

