“Não queremos ir embora”: tradicional fábrica fecha as portas após mais de 50 anos e demite mais de 150 trabalhadores

Tradicional fábrica de papel encerra atividades na Argentina, deixa cerca de 160 trabalhadores sem emprego e provoca cenas de choro durante assembleia.

Uma tradicional fábrica de papel anunciou o fechamento definitivo de suas instalações após mais de 50 anos de atividades e deixou aproximadamente 160 trabalhadores diante da perda do emprego. A decisão provocou cenas de choro, revolta e preocupação entre os funcionários, que receberam a notícia do encerramento de uma das principais indústrias da cidade.

O caso aconteceu em Tornquist, município localizado na província de Buenos Aires, na Argentina. A empresa responsável pelo fechamento é a Papelera del Sur, indústria especializada na fabricação de cartolina reciclada utilizada na produção de embalagens.

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O anúncio foi comunicado aos representantes sindicais na quarta-feira (4). Segundo os trabalhadores, a companhia alegou dificuldades financeiras e falta de competitividade diante da entrada de produtos importados, especialmente materiais provenientes do Brasil.

A notícia provocou forte comoção entre os funcionários. Durante uma assembleia, o secretário-geral do Sindicato dos Papeleiros, Gustavo Lanaro, chorou ao falar sobre o futuro das famílias afetadas.

Em uma declaração emocionada, o dirigente afirmou, em tradução do espanhol: “Não queremos ir embora daqui. Não sei o que vamos fazer.”

A frase resume a preocupação dos trabalhadores, muitos dos quais construíram suas vidas na cidade e passaram décadas trabalhando na indústria.

Tradicional fábrica fecha após mais de 50 anos; entenda o motivo

A Papelera del Sur começou suas atividades em 1960 e passou a integrar o Grupo HZ em 1973.

Durante décadas, a indústria se tornou uma referência na produção de cartolina reciclada, utilizada principalmente na fabricação de embalagens para alimentos e outros produtos.

Entretanto, nos últimos anos, a companhia começou a enfrentar dificuldades para manter suas atividades.

Segundo representantes sindicais, a empresa alegou que os custos de produção e a concorrência com produtos importados tornaram a operação economicamente inviável.

A fábrica utilizava equipamentos antigos e enfrentava dificuldades para competir com materiais que chegavam ao mercado argentino a preços mais baixos.

De acordo com o Ministério do Trabalho da província de Buenos Aires, a unidade estava havia aproximadamente sete meses sem atividade produtiva.

Diante desse cenário, a empresa comunicou a decisão de encerrar definitivamente as operações e desligar os funcionários.

Ao todo, aproximadamente 160 trabalhadores serão afetados. Desse grupo, cerca de 110 estão vinculados ao acordo coletivo da categoria, enquanto outros 50 ocupam cargos fora desse regime.

“Não queremos ir embora”: trabalhadores choram após anúncio

Um dos momentos mais emocionantes ocorreu durante uma reunião convocada para explicar o encerramento das atividades.

Diante dos colegas, Gustavo Lanaro, secretário-geral do sindicato, não conseguiu conter as lágrimas.

O dirigente explicou que muitos funcionários nasceram em Tornquist, construíram suas famílias na cidade e nunca imaginaram precisar procurar trabalho em outro município.

Ao falar sobre a possibilidade de deixar o lugar onde vive, afirmou que os trabalhadores desejam permanecer na comunidade.

A declaração ganhou repercussão depois que imagens da assembleia começaram a circular nas redes sociais.

Em outra manifestação, Lanaro contou que os representantes sindicais foram convocados para uma reunião em Bahía Blanca sem saber que receberiam a notícia do fechamento.

Segundo ele, os trabalhadores tinham conhecimento das dificuldades financeiras, mas ainda acreditavam em uma possível recuperação da empresa.

O dirigente também revelou que nunca imaginou precisar comunicar aos próprios colegas o encerramento definitivo da fábrica.

Funcionários fizeram sacrifícios para tentar salvar empregos

A situação da Papelera del Sur já vinha se deteriorando havia alguns anos.

Segundo os representantes sindicais, a empresa chegou a reduzir sua produção e adotar suspensões temporárias para diminuir despesas.

Em 2025, a fábrica chegou a funcionar apenas cerca de 15 dias por mês.

Os funcionários também relataram períodos de redução salarial e mudanças nas jornadas de trabalho.

As medidas foram aceitas por parte dos trabalhadores na tentativa de preservar os empregos e manter a indústria funcionando.

Entretanto, a situação não apresentou a recuperação esperada.

De acordo com Gustavo Lanaro, os trabalhadores acreditavam que os esforços poderiam garantir a continuidade da operação até que as condições econômicas melhorassem.

A decisão de fechar definitivamente as instalações, porém, encerrou essa expectativa.

Fábrica de papel não conseguia competir com produtos importados

Uma das principais justificativas apresentadas pela empresa foi a dificuldade para competir com cartolinas importadas.

A Papelera del Sur produzia material reciclado utilizado como matéria-prima por outras unidades industriais.

Entretanto, segundo os representantes sindicais, passou a ser economicamente mais vantajoso importar determinados produtos do que continuar fabricando na unidade de Tornquist.

Parte da matéria-prima utilizada nas operações do grupo passou a ser adquirida do Brasil.

O dirigente sindical Mauro Herrada explicou à imprensa argentina que os equipamentos antigos também prejudicavam a competitividade.

Além das diferenças nos custos de fabricação, a empresa enfrentava um cenário de redução da atividade industrial.

Segundo os trabalhadores, a companhia pretende manter outras operações relacionadas à fabricação de embalagens utilizando materiais importados.

Isso significa que o encerramento da unidade de Tornquist não representa necessariamente o fim de todas as atividades do grupo empresarial.

Fechamento de tradicional fábrica preocupa cidade inteira

O impacto da decisão ultrapassa os 160 funcionários diretamente afetados.

Tornquist possui aproximadamente 7,5 mil habitantes e tem na indústria uma importante fonte de empregos e movimentação econômica.

Durante décadas, a Papelera del Sur ajudou a sustentar famílias e movimentou o comércio local.

Além dos empregados, transportadoras, fornecedores, prestadores de serviços e pequenos estabelecimentos comerciais dependiam direta ou indiretamente da atividade industrial.

Com o fechamento, a circulação de dinheiro na cidade poderá diminuir.

A preocupação é especialmente grande porque o município possui um mercado de trabalho limitado para absorver tantos profissionais ao mesmo tempo.

Para algumas famílias, a indústria representava uma fonte de renda mantida por diferentes gerações.

O dirigente sindical Mauro Herrada afirmou que o impacto não ficará restrito aos funcionários da fábrica, mas atingirá também a economia da comunidade.

A avaliação é compartilhada por autoridades locais, que demonstraram preocupação com as consequências sociais do encerramento. La Nueva

Governo tenta evitar fechamento definitivo e recebe resposta da empresa

O anúncio também provocou uma reação do governo da província de Buenos Aires.

O Ministério do Trabalho decidiu intervir e convocou representantes da companhia e dos trabalhadores para discutir possíveis alternativas.

A primeira audiência aconteceu na sexta-feira (6), em Bahía Blanca.

Durante o encontro, foram apresentadas propostas para tentar preservar a atividade industrial e evitar a perda dos empregos.

Entre as possibilidades discutidas estavam medidas de apoio econômico e alternativas para reduzir os custos da operação.

Entretanto, os representantes da Papelera del Sur mantiveram a posição de encerrar as atividades.

A falta de acordo provocou frustração entre os trabalhadores.

Mesmo assim, o sindicato conseguiu a continuidade das negociações e solicitou a participação dos proprietários do grupo empresarial em uma nova reunião.

A próxima audiência está marcada para quinta-feira, 12 de novembro.

Até o momento, não existe confirmação de que a empresa tenha desistido do fechamento. BVC Noticias+1

Empresa promete pagar indenizações aos 160 trabalhadores

Segundo representantes sindicais, a Papelera del Sur informou que pretende realizar o pagamento das indenizações e das demais verbas rescisórias até o final de novembro.

Entretanto, a promessa não foi suficiente para tranquilizar os funcionários.

O principal problema apontado pelos trabalhadores é a dificuldade de encontrar novos empregos na cidade.

Muitos passaram décadas na indústria e temem precisar deixar Tornquist para buscar oportunidades em outras regiões.

A situação também preocupa familiares que dependem diretamente dos salários recebidos pelos empregados.

Embora o pagamento das indenizações possa oferecer algum suporte financeiro temporário, os trabalhadores afirmam que a prioridade continua sendo preservar os postos de trabalho.

Tradicional fábrica ainda pode voltar a funcionar?

Apesar das negociações conduzidas pelo governo provincial, o futuro da Papelera del Sur permanece incerto.

A empresa comunicou a intenção de encerrar definitivamente a operação, mas os representantes sindicais continuam tentando encontrar alternativas.

A audiência prevista para 12 de novembro poderá trazer novos desdobramentos.

Até lá, os trabalhadores seguem mobilizados na tentativa de reverter a decisão.

O encerramento da fábrica representa uma perda importante para Tornquist, não apenas pelo número de empregos afetados, mas também pela relação construída entre a indústria e a comunidade ao longo de mais de meio século.

Para os funcionários que participaram da assembleia, a preocupação vai além da necessidade de encontrar uma nova fonte de renda.

Muitos desejam continuar vivendo na cidade onde nasceram, criaram seus filhos e construíram suas histórias.

É justamente esse sentimento que aparece na declaração emocionada de Gustavo Lanaro, ao afirmar que os trabalhadores não querem abandonar Tornquist depois de tantos anos ligados à fábrica.

Jaime Zanatta
Jaime Zanatta
Jornalista formado pela Unisinos escreve sobre economia, cotidiano, polícia e o dia a dia das cidades.
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