Um navio chinês de proporções impressionantes está atravessando os oceanos para participar de uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no Brasil. Com uma torre de 156 metros de altura e capacidade para movimentar estruturas de até 700 toneladas, a embarcação foi projetada para executar trabalhos de engenharia em águas profundas.
O equipamento, chamado Tie Jian Da Qiao Zhuang 1, também conhecido como CRCC Bridge Piling No. 1, será utilizado na construção da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica, na Bahia. A estrutura terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos e será a maior ponte da América Latina considerando o trecho construído sobre a água.
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A embarcação deixou o porto de Lüsi, na província chinesa de Jiangsu, em 27 de setembro de 2026. O planejamento divulgado previa aproximadamente 45 dias de viagem até a Bahia, com passagem pelo Sudeste Asiático e pelo sul da África.
Navio chinês saiu da China para participar da construção da ponte
A viagem internacional começou no final de setembro, quando o equipamento partiu do terminal portuário de Lüsi. Antes de seguir em direção ao Brasil, a embarcação passou por Singapura, importante ponto de conexão das rotas marítimas internacionais.
O percurso inclui a travessia do Estreito de Malaca, a passagem pelo Oceano Índico e o contorno do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente africano. Depois, o navio segue pelo Atlântico em direção ao litoral brasileiro.
A previsão inicial era de que a travessia durasse cerca de 45 dias. A chegada à Bahia foi estimada para novembro, mas o cronograma pode sofrer alterações conforme as condições marítimas e operacionais.
Essa será a primeira missão internacional do equipamento, desenvolvido para atuar em projetos de engenharia marítima de grande porte.
Torre de 156 metros e capacidade para levantar 700 toneladas
O tamanho da embarcação chama a atenção até mesmo entre os equipamentos utilizados em grandes obras de infraestrutura.
O navio possui:
- 130,5 metros de comprimento;
- 40,8 metros de largura;
- 156 metros de altura na estrutura de cravação;
- Capacidade de içamento de até 700 toneladas;
- Condições operacionais para trabalhar em águas com até 70 metros de profundidade.
A estrutura foi desenvolvida para instalar estacas de grandes dimensões no fundo do mar. Essas peças funcionam como fundações e são essenciais para sustentar pontes, plataformas e outras construções marítimas.
No caso da obra baiana, o equipamento será especialmente importante porque algumas regiões da Baía de Todos-os-Santos apresentam profundidades de até 64 metros.
Isso exige máquinas capazes de executar operações complexas sem comprometer o posicionamento das estruturas.
Tecnologia chinesa será usada para instalar fundações no fundo do mar
O trabalho de um navio bate-estacas vai muito além de transportar materiais. A embarcação funciona como uma plataforma especializada em posicionar e cravar grandes estacas no leito marítimo.
Essas estruturas precisam alcançar camadas resistentes do solo para sustentar o peso da futura ponte e suportar os esforços provocados pelo tráfego de veículos, ventos, correntes marítimas e outras condições ambientais.
Para executar essa tarefa, o Tie Jian Da Qiao Zhuang 1 utiliza sistemas de estabilização, posicionamento e controle que permitem realizar operações com elevada precisão.
O equipamento também foi projetado para enfrentar condições complexas de navegação e trabalho em águas profundas.
A tecnologia será aplicada principalmente nas fundações do trecho central da ponte, considerado um dos pontos de maior dificuldade técnica do empreendimento.
Ponte Salvador–Ilha de Itaparica terá 12,4 quilômetros sobre o mar
A futura Ponte Salvador–Ilha de Itaparica vai ligar a capital baiana ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, atravessando a Baía de Todos-os-Santos.
O trecho construído sobre a água terá 12,4 quilômetros de extensão. Com essa dimensão, o empreendimento será considerado a maior ponte da América Latina sobre lâmina d’água.
O projeto faz parte do Sistema Viário Oeste e não se limita à estrutura que atravessará a baía. Também prevê intervenções rodoviárias nos dois lados da ligação.
Em Salvador, estão planejados novos acessos, viadutos e túneis para conectar a ponte à Via Expressa e às avenidas da região portuária.
Na Ilha de Itaparica, o projeto inclui uma via expressa de aproximadamente 22 quilômetros e intervenções na BA-001.
A proposta é facilitar o deslocamento entre a capital, a ilha e municípios do interior baiano, além de ampliar a integração logística e econômica da região.
Vão central terá 682 metros para permitir passagem de grandes navios
Um dos principais desafios do projeto é garantir que a ponte não prejudique a circulação de embarcações pela Baía de Todos-os-Santos.
Por esse motivo, o projeto prevê um vão central de 682 metros na parte estaiada da estrutura. Esse espaço permitirá a passagem de navios de grande porte que utilizam a região.
A altura livre prevista é de aproximadamente 85 metros em relação ao nível do mar.
As dimensões foram planejadas para atender às necessidades da navegação comercial, incluindo embarcações de transporte de cargas e outros navios de grandes dimensões.
Essa característica torna a construção ainda mais complexa, já que as equipes precisam conciliar as exigências da engenharia rodoviária com a manutenção do tráfego marítimo.
Obra terá plataforma provisória de 12 quilômetros
Além da ponte definitiva, o projeto prevê uma estrutura temporária de apoio à construção.
A chamada Plataforma Linear Provisória terá aproximadamente 12 quilômetros de extensão e será instalada paralelamente ao traçado da futura ponte.
A estrutura funcionará como uma espécie de caminho de acesso sobre o mar, permitindo a circulação de trabalhadores, caminhões e equipamentos utilizados na obra.
Com isso, será possível transportar materiais e executar diferentes etapas da construção sem depender exclusivamente de embarcações.
Depois da conclusão do empreendimento, a plataforma provisória deverá ser desmontada e retirada.
Investimento é de R$ 11,6 bilhões e conclusão está prevista para 2031
A Ponte Salvador–Ilha de Itaparica tem investimento total estimado em R$ 11,6 bilhões e será executada por meio de uma parceria público-privada entre o Governo da Bahia e a concessionária responsável pelo empreendimento.
O projeto reúne empresas chinesas de engenharia e prevê a construção da ponte, dos acessos rodoviários, dos túneis e das demais estruturas necessárias à ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica.
Em outubro de 2026, o Governo Federal formalizou a destinação de R$ 3 bilhões por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), para apoiar os investimentos públicos previstos no projeto.
O cronograma estabelece junho de 2031 como prazo para conclusão do sistema viário.
Depois da entrega, a concessionária ficará responsável pela operação e manutenção da estrutura durante o período previsto no contrato.
Ponte pode transformar o deslocamento na Bahia
A expectativa do governo estadual é que a nova ligação reduza distâncias e facilite o transporte de pessoas e mercadorias entre Salvador, a Ilha de Itaparica e outras regiões baianas.
Atualmente, a travessia entre a capital e a ilha depende principalmente do sistema de ferry-boat, que enfrenta limitações de capacidade e períodos de espera.
Com a ponte, o deslocamento poderá ser realizado por uma ligação rodoviária permanente, ampliando as possibilidades de circulação na região.
O projeto também é apontado como uma iniciativa capaz de estimular o turismo, atrair investimentos e gerar empregos durante a construção e a operação.
A chegada do navio chinês representa, portanto, mais uma etapa da mobilização de equipamentos especializados para tirar do papel uma das maiores obras de infraestrutura do país.

