Os casos de Covid-19 voltaram a apresentar crescimento no Brasil. Dados do Ministério da Saúde apontam uma tendência de alta nas notificações há seis semanas, com aumento identificado em 19 unidades da Federação e registros em todas as faixas etárias.
O movimento também começa a aparecer nos hospitais. Um boletim divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na quinta-feira (5) identificou sinais de crescimento dos casos graves provocados pelo coronavírus em diferentes regiões do país.
LEIA TAMBÉM
- “Ele está bem”: pais reencontram filho que estava desaparecido há 15 dias em Canoas
- Pé-de-Meia Universitário começa em 2027 e poderá pagar R$ 700 por mês a estudantes
- Ciclovia será construída debaixo d’água no Brasil
Apesar disso, os indicadores ainda apontam baixa circulação da doença. O Ministério da Saúde classifica como baixo o nível de atividade da Covid-19 em todos os estados, enquanto a Fiocruz também registra baixa incidência de casos graves.
Desde o início de 2026, o país contabilizou 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid-19. O levantamento considera dados atualizados até 4 de novembro e não representa o total de pessoas infectadas, já que nem todos os casos são diagnosticados ou registrados.
Outro indicador reforça a tendência de crescimento: laboratórios privados registram nove semanas consecutivas de aumento na proporção de testes positivos para o coronavírus.
Covid-19 cresce em 19 estados e no Distrito Federal
A análise do Ministério da Saúde considera as notificações das seis semanas mais recentes, até o período de 25 a 31 de outubro. Para identificar a tendência, o levantamento utiliza modelos estatísticos que também estimam possíveis atrasos nos registros oficiais.
O crescimento foi identificado em 19 unidades da Federação, distribuídas pelas cinco regiões brasileiras:
- Norte: Rondônia e Roraima.
- Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí.
- Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso.
- Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
- Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
A tendência de alta considera o comportamento dos registros ao longo do período analisado. Portanto, não significa que o número de casos tenha aumentado em todas as semanas.
Mesmo com o avanço das notificações, o Ministério da Saúde ressalta que a atividade da doença continua em nível baixo em todos os estados.
Internações por Covid-19 também apresentam sinais de alta
O aumento da circulação do coronavírus começa a aparecer nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quadro de agravamento dos sintomas respiratórios que pode exigir hospitalização.
De acordo com o boletim InfoGripe, da Fiocruz, há sinais de crescimento dos casos graves de Covid-19 em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Em Mato Grosso, o coronavírus aparece como principal responsável pelo aumento das ocorrências de SRAG.
Até 31 de outubro, o Ministério da Saúde havia registrado 3.479 hospitalizações por SRAG com detecção do SARS-CoV-2 em 2026. No mesmo período, foram contabilizadas 437 mortes de pacientes com quadros graves nos quais o vírus foi identificado.
Os registros podem incluir pessoas que tiveram detecção simultânea de mais de um vírus respiratório.
O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o aumento das internações pode acompanhar a maior circulação do coronavírus. Isso não significa, necessariamente, que o vírus esteja provocando quadros mais graves do que antes.
Quando mais pessoas são infectadas, também pode crescer o número absoluto de pacientes que desenvolvem complicações, mesmo sem alteração na proporção de casos que evoluem para quadros graves.
Apesar dos sinais de alta relacionados à Covid-19, o total de internações por doenças respiratórias apresenta tendência de queda no Brasil.
Nas últimas quatro semanas analisadas pela Fiocruz, o coronavírus foi identificado em 8,5% dos casos graves com resultado positivo para vírus respiratórios e em 24,1% dos óbitos desse grupo. Esses percentuais representam a participação do vírus entre os registros analisados, e não o risco de morte entre pessoas infectadas.
Novas variantes do coronavírus estão em circulação
O Ministério da Saúde também acompanha as linhagens do coronavírus por meio do sequenciamento genético de amostras coletadas de pacientes.
Em 2026, até a semana epidemiológica 42, foram registrados 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid. As análises identificaram 127 linhagens diferentes do SARS-CoV-2.
Aproximadamente 90% das amostras sequenciadas pertenciam à linhagem XFG ou a suas descendentes.
Segundo Kfouri, o surgimento de novas variantes faz parte da evolução do coronavírus e contribui para a ocorrência de ondas periódicas de infecção. Isso acontece porque o vírus sofre alterações genéticas ao longo do tempo, e algumas linhagens podem encontrar condições favoráveis para se espalhar.
A predominância de uma linhagem, no entanto, não significa que ela seja necessariamente responsável pelo aumento dos casos ou que provoque uma doença mais grave.
O infectologista afirma que, até o momento, não há sinais de uma mudança no padrão de gravidade associada às variantes em circulação.
Idosos e pessoas com doenças crônicas exigem atenção
Embora a Covid-19 apresente atualmente um cenário diferente daquele observado no início da pandemia, a doença ainda pode provocar complicações, internações e mortes.
O risco de agravamento continua maior entre idosos, pessoas imunocomprometidas e indivíduos com determinadas doenças crônicas.
Dados do InfoGripe mostram que, considerando o conjunto das síndromes respiratórias graves, a incidência é mais elevada entre crianças pequenas, especialmente aquelas com menos de dois anos. Já a mortalidade por SRAG é maior entre pessoas com 65 anos ou mais.
Esses indicadores consideram diferentes vírus respiratórios, e não apenas o coronavírus. No caso específico da Covid-19, a Fiocruz aponta que a incidência de casos graves permanece baixa em todas as faixas etárias.
Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção
Diante do aumento recente, a recomendação destacada pelos especialistas é manter a vacinação em dia, principalmente entre os grupos mais vulneráveis.
No Calendário Nacional de Vacinação, idosos a partir de 60 anos têm recomendação de doses semestrais contra a Covid-19. Gestantes devem receber uma dose a cada gravidez, enquanto crianças pequenas seguem esquemas de duas ou três doses, conforme o imunizante utilizado.
Pessoas imunocomprometidas também precisam de doses periódicas. Outros grupos prioritários, incluindo pessoas com comorbidades, têm orientações específicas.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, reforçou a importância da imunização em comunicado da instituição.
“A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação”, afirmou.
O infectologista Renato Kfouri também recomenda atenção aos sintomas respiratórios e cuidados para evitar a transmissão, especialmente no contato com pessoas mais vulneráveis. Em caso de sinais de agravamento, a orientação é procurar avaliação médica.

