Usina de mais de 50 anos pode receber investimento de £ 20 bilhões para abastecer inteligência artificial

Usina Drax poderá receber complexo de data centers com investimento superior a £ 20 bilhões e operação inicial prevista para 2028.

Uma usina britânica que começou a funcionar em 1974 poderá se tornar um dos principais centros de infraestrutura para inteligência artificial do Reino Unido. A Drax Power Station, localizada em North Yorkshire, foi escolhida para receber um megacomplexo de data centers com potencial de investimento superior a £ 20 bilhões, aproximadamente 20 bilhões de libras esterlinas.

O empreendimento reúne a Drax, a gestora de investimentos Brookfield e a empresa de infraestrutura digital Radiant, com participação da joint venture de inteligência artificial formada por Brookfield e Qai, do Catar.

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A proposta é aproveitar a estrutura energética já existente no terreno para instalar grandes centros de processamento de dados, equipamentos e servidores utilizados em aplicações de inteligência artificial.

O projeto será desenvolvido em etapas. A primeira fase poderá começar a operar comercialmente no primeiro trimestre de 2028, mas sua execução depende de licenças, autorizações regulatórias, conexão à rede elétrica e contratação de clientes.

Usina inaugurada em 1974 poderá abrigar megacomplexo de inteligência artificial

A Drax Power Station começou a operar na década de 1970, inicialmente utilizando carvão mineral para produzir eletricidade. Ao longo dos anos, a instalação passou por mudanças e converteu parte de suas unidades para a utilização de biomassa, principalmente pellets de madeira.

Agora, a estrutura poderá ganhar uma nova função econômica com a instalação de data centers.

Esses complexos abrigam milhares de servidores responsáveis por armazenar informações e processar grandes volumes de dados. São equipamentos fundamentais para o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial, serviços digitais e plataformas tecnológicas.

A escolha da usina está relacionada principalmente à infraestrutura energética disponível. O terreno possui aproximadamente 405 hectares, acesso à rede elétrica de 4 gigawatts e cerca de 2,6 gigawatts de capacidade de geração despachável.

Essa estrutura pode facilitar a instalação de empreendimentos que precisam de fornecimento contínuo de eletricidade.

Investimento inicial será de £ 2,5 bilhões

Apesar de o projeto completo poder ultrapassar £ 20 bilhões, o investimento será realizado gradualmente.

A primeira etapa prevê a instalação de um data center com capacidade de até 100 megawatts (MW). Para essa fase inicial, a estimativa de investimento é de aproximadamente £ 2,5 bilhões.

O cronograma apresentado pelas empresas estabelece três etapas principais:

  • Primeira fase: até 100 MW, com início das operações previsto para o primeiro trimestre de 2028.
  • Segunda fase: expansão para aproximadamente 500 MW entre 2028 e 2031.
  • Terceira fase: desenvolvimento de capacidade adicional depois de 2031, com objetivo de superar 1 gigawatt.

Um gigawatt equivale a 1.000 megawatts. Essa capacidade demonstra a dimensão do empreendimento e a quantidade de infraestrutura que poderá ser instalada no local.

O investimento superior a £ 20 bilhões é uma estimativa potencial para o desenvolvimento completo, incluindo equipamentos e infraestrutura de processamento. Não significa que todo esse dinheiro já tenha sido desembolsado ou esteja definitivamente comprometido.

Como a antiga usina vai fornecer energia aos data centers?

A disponibilidade de eletricidade é um dos principais desafios para a expansão da inteligência artificial.

Data centers precisam manter servidores funcionando continuamente, além de utilizar sistemas de refrigeração para controlar a temperatura dos equipamentos. Por isso, a escolha de locais com acesso à rede elétrica e infraestrutura de geração pode reduzir dificuldades de implantação.

Na primeira fase, o empreendimento deverá utilizar eletricidade obtida diretamente da rede, aproveitando a conexão já existente na área da usina.

Em uma etapa posterior, as empresas pretendem avaliar a possibilidade de fornecer energia diretamente das instalações de geração da Drax.

Esse modelo é conhecido como behind-the-meter e permite estruturar o abastecimento de grandes consumidores a partir de uma instalação de geração próxima, conforme as condições técnicas e regulatórias.

A proposta é aproveitar a infraestrutura existente para acelerar a implantação dos centros de processamento de dados.

Projeto ainda depende de licenças e contratação de clientes

Apesar do anúncio da parceria, a construção do complexo ainda não está garantida em todas as etapas.

A primeira fase depende do avanço do processo de planejamento, das aprovações regulatórias e das autorizações necessárias para conexão à rede elétrica.

Outro ponto importante é a contratação de um cliente interessado em utilizar a capacidade computacional oferecida pelo empreendimento.

A consulta à comunidade local também está prevista antes do avanço do processo formal de planejamento.

Por isso, o cronograma de 2028 representa uma meta das empresas, e não uma data definitiva de inauguração.

Reino Unido quer ampliar capacidade de data centers de inteligência artificial

O empreendimento faz parte de uma estratégia mais ampla do Reino Unido para fortalecer sua infraestrutura tecnológica.

O governo britânico estima que o país precisará de aproximadamente 6 gigawatts de capacidade em data centers dedicados à inteligência artificial até 2030.

A expansão busca ampliar a capacidade nacional de processamento, reduzir dependências externas e atrair investimentos relacionados à economia digital.

Nesse cenário, a disponibilidade de energia passou a ser um fator decisivo para a localização de novos complexos tecnológicos.

A parceria envolvendo a Drax pretende aproveitar uma área industrial já conectada à infraestrutura elétrica, transformando o espaço em um polo de processamento de dados.

Usina tem histórico de debates ambientais

A instalação também possui um histórico de discussões relacionadas às emissões de carbono.

Durante décadas, a Drax utilizou carvão mineral para gerar eletricidade. Posteriormente, parte das unidades foi adaptada para queimar biomassa.

Embora a companhia apresente a biomassa como parte de sua estratégia de geração renovável, a atividade continua sendo objeto de debates ambientais relacionados às emissões da combustão, ao transporte dos pellets de madeira e à origem da matéria-prima.

A chegada dos data centers também traz novas preocupações sobre consumo de energia e água, especialmente por causa dos sistemas de refrigeração necessários para manter os servidores em funcionamento.

As empresas afirmam que pretendem seguir critérios de eficiência energética e ambientais previstos nas diretrizes britânicas para novos empreendimentos digitais.

Estrutura poderá preservar empregos e criar novas oportunidades

A parceria também foi apresentada como uma oportunidade para manter empregos ligados à antiga estrutura energética e gerar novas vagas na região de Yorkshire.

Segundo a Drax, o projeto poderá ajudar a preservar centenas de postos de trabalho associados à instalação, além de criar oportunidades diretas e indiretas durante a construção e a operação dos data centers.

As empresas também pretendem desenvolver um fundo voluntário de benefícios comunitários, com detalhes a serem discutidos com os moradores da região.

Se for executado integralmente, o empreendimento poderá transformar uma área industrial com mais de cinco décadas de história em um dos principais polos de infraestrutura para inteligência artificial do Reino Unido.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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