Foto: Polícia Civil/Divulgação

“Eles te ofereciam dinheiro a juros altíssimos e esse valor ia aumentando. Se tu não pagasse, ele te batia”, essa é a afirmação da delegada Miriam Thomé, titular da 2ª Delegacia de Polícia de Canoas, que coordenou a Operação Praetorium deflagrada na manhã desta quinta-feira (20). O objetivo da ação era combater os crimes de tráfico de drogas, extorsão e lavagem de dinheiro que são praticados por integrantes de uma organização criminosa do município.

Quer mandar sugestões de pauta e flagrantes da sua cidade? Então, anote nosso WhatsApp: (51) 9 8917 7284

Na ofensiva, foram cumpridas 45 ordens judiciais. Sendo, 33 de busca e apreensão, e 12 de prisão em Canoas, Esteio, Imbé, Tramandaí e Rio Grande. Foram dois anos de investigação que partiu de uma denúncia anônima sobre agiotagem e o tráfico de drogas.

O principal alvo da ação mantinha uma empresa de segurança privada de fachada. Morador do bairro Niterói, segundo a delegada, ele controla um grande esquema criminoso. “Ele já tinha sido alvo de uma ação quando foi acusado de agiotagem. Com o passar do tempo, nos surpreendeu a atuação dele dentro da organização criminosa”.

Esse criminoso emprestava dinheiro como agiota. Ele dava pequenos prazos de pagamento e cobrava juros altíssimos. As vítimas eram agredidas se não pagassem conforme ele queria e o valor ia aumentando cada vez mais. “Num exemplo bem simples: ele emprestava R$ 500. 15 dias depois, ele cobrava R$ 1000 e agredia a vítima. Um mês, esse valor tinha dobrado e as agressões aumentavam junto. Ele fazia ameaças de morte e tudo mais”, relata a delegada.

O alvo não agia sozinho. Ele tinha funcionários, em grande maioria moradores dos bairros Niterói e Nossa Senhora das Graças que realizavam as cobranças e outros tipos de crimes, como o tráfico de drogas por exemplo.

Empresa de fachada

O que chamou a atenção da polícia, foi a empresa de fachada que o criminoso mantinha. Por causa da Lei de Abuso de Autoridade nem o nome dela e o dos criminosos envolvidos, foram divulgados. “Algumas vítimas contratavam a empresa e eles faziam isso de fachada. Aí eles ofereciam dinheiro e convenciam as vítimas a pegar o empréstimo”, afirma a delegada.

Operação perigosa

Conforme o diretor da 2ª Delegacia Regional de Polícia Metropolitana, delegado Mario Souza, a investida dos agentes foi considerada de alto risco, pois os criminosos eram “muito violentos” e ligados a uma tradicional facção criminosa no Rio Grande do Sul.

Segundo o diretor, com o uso da violência física e empresa de fachada, os milicianos captavam dinheiro para abastecer o tráfico de drogas. “Essa quadrilha utilizava uma segurança armada para manter o líder e os bandidos seguros. Eles atuavam em Canoas e a facção tem berço no Vale do Sinos”, destaca Mario Souza.