Foto: Rodrigo Ziebell/SSP

Em três dias, criminosos ligados a facção criminosa “Os Manos” movimentaram R$ 2 milhões. Essa é apuração feita pelos investigadores da 1ª Delegacia de Polícia de Sapucaia, em conjunto com o 33° Batalhão de Polícia Militar (33° BPM), descobriu um enorme esquema de lavagem de dinheiro financiado pelo tráfico de drogas. Toda essa organização criminosa foi alvo da Operação Iceberg, deflagrada nesta quarta-feira (2).

Como começou a investigação?

No dia 27 de maio, quando dois criminosos foram presos em Sapucaia por tráfico e com armas. “Além do flagrante, nos chamou a atenção os documentos e diversos comprovantes de depósitos bancários”, comentou a delegada Luciane Bertoletti, que iniciou a investigação.

Com a prisão, os investigadores descobriram um grande esquema de lavagem do dinheiro que é oriundo do tráfico de drogas. Eles também apuraram diversas contas bancárias de laranjas que compravam imóveis e veículos. Até empresas de fachada foram criadas para facilitar o crime.

Parte desse dinheiro foi para cidades que fazem divisa com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul. O recurso era utilizado para compra de drogas e, assim, mantinha funcionando o esquema. A atividade era totalmente organizada. As lideranças possuíam funções específicas de recolhimento dos valores e transferências nas contas bancárias determinadas. “Segundo as investigações, eles atuavam como uma empresa do crime”, afirmou o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana, delegado Mário Souza.

Os criminosos também mantinham empresas de fachadas em Franca (SP), Ponta Porã (MS), Campo Grande (MS) e Curitiba (PR), além de Sapucaia do Sul.

Golpe no crime

O objetivo da ação foi desarticular o esquema de lavagem por meio do bloqueio de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, sequestro de bens e prisão dos líderes. Foram cumpridos 97 ordens judiciais em Canoas, Novo Hamburgo, Montenegro, Porto Alegre, São Leopoldo e Sapucaia do Sul. “O novo modelo de enfrentamento da Polícia Civil frente ao crime organizado busca a descapitalização das organizações criminosas, o que gera seu enfraquecimento, uma vez que os recursos ilícitos que movimentam as atividades delituosas são alcançados e revestidos em prol do Estado”, comentou o delegado Gabriel Borges, titular da 1ª DP. Já o Major Paulo César dos Santos, que comanda o 33° BPM, também reforçou que “é importante atingir a parte financeira da organização criminosa.”

Durante a operação, os policiais conseguiram o bloqueio de R$ 9 milhões, sequestraram 17 imóveis e oito veículos. Durante os mandados foram apreendidos R$ 30 mil.