Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Em entrevista cedida ao programa Gaúcha Atualidades, na manhã desta sexta-feira (26), o Governador Eduardo Leite, retomou a afirmação de que 60% das pessoas que são internadas nas UTI Covid-19 no Estado acabam morrendo devido ao vírus.

“As pessoas ficam comentando sobre UTI, como se a UTI fosse a cura, é só aumentar o número de leitos de UTI que está resolvido. Mas, não é assim, em primeiro lugar não é infinita a nossa capacidade de expansão de leitos de UTI e, em segundo lugar, mesmo que fosse, as tantas vidas das pessoas que sem se cuidar fossem levadas à UTI, 60% delas não voltam”, explica o governador.

Segundo o governador, as entidades empresariais prestam um suporte incontestável ao combate contra o Coronavírus ao buscar formar uma conscientização coletiva a respeito da situação da pandemia. Porém, há a necessidade de fazer uma parada mais forte.

De acordo com Leite, isso não significa que o comércio, as academias e os restaurantes sejam os culpados. Porém, é necessário que haja maior distanciamento, pois os protocolos ajudam a reduzir os riscos, mas não os eliminam. “Um maior distanciamento aumenta a segurança. Nesse momento crítico que estamos vivendo vamos precisar fazer uma parada técnica por um período mais duro de distanciamento para que possamos dar um golpe nessa taxa de contágio. Os protocolos existentes não estão sendo suficientes”, explica Leite.

O governador também explicou que afirma que os comerciantes não possuem culpa do quadro ter piorado, mas sim das pessoas que não respeitam o estabelecimento. “Há muitas pessoas que estão nas filas e não respeitam o distanciamento, assim como também há aquelas que não usam de forma adequada as máscaras, as deixando no queixo. É muito importante formar uma conscientização coletiva”, coloca o governador.

Leite conta que encaminhou um ofício ao Ministério da Saúde no qual pede para incluir professores e profissionais da educação, que estejam no grupo, acima de 60 anos, ou apresente alguma comorbidade, no grupo prioritário da vacinação.

Segundo Leite, assim que a região sair da bandeira preta, ela está autorizada a retomar as aulas presenciais para as outras turmas. Enquanto estiver na bandeira preta apenas educação infantil e 1º e 2º anos.

Eduardo Leite também explicou o porquê de não haver mais hospitais de campanha. Segundo ele esses hospitais não comportam UTI, apenas leitos clínicos. “O Estado tem estrutura. Nós tínhamos até o início de fevereiro 20% de ocupação e ao longo do mês houve um salto de ocupação nos leitos clínicos, que são os que os hospitais de campanha têm, saindo de 20% para 50% de ocupação em pouco mais de 15 dias no Estado de leitos clínicos. Porém, não entendemos que esse momento seja necessários hospitais de campanha”, afirma.

Segundo o governador, não houve o fechamento do comércio e nem outra atitude mais ríspida do Estado durante o Carnaval, pois dias antes do feriado já estava se notando um crescimento de casos, porém ainda era cedo para avaliar se era um crescimento real ou apenas um alarme falso. De acordo com Leite, por um tempo esse crescimento se estabilizou. “O Carnaval não é o culpado por estarmos vivendo essa situação, pois foi observado antes e durante o Carnaval o aumento de internações. Vale ressaltar que as internações ocorridas no Carnaval, não são de pessoas que se contaminaram durante o feriado, elas foram contaminadas antes e que foram agravando durante o período do Carnaval”, explica.