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05 de março de 2026

Licença-paternidade de 20 dias: entenda o projeto aprovado no Senado e o que muda para os pais

O debate sobre a ampliação da licença-paternidade de 20 dias voltou ao centro das discussões no Brasil após a aprovação de um projeto que altera a legislação atual. A proposta prevê aumentar o período de afastamento dos pais após o nascimento ou adoção de um filho, ampliando gradualmente o direito que hoje é de apenas cinco dias.

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A mudança busca garantir maior participação dos pais nos primeiros dias de vida do bebê e fortalecer o vínculo familiar. Além disso, a medida também pretende dividir melhor as responsabilidades entre homens e mulheres no cuidado com os filhos.

Como funciona a licença-paternidade hoje

Atualmente, a legislação brasileira garante apenas cinco dias de licença-paternidade para trabalhadores após o nascimento de um filho. Esse direito está previsto na Constituição Federal e vale para trabalhadores formais, permitindo que o pai se afaste temporariamente do trabalho para acompanhar os primeiros dias da criança.

Em algumas empresas participantes do Programa Empresa Cidadã, o prazo pode chegar a 20 dias, mas isso depende da adesão da empresa ao programa e não é um direito universal para todos os trabalhadores. Por isso, especialistas e parlamentares defendem a criação de uma regra mais ampla e permanente.

Além disso, a legislação atual ainda não regulamenta de forma completa a licença-paternidade, o que gera desigualdades entre trabalhadores de diferentes setores e empresas.

O que prevê o projeto que amplia para 20 dias

O projeto aprovado prevê a ampliação gradual da licença-paternidade para até 20 dias, garantindo que o trabalhador continue recebendo remuneração integral durante o período de afastamento.

A proposta estabelece um cronograma de implementação progressiva. Assim, após a entrada em vigor da lei, o tempo de licença aumentaria gradualmente:

  • 10 dias nos dois primeiros anos
  • 15 dias no terceiro ano
  • 20 dias a partir do quarto ano

Esse modelo de transição foi adotado para reduzir impactos fiscais e permitir adaptação das empresas e do sistema previdenciário.

Quem terá direito ao benefício

O texto prevê que a licença-paternidade ampliada valerá para trabalhadores que se tornarem pais por nascimento, adoção ou guarda judicial de criança ou adolescente. O pagamento será equivalente ao salário do trabalhador, sem prejuízo na remuneração.

Outra novidade é a possibilidade de dividir a licença em dois períodos, sendo que uma parte deve ocorrer logo após o nascimento ou adoção. O restante poderá ser utilizado posteriormente, dentro de um prazo determinado pela lei.

Além disso, o projeto também discute regras de estabilidade no emprego durante o período da licença, semelhante ao que ocorre com a licença-maternidade.

Quando a nova regra pode entrar em vigor

Apesar de já ter avançado no Congresso, o projeto ainda precisa cumprir etapas legislativas antes de virar lei. Após as alterações feitas pelos deputados, o texto voltou para análise do Senado e, se aprovado definitivamente, seguirá para sanção presidencial.

Caso seja sancionada, a nova legislação deverá entrar em vigor gradualmente, com previsão de início da ampliação nos próximos anos. A implementação completa do prazo de 20 dias de licença-paternidade dependerá também do cumprimento de metas fiscais estabelecidas pelo governo federal.

Especialistas apontam que a mudança pode representar um avanço importante na política familiar do país, incentivando maior presença dos pais na criação dos filhos e promovendo mais equilíbrio nas responsabilidades domésticas.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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