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12 de abril de 2026

Remédios para dormir podem aumentar risco de demência em até 79%, aponta estudo

Uma prática comum entre quem sofre com insônia pode estar levantando um sinal de alerta importante. Um estudo internacional apontou que o uso frequente de remédios para dormir pode estar associado a um aumento significativo no risco de desenvolver demência, incluindo o Alzheimer.

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A descoberta chama atenção porque esses medicamentos são amplamente utilizados, muitas vezes sem acompanhamento contínuo, inclusive por pessoas mais velhas.

Estudo aponta aumento de até 79% no risco

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease.

Os resultados mostraram que idosos que utilizavam remédios para dormir com frequência, classificados como uso “frequente” ou “quase sempre” — apresentaram um risco 79% maior de desenvolver demência em comparação com aqueles que usavam raramente ou nunca.

O estudo acompanhou cerca de 3 mil pessoas ao longo de nove anos. Durante esse período, aproximadamente 20% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência.

Quais medicamentos entram nesse alerta

Os pesquisadores observaram que o tipo de remédio também influencia no risco.

Entre os mais associados ao aumento de casos estão:

  • benzodiazepínicos (como triazolam e temazepam)
  • antidepressivos usados como indutores do sono
  • os chamados “medicamentos Z”, como o zolpidem

Esses fármacos atuam diretamente no sistema nervoso central, o que pode explicar possíveis impactos na função cognitiva ao longo do tempo.

Nem todo mundo apresenta o mesmo risco

Um ponto que chamou atenção dos cientistas foi a diferença nos resultados entre grupos analisados.

O aumento de risco foi observado principalmente entre participantes brancos. Já entre participantes negros, o estudo não encontrou a mesma associação significativa — o que pode estar ligado a fatores como menor uso dos medicamentos ou diferenças socioeconômicas.

Ainda assim, os pesquisadores reforçam que o tema precisa de mais estudos para entender completamente essas diferenças.

Associação não significa causa direta

Apesar do dado expressivo, os especialistas fazem um alerta importante: o estudo mostra uma associação, mas não prova que os remédios sejam a causa direta da demência.

Isso significa que outros fatores podem estar envolvidos, como o próprio distúrbio do sono ou condições de saúde associadas.

Existe alternativa para quem tem insônia?

Segundo os autores, antes de recorrer a medicamentos, o ideal é investigar a causa do problema.

Em muitos casos, a chamada terapia cognitivo-comportamental para insônia é considerada a primeira linha de tratamento. Outras opções, como a melatonina, também podem ser avaliadas — sempre com orientação médica.

O recado dos especialistas é claro: automedicação ou uso contínuo sem acompanhamento pode trazer riscos que vão além de uma simples noite mal dormida.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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