A possibilidade do retorno do fenômeno El Niño no Rio Grande do Sul (RS) tem gerado bastante inquietação entre os gaúchos, especialmente após as fortes enchentes de 2024. As recentes previsões de um aumento nas chuvas têm reacendido os medos de novos desastres climáticos, e cidades como Canoas, que sofreram com os impactos da inundação do ano passado, estão de olho no cenário. No entanto, a realidade pode ser um pouco diferente do que muitos imaginam. (Confira a reportagem em vídeo abaixo)
O El Niño: entenda o fenômeno e seu impacto no clima
El Niño é um fenômeno climático causado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação da atmosfera e muda a dinâmica das chuvas em diversas regiões do planeta. No Brasil, especialmente no Sul, a chegada do El Niño pode provocar um aumento nas chuvas e até mesmo eventos climáticos mais intensos.
Contudo, para muitos gaúchos, o medo da repetição de eventos extremos, como a enchente histórica de 2024, está no centro das discussões. Para esclarecer as dúvidas e separar o que é preocupação de realidade, a reportagem conversou com um especialista local.
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Reportagem com Cesar Lafayete

O que diz o meteorologista?
Em entrevista a Agência GBC, o meteorologista aposentado da Base Aérea de Canoas, Cesar Lafayete, conhecido por suas previsões e análises detalhadas, afirmou que o El Niño ainda não está ativo no RS e que neste momento estamos em um “período neutro”.
Apesar da possibilidade de El Niño em 2026, o fenômeno ainda está em fase de formação e há uma série de fatores que podem influenciar o clima nos próximos meses, explicou Lafayete.
O meteorologista também reforçou que, apesar das previsões para um aumento das chuvas a partir do segundo semestre de 2026, isso não significa necessariamente que os volumes de chuva serão extremos. Ele alertou que o clima no RS está, de fato, mudando, mas sem garantias de que cenários como o de 2024 vão se repetir.
A enchente de 2024 e a relação com o El Niño
Lafayete foi claro ao afirmar que o fenômeno do Él Niño não teve impacto direto na catástrofe que devastou partes do estado.
De acordo com o metereologista, a “relação entre o El Niño e a enchente de 2024 é mínima”. Para ele, o que realmente causou a grande quantidade de chuva naquele momento foi um bloqueio atmosférico, que impediu o avanço das frentes frias para outras regiões do Brasil, concentrando toda a precipitação no estado do RS, destacou o meteorologista.
Isso significa que, embora o El Niño tenha o potencial de aumentar as chuvas, o cenário de 2024 foi desencadeado por uma combinação de fatores atmosféricos e não exclusivamente pelo fenômeno climático.
“O El Niño é um fenômeno que existe desde que o mundo é mundo, sempre existiu e agora depois de alguns anos pra cá começou a se estudar mais sobre o fenômeno”, explicou Lafayete.
O que esperar nos próximos meses
Apesar da previsão de um possível El Niño a partir de 2026, o impacto dessa mudança climática ainda está sendo estudado. A probabilidade de ocorrência do fenômeno entre maio e julho de 2026 é de cerca de 61%, mas isso não significa que teremos eventos climáticos extremos de forma automática.
O meteorologista alerta que, embora haja uma mudança no padrão climático, não podemos tirar conclusões precipitadas sobre a intensidade das chuvas ou se elas serão comparáveis ao que ocorreu em 2024.

