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26 de abril de 2026

Superfecundação heteropaternal: entenda a condição que levou mulher a ter filhos de pais diferentes ao mesmo tempo

Fenômeno de superfecundação heteropaternal foi confirmado por cientistas colombianos após análise genética detalhada

Um caso raro identificado na Colômbia chamou a atenção da comunidade científica após exames confirmarem que gêmeos tinham pais diferentes. A descoberta ocorreu em 2018, durante um teste de paternidade realizado na Universidade Nacional da Colômbia. O episódio é um exemplo de superfecundação heteropaternal, fenômeno extremamente incomum já registrado poucas vezes no mundo.

Como o caso foi descoberto

O caso começou quando uma mulher procurou o Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia para confirmar a paternidade de seus filhos gêmeos, nascidos dois anos antes.

O exame foi realizado como procedimento de rotina, mas o resultado surpreendeu os pesquisadores. Após repetirem a análise para descartar erros, os cientistas confirmaram que os gêmeos eram filhos da mesma mãe, porém de pais diferentes, um caso de superfecundação heteropaternal.

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O que mostram as investigações

A análise utilizou marcadores microssatélites, técnica que compara fragmentos específicos do DNA entre mãe, filhos e suposto pai. No total, foram examinados 17 pontos genéticos.

O resultado indicou compatibilidade genética entre o homem testado e apenas um dos gêmeos. O outro bebê não apresentava correspondência, confirmando a existência de dois pais biológicos distintos.

Segundo os pesquisadores, o teste foi repetido integralmente para garantir a precisão dos dados, chegando ao mesmo resultado.

Por que o fenômeno é raro

A superfecundação heteropaternal ocorre quando dois óvulos liberados no mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens diferentes.

Para que isso aconteça, uma série de condições precisa coincidir: a mulher deve ter relações com dois parceiros em um curto intervalo de tempo, ocorrer a liberação de múltiplos óvulos e ambas as fecundações precisam acontecer dentro de um período limitado.

Estudos indicam que esse intervalo pode variar entre 24 e 36 horas, tempo em que os óvulos permanecem viáveis após a ovulação.

O que dizem os especialistas

Pesquisadores envolvidos destacam que, apesar de possível, o fenômeno é extremamente incomum. Estimativas apontam que cerca de 20 casos foram registrados em literatura científica mundial.

Em um levantamento com 39 mil testes de paternidade realizado nos Estados Unidos, apenas três casos semelhantes foram identificados.

Especialistas também ressaltam que a baixa incidência pode estar relacionada ao fato de que a maioria das pessoas não realiza testes de paternidade, o que limita a identificação de situações desse tipo.

Implicações

Com o avanço das técnicas de análise genética e a maior popularização dos testes de DNA, cientistas acreditam que mais casos de superfecundação heteropaternal possam ser identificados no futuro.

Ainda assim, os pesquisadores reforçam que os exames são conduzidos com rigor ético, respeitando a privacidade e a intimidade das pessoas envolvidas.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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