Uma mulher de 68 anos, nos Estados Unidos, desenvolveu manchas azuladas e arroxeadas na pele após iniciar tratamento com minociclina, antibiótico usado contra rosácea. O caso, publicado no The New England Journal of Medicine, chamou atenção pela rapidez com que a pele escurece após antibiótico, efeito considerado raro nas primeiras semanas de uso do medicamento.
Como o caso foi identificado
A paciente procurou atendimento em uma clínica de cardiologia após notar manchas escuras nas pernas e nos braços. As alterações começaram nas canelas e depois se espalharam para os antebraços.
Durante o exame físico, médicos também identificaram hiperpigmentação nas laterais da língua. Segundo o relato médico, os sintomas surgiram cerca de duas semanas após o início do tratamento com minociclina oral.
A paciente utilizava 100 mg diários do antibiótico para tratar rosácea, doença inflamatória crônica que provoca vermelhidão no rosto e pequenas lesões semelhantes à acne.
LEIA TAMBÉM:
- Bolsonaro terá pena de prisão reduzida graças a esta lei
- Nova lei cria programa nacional para tentar impedir feminicídios antes que crimes aconteçam
- Bactéria encontrada em produtos da Ypê contaminados e suspensos pela Anvisa é considerada multirresistente a antibióticos; veja os produtos e lotes considerados perigosos
O que mostram as investigações
Os médicos diagnosticaram o quadro como hiperpigmentação induzida por minociclina, um efeito adverso já conhecido do medicamento.
No caso relatado, a alteração foi classificada como tipo II, caracterizada por manchas azul-acinzentadas em áreas normais da pele, principalmente nos braços e pernas.
Especialistas destacaram que o caso chamou atenção porque, normalmente, esse efeito aparece após meses de tratamento. Situações em que a pele escurece após antibiótico em poucas semanas são consideradas incomuns.
Por que a pele muda de cor
A causa exata da hiperpigmentação provocada pela minociclina ainda não é totalmente compreendida pelos pesquisadores.
Uma das hipóteses é que substâncias produzidas durante a metabolização do antibiótico se liguem ao ferro no organismo e acabem acumuladas em células de defesa da pele.
Outra possibilidade é que o medicamento estimule a produção de melanina ou se ligue diretamente ao pigmento natural da pele, formando depósitos escuros nos tecidos.
Quais são os tipos de hiperpigmentação
A literatura médica descreve três tipos principais de hiperpigmentação relacionada ao uso da minociclina.
Tipo I
Provoca manchas azul-escuras ou pretas em regiões inflamadas ou com cicatrizes, principalmente no rosto.
Tipo II
Forma manchas azul-acinzentadas em áreas normais da pele, como braços e pernas. Foi o tipo identificado na paciente.
Tipo III
Causa manchas marrom-acinzentadas em regiões expostas ao sol.
O que dizem os médicos
Após o diagnóstico, os profissionais orientaram a suspensão imediata da minociclina e recomendaram evitar exposição solar, já que a radiação ultravioleta pode agravar o quadro.
Seis meses depois, as manchas apresentaram melhora parcial, mas ainda permaneciam visíveis.
Segundo os autores do estudo, em alguns pacientes a pigmentação pode levar meses ou até anos para desaparecer completamente. Em casos mais persistentes, as manchas podem continuar mesmo após a interrupção do antibiótico.

