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11 de maio de 2026

Estudo revela o que realmente causou tragédia histórica das enchentes no Rio Grande do Sul

Novo estudo revela o que ajudou a transformar as enchentes no Rio Grande do Sul na maior tragédia climática da história do estado.

Mais de dois anos após a maior tragédia climática da história do estado, um novo estudo sobre as enchentes no Rio Grande do Sul revelou detalhes preocupantes sobre o que teria contribuído para ampliar o desastre que matou 185 pessoas e afetou mais de 2,4 milhões de moradores gaúchos em 2024.

O levantamento, divulgado na última quinta-feira (7), concluiu que as chuvas extremas foram apenas parte do problema. Segundo os pesquisadores, decisões políticas, crescimento urbano desordenado, falhas na prevenção e até o negacionismo climático ajudaram a aumentar drasticamente os impactos das enchentes no Rio Grande do Sul.

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O estudo foi desenvolvido pelo World Resources Institute Brasil (WRI) com participação de universidades gaúchas e buscou entender como o risco foi sendo construído ao longo de décadas até culminar na tragédia que atingiu 478 municípios do estado.

Tragédia deixou mortos, desaparecidos e milhões de atingidos

As enchentes de 2024 entraram para a história como o maior desastre climático já registrado no Rio Grande do Sul. Além das 185 mortes confirmadas, outras 23 pessoas seguem desaparecidas até hoje.

Cidades inteiras ficaram submersas após dias de chuva intensa. Em diversos municípios, moradores perderam casas, carros, móveis e até documentos. Rodovias foram destruídas, bairros ficaram isolados e milhares de famílias precisaram deixar suas residências às pressas.

Agora, o novo estudo tenta explicar por que os impactos foram tão devastadores.

Pesquisadores apontam 11 causas principais para desastre

O relatório identificou 11 chamadas “causas raiz” que teriam ampliado os efeitos das enchentes no Rio Grande do Sul. Elas foram divididas em quatro grandes grupos:

Desenvolvimento urbano e rural

  • Modelo de ocupação territorial pouco resiliente

Condições físicas e ambientais

  • Variabilidade climática
  • Condições geomorfológicas e hidrológicas favoráveis a enchentes

Condições socioeconômicas

  • Negacionismo climático
  • Desigualdade social
  • Falta de cultura de prevenção

Governança

  • Prioridade econômica acima de pautas ambientais
  • Falhas na gestão de riscos
  • Falta de prioridade política para questões ambientais
  • Problemas de integração entre governos
  • Conflitos entre interesses públicos e privados

Segundo os autores, muitos desses fatores já existiam há anos, mas acabaram potencializando os efeitos das chuvas extremas.

Ocupação desordenada agravou situação

Um dos pontos mais destacados no estudo foi o crescimento urbano sem planejamento adequado em áreas vulneráveis.

Os pesquisadores afirmam que a expansão descontrolada das cidades, somada à especulação imobiliária e à falta de políticas preventivas, contribuiu para aumentar a exposição da população aos riscos climáticos.

Na prática, isso significa que muitas pessoas passaram a viver em áreas suscetíveis a alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

Negacionismo climático também é citado

O documento chama atenção para outro fator que vem sendo debatido nos últimos anos: o negacionismo climático.

Segundo os pesquisadores, minimizar os impactos das mudanças climáticas ou ignorar alertas científicos dificultou ações preventivas e atrasou medidas de adaptação em diversas cidades.

O relatório destaca que eventos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos nos próximos anos, exigindo mudanças urgentes no planejamento urbano e ambiental.

Estudo defende nova cultura de prevenção

Além de obras e infraestrutura, o levantamento afirma que o Rio Grande do Sul precisará investir em governança, integração regional e políticas de prevenção para evitar novas tragédias.

Os pesquisadores defendem:

  • fortalecimento da defesa civil;
  • integração entre municípios;
  • planejamento urbano mais rígido;
  • proteção de áreas vulneráveis;
  • criação de cultura permanente de prevenção climática.

Segundo Lara Caccia, coordenadora de Adaptação Urbana do WRI Brasil, o desastre foi resultado de uma construção histórica de vulnerabilidades.

“Se o risco foi construído historicamente, a resiliência também pode ser construída por meio de novas escolhas de desenvolvimento”, afirmou à Agência Brasil.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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